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Dia da Mãe: Jovem mãe de Lousada retrata momentos de dor depois de ter perdido três filhos e alegria de os ter reavido

Dia da Mãe: Jovem mãe de Lousada retrata momentos de dor depois de ter perdido três filhos e alegria de os reaver

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No próximo domingo, primeiro de maio, assinala-se o dia da mãe. Uma data comemorativa que homenageia anualmente a figura familiar materna e a maternidade. A data de comemoração varia de acordo com o país. Em Portugal, o dia da mãe é comemorado no primeiro domingo de maio, seguindo a tradição da igreja católica que neste mês celebra Santa Maria, mãe de Jesus, embora durante muitos anos tivesse sido comemorado no dia 8 de dezembro, dia da nossa senhora da conceição.

A figura materna, para além de considerada um pilar familiar, sempre firme e atenta, personifica também o equilíbrio, a afetividade e a disponibilidade para resolver e gerir eventuais conflitos familiares.

As mães estão sempre prontas para a família e com boa ou má disposição enfrentam qualquer tempestade.

É o caso de Andreia, 31 anos, residente no concelho de Lousada.

Andreia é um nome fictício. Esta jovem mãe conta a sua história, mas tem receio de represálias.

Durante cerca de uma década viveu sob o jugo do companheiro com quem teve 3 filhos… período em que foram repetidas, vezes sem conta, as promessas de mudança comportamental.

“As agressões e comportamento agressivo do meu ex-companheiro, com quem vivi 13 anos em união de facto, começaram com o nascimento do meu primeiro filho que, hoje, tem 12 anos.  Nos últimos anos vivi uma situação verdadeiramente aflitiva”, disse, salientando que fruto desta relação marital teve mais dois filhos um com sete e outro com cinco anos.

Andreia destacou que as promessas do companheiro que ia mudar de comportamento levaram-na a manter esta relação.

“Ele dizia-me que ia mudar de comportamento, mas isso não veio a acontecer. O primeiro filho foi concebido porque ambos quisemos, o segundo, fui eu que quis, o terceiro aconteceu. Após o nascimento do meu terceiro folho, decidi separar-me dele. Recordo-me que fui para França com os meus filhos em 2017, ele já lá estava, e estivemos lá cerca de meio ano. Recordo-me que este período de tempo foi extremamente sofrido para mim e para os meus filhos”, explicou, relembrado que a opção de ir para França tinha como objetivo juntar a família e estarem mais tempo juntos.

“Quando viemos para Portugal, um dos meus filhos tinha quatro meses. Consegui com o apoio da Ação Social da Câmara de Lousada arranjar uma habitação social. Mas o meu ex-companheiro dizia-me que a culpa era minha, que queria ir para França e a mãe dele arranjou-lhe trabalho em França e ele foi. Fiquei sozinha com os meus três filhos. Ele ligava-me para irmos ter com ele, para termos uma vida melhor. Acabei por ir com os meus filhos, só que a situação piorou”, afirmou, sustentando que os episódios de violência continuaram.

Andreia relembra que contactou a polícia francesa, receando pela sua integridade física, tendo optado por regressar a Portugal.

“Estava com receio que me fizesse mal. Os meus sogros não faziam nada, até que o meu filho teve de se meter no meio para me proteger e para ele não me fazer mal. Ganhei coragem e regressei a Portugal com os meus filhos”, acrescentou.

Decidida a novos rumos, Andreia terminou a relação, mas as dificuldades aumentaram. À Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Lousada, foram parar diversas queixas de maus tratos aos filhos. As crianças foram institucionalizadas.

“Deparei-me com muitas queixas na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens contra mim, que era uma má mãe até que a CPCJ veio buscar os meus filhos a casa em 2018 e os meus filhos foram institucionalizados durante dois anos e meios. Foi uma fase difícil da minha vida, um percurso muito longo, muito duro, com altos e baixos”, explicou, confirmando que apesar de todas estas adversidades não deixou de lutar pelos seus filhos.

 “Lutei sempre, não desisti até conseguir a guarda deles, mas foi uma luta dolorosa. Os meus filhos, sobretudo, o mais velho teve que se habituar a estar sem a mãe. As vindas a casa e o regresso à instituição marcaram, foram sempre muito difíceis e foi um transtorno nas nossas vidas”, avançou, explicando que foi sempre acompanhada pela CPCJ.

Andreia desesperou, mas não baixou os braços e foi neles que em julho do ano passado os três filhos voltaram a encontrar o aconchego de mãe de quem nunca se tinham separado.

“Sempre mantive a esperança de reaver os meus filhos e por isso é que lutei sempre sozinha”, disse, justificando a institucionalização dos filhos com o facto de não dispor condições financeiras.  

Andreia negou, contudo, que os seus filhos tivessem sido maltratados, confirmando que sempre se preocupou com a sua edução e eles sempre foram à escola.

“Em julho cheguei a trabalhar numa fábrica, entretanto, os meus filhos entraram em isolamento e tive de olhar por eles e a empresa onde estava a trabalhar mandou-me embora. Agora estou com Rendimento Social de Inserção e quero arranjar outro emprego. Ao longo destes anos aprendi muita coisa, onde errei e onde não podia errar”, precisou, recordando que os filhos estão a receber pensão de alimentos, mas esta é bastante diminuta.

No domingo, data em que se celebra o Dia da Mãe, Andreia destacou que vai estar com os seus filhos e ligar à sua mãe que foi sempre o seu abrigo seguro e o seu braço direito num processo que classificou de doloroso.

“O mais importante é que tenho os meus filhos comigo. O dia da Mãe é um dia especial, vou passar o dia com eles. Considero-me uma mãe corajosa. Pretendo, também, ligar à minha mãe que foi uma pessoa importante para mim e que sempre me apoiou”, manifestou.

Esta é uma experiência que Andreia e os filhos jamais esquecerão. Este domingo, a comemoração do dia da mãe será certamente muito intenso no seio desta família que marca o reencontro de Andreia e dos seus três filhos, o reencontro de uma família separada pelas vicissitudes da vida.

Esta é, também, a história de uma mãe que nunca desistiu de lutar pelos seus filhos. Há muitos, muitos exemplos que hoje devem ser recordados.

O Novum Canal deseja um dia feliz a todas as mães.


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