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Candidatos pelo círculo eleitoral do Porto à AR criticam falta de respostas para despoluir o Rio Ferreira

(C/VÍDEO) Candidatos pelo círculo eleitoral do Porto à AR criticam falta de respostas para despoluir o Rio Ferreira

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Os candidatos pelo círculo eleitoral do Porto à Assembleia da República apontaram críticas à falta de soluções para o Rio Ferreira, num debate promovido pelo Novum Canal com o apoio do jornal Imediato.

A maioria dos candidatos às eleições do dia 30 de janeiro lamentou a incapacidade das entidades em minimizar um problema de saúde ambiental com consequências ao nível da saúde que se tem arrastado ao longo dos tempos e que tarda em ter uma resposta.

Hugo Carvalho, do PS Porto, reconheceu que existe um problema no Rio Ferreira, mas recordou que esta questão tem sido abordada com “muita demagogia”, pelos partidos políticos, em particular os de direita, que estiveram no poder, a quem imputou responsabilidades nesta matéria.

Apesar dos problemas que persistem na Etar de Arreigada, Hugo Carvalho confirmou que a estação está a trabalhar a 45% e que o PS tem trabalho e está a trabalhar para resolver esta situação.

O candidato socialista relembrou que Paços de Ferreira e Paredes, enquanto foram governados pela direita, apresentaram os piores indicadores em termos da cobertura da rede de saneamento.

“Sabemos os impactos que isto tem na proteção dos rios. Na Etar de Arreigada sabemos o que foi feito, existem problemas técnicos. A Etar está a funcionar a 45% do caudal e vamos continuar a defender o Rio. Há uma candidatura para a requalificação de sete quilómetros que vai valorizar o rio Ferreira. Nunca como hoje o Rio Ferreira foi uma prioridade”, disse, salientando que o ambiente deve estar na agenda política mas deve ser abordado com a seriedade que esta matéria e esta questão merecem.

José Soeiro, do BE, apontou vários problemas ambientais na região, recordando que além da Etar de Arreigada e dos problemas de poluição do rio Ferreira, também, o rio Sousa é afetado pelas descargas poluentes.

“Há o problema do aterro de Lustosa, em Lousada, existe o problema dos rios, da etar de Arreigada, o rio Sousa, com várias descargas poluentes, e isto implica intervir em várias dimensões”, defendendo a reabilitação da figura do guarda-rios.

“A figura dos guarda-rios tem de ser reabilitada em toda a bacia hidrográfica do Douro, precisamos de um programa de despoluição destes rios, precisamos remover os resíduos”, afirmou, defendendo mais fiscalização das descargas no rio Sousa e Ferreira e o reforço da vigilância.

Nesta questão, José Soeiro confirmou ser a favor de uma auditoria ao que se passa no Rio Ferreira e a constituição de uma comissão de acompanhamento.

José Soeiro concordou que urge nas questões do clima fazer uma ligação com a reestruturação produtiva e com as questões da energia e dos transportes, relembrando que o investimento nos transportes públicos fomenta a coesão territorial, minimiza o flagelo do desemprego, promove o despovoamento e combate as alterações climáticas.

Bebiana Cunha, do PAN, recordou que urge continuar a alertar para o que se passa no rio Ferreira, salientando que já este sábado o PAN vai estar no Rio Ferreira com o objetivo de dar a conhecer esta realidade e sensibilizar as autoridades para um problema que tarda em ser resolvido.   

A candidata do PAN lamentou o arrastar da situação da Etar de Arreigada e alertou para a necessidade de promover uma prevenção no que toca às descargas efetuadas neste rio.

“Era um rio onde havia ecossistemas vivos. Amanhã a porta-voz do PAN irá estar junto ao Rio Ferreira para alertar para esta realidade. Estamos a falar de questões ambientais. 2030 é um ponto de não retorno, não podemos continuar a subordinar o ambiente a outros interesses”, adiantou, sublinhando que quanto ao aterro de Sobrado, o PAN apresentou uma proposta para suspender o funcionamento do aterro enquanto não tivesse as condições necessárias.

“As populações têm sido ignoradas. Temos populações em zonas protegidas e que continuam a ser ignoradas pelos decisores políticos. Estamos a falar da qualidade de vida e o dia-a-dia de cada um. É preciso trazer estes compromissos para a política”, disse, defendendo mais investimento no combate a este tipo de situações que atentam contra os recursos naturais.

Carlos Pinto, do Iniciativa Liberal, realçou não fazer sentido ter aterros ao lado das comunidades e pediu mais fiscalização.

“Não podemos ter rios que atravessam zonas residenciais com descargas. Temos de ter a capacidade de fiscalizar, mas também sermos eficientes nessa fiscalização. Temos de dar o exemplo na resolução. Temos de fazer a nossa parte, e está ao nosso alcance resolver os problemas ambientais locais”, expressou.

Vitorino Silva, do RIR, concordou com o objetivo de todos salvaguardarmos os nossos recursos e eleger a natureza e a salvaguarda desses mesmos recursos como um objetivo a ser cumprido.

“Toda a gente fica triste de olhar os rios e não poder mergulhar neles. Nós somos os culpados. O planeta está assim porque somos todos culpados. Somos parte deste planeta. temos de defender a natureza e todos ao mesmo tempo. O planeta é a casa de todos. Vamos limpar a nossa casa”, adiantou.

Manuel Pinho, Nós, Cidadãos, referiu-se à situação do Rio Ferreira como um “crime ambiental”.

“O Rio Ferreira tem sido uma preocupação, são dejetos que entram no rio em estado sólido. Estamos a falar de uma obra com fundos comunitários, onde se gastaram milhões, como é possível isto acontecer? Este é um dos maiores crimes ambientais na Europa. Fecharam os olhos durante anos. O problema persiste”, recordou, confessando que a falta de soluções para este problema suscitou problemas ao nível da saúde e inclusive fez com que várias pessoas tivessem que sair das suas casas.

“Não vale a pena oito milhões de euros se continuamos com este problema. O maior crime ambiental não está resolvido”, aludiu.

António Cunha, do PSD, lembrou que “foram gastos na Etar de Arreigada, cerca de 5,1 milhões de euros. Esta estrutura deveria estar pronta a funcionar em 2019 mas chegados a 2022, o problema está ainda por resolver.”

“Em março de 2021, o presidente da câmara disse que ia fazer uma auditoria da qual não temos conhecimento. Há conivência da Agência Portuguesa do Ambiente. Continuam a ser lançados os tais efluentes que deveriam ter um pré-tratamento. As pessoas estão a ser prejudicadas”, confessou.

Diogo Meireles do CDS-PP, admitiu que este é um problema que afeta vários concelhos, tendo apontado críticas ao atual governo pela demora em resolver estas situações.

“Há responsabilidade de quem descarrega. Em 2016, o Ministro do Ambiente disse que ia resolver e não resolveu. O PS não tem essa capacidade de resolver esta situação. O CDS tem estes problemas em mente e temos uma preocupação relativamente a esta situação. Com o CDS no Governo é um problema que ficará resolvido”, prometeu.

Rui Afonso, do Chega, lamentou o caudal de denúncias em matéria de crimes ambientais, efetuadas nos últimos anos, sendo escassas a que chegam a tribunal.

“Nos últimos 10 anos foram feitas 1600 denúncias de crimes ambientes e só 98 chegaram a tribunal, o que demonstra a preocupação do Estado relativamente aos crimes ambientais. É importante que exista uma integração da justiça, do ambiente e da economia no bem público”, atalhou.

Rui Afonso deu, ainda, o caso da ReciValongo, criticando que alguém tivesse licenciado um aterro sanitário em cima de uma vila, com a consequente degradação de solos e da saúde.

“Há uma troca de acusações mas isto acaba por ser um não assunto, porque quando vão lá as fiscalizações a empresa está licenciada, mas as pessoas continuam a ter problemas e a degradação dos solos de cultivo é uma evidência”, manifestou.

Diana Ferreira, da CDU, recordou que a etar de Arreigada mesmo a funcionar a 100 por cento, a sua capacidade estará esgotada, sendo necessário fazer um outro investimento.

“Os investimentos devem ser feitos na resolução dos problemas no médio prazo”, afirmou.

Já quanto ao aterro de Sobrado, Diana Ferreira esclareceu que a CDU fez uma intervenção continuada sobre este problema.

“No nosso país é necessário uma política para os resíduos e para o tratamento dos resíduos. Não há um reaproveitamento dos resíduos, um controlo público”, expressou, defendendo uma politica para os resíduos que não a sua deposição maioritária em aterros.

Diana Ferreira realçou, também, a necessidade de fomentar os transportes públicos e o passe intermodal alargado-o a toda a área do Porto. Diana Ferreira concordou que esta é uma medida de alcance social e ambiental, propondo ao mesmo tempo, o combate à obsolescência programada dos equipamentos elétricos e eletrónicos.

Jorge Pinto, do Livre, recordou que os indicadores evidenciam que o problema é da insustentabilidade.

“O problema rio Ferreira é permanente. É estranho uma etar funcionar a 45%. Não sei se a solução passa pela ligação a Campo, muitas destas questões tratam-se a nível local. A transformação ecológica não pode ser feita à custa das pessoas”, disse, referindo que o seu partido tem acompanhado a questão do aterro de Sobrado e a ação popular que está em tribunal que pede o encerramento através da retirada das licenças.

Já João Nuno Pessanha, Volt Portugal, relembrou que as alterações climáticas e ambiente são bandeiras do seu partido, sustentando que as questões climáticas são um problema global.

“O Volt propõe reduzir os gases efeitos estudos em 100% até 2040”, frisou, concordando que urge atuar.

“Temos de ser pragmáticos e resolver estas situações. Não interessa quem agiu mal. Estive recentemente no Rio Ferreira e sei que as pessoas sofrem, há descargas, é um crime ambiental e de saúde pública. Isto tem que ser resolvido, mas ninguém age. Temos de resolver os problemas das populações locais”, reiterou.  


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