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Artigo de Opinião: Que educação temos e queremos no nosso país?

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Uma reflexão e um pensamento crítico transversal nos dias de hoje, passa pelo nosso atual sistema de ensino.

 É incontestável negar que esse mesmo ensino e as metodologias subjacentes ao mesmo permanecem, em grande escala, imutáveis, perdurando ano após ano. A realidade é que a maioria das abordagens de ensino utilizadas atualmente não se adequam aos dias de hoje, quanto mais ao futuro que se avizinha! Esta premissa é muito mais do que as típicas afirmações que ouvimos de que nós, jovens, queremos e achamos que conseguimos mudar todo e qualquer sistema (neste caso, o de ensino). Não é uma opinião fragilmente infundada! A mesma pode ser alicerçada e corroborada pela ciência (e neste caso em concreto, pela neurociência), que nos demonstra que existem muito melhores formas de aprender. Formas de aprender mais práticas e com um foco particular para a inclusão e, acima de tudo, para a inovação e para o espírito crítico, sendo o mesmo desprovido atualmente. Estamos perante um sistema que é pouco ou nada moldável. Ensinam-nos a absorver informação sem que haja hipótese de a questionar. Aprendemos a decorar ao invés de pensar. Subentende-se até que é baseado num modelo de ensino unilateral de pura transmissão. O designado “ensino obrigatório” representa uma alavanca fundamental para os cidadãos e para as suas vidas futuras, e é fundamental instruir não só no que diz respeito a conteúdos técnicos, mas também no desenvolvimento das competências sociais.

A persistência deste ensino conduz-nos a um outro patamar. Os jovens são obrigados a procurar formas para desenvolverem essas competências, não lecionadas e não transmitidas na escola através da leitura de livros mais contemporâneos, projetos externos promovidos por empresas por exemplo, pesquisas na internet, iniciativas empreendedoras, entre outros. E devem-se estar a questionar. “Mas que tipo de competências ele se refere?”. Eu menciono algumas: saúde mental, gestão pessoal (financeira e de tempo), empreendorismo, relacionamento com os outros, inteligência emocional. Ou então, competência mais técnica e focadas já para o mercado de trabalho (para aqueles jovens que até nem seguem pelo ensino superior tenham já o mínimo de bases possíveis). Porém, esta mesma proatividade não é dado adquirido por todos os jovens, não se pode generalizar que todos tenham condição de o ser, pois há fatores que podem, efetivamente, impossibilitar esta procura externa, nomeadamente: falta de acompanhamento dos pais ou de intelectualidade; problemas psicológicos (depressão, ansiedade, dislexia); episódios de bullying ou cyberbullying; falta de recursos, entre outros. Deste modo, torna-se um desenvolvimento intelectual desequilibrado e injusto, sustentando as desigualdades de oportunidades e, consequentemente, desigualdades sociais.

Termino com uma questão. Até quando? Até quando é que nos vamos contentar com um sistema de ensino completamente desenquadrado das exigências do mundo moderno? Até quando é que vamos aceitar a ensinarem-nos a ver a vida a ser vivida como se estivéssemos do lado de fora da tela em vez de a viver no mundo atual? As más notícias são estas. As boas? As boas é que quem faz este sistema continuar de pé somos nós, porque não o questionamos. Por isso, somos nós que podemos e devemos gerar mudança.

Fernando Machado, Presidente da Juventude Socialista de Paços de Ferreira


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