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OPINIÃO PEDRO SOUSA

Artigo de Opinião: A crise política. Ansiosos, precipitados e impreparados

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A última semana foi intensa em Portugal. O chumbo do orçamento do estado por parte dos parceiros do PS, precipitou uma crise política, talvez evitável, mas que corresponde sobretudo ao desenlace de um conjunto de ânsias e precipitações oriundas de todos os lados, da esquerda, da direita e até vindas de cima.

De cima, o Presidente da Républica, ter-se-á precipitado politicamente em traçar um quadro claro das consequências do chumbo, sem nenhum comando constitucional que torne obrigatório a dissolução da assembleia, a verdade é que a postura do presidente pode ter inserido um elemento de nervosismo adicional, e talvez desnecessário, que fez transbordar o copo de uma negociação que já estava próxima do precipício. Sejamos também justos com o presidente e admitamos que o cenário traçado por este tinha o mérito de deixar claro aos partidos qual era o terreno em que se moviam. Não havia nada de nebuloso na situação. E os partidos não agiram em erro sobre as circunstâncias.

Da esquerda, temos a crónica do eterno retorno, em que o dogmatismo dos princípios, ressuscitado de seis anos de convergência, levou ao chumbo do orçamento mais expansionista da última década. Possivelmente são insondáveis as razões e objetivos que levam o PCP e o BE ao chumbo deste orçamento, sobretudo depois terem aprovado todos os outros desde 2015. Podemos desconfiar, no entanto, que existia uma irresistível propensão para fugir do abraço do urso do PS e uma necessidade, nunca confessada, de, mais do que que conquistar eleitorado, retê-lo. Para quem sabe, quatro anos volvidos voltar a crescer, de novo, como partidos enquadradores do protesto. Acima de tudo isto, dos princípios e da mais pragmática tática política, ficamos sem saber o que estes partidos têm a dizer ao cidadão concreto, acabado de sair de uma crise sanitária de contornos que conhecemos e que vê congeladas medidas que, entradas em vigor, poderiam fazer a diferença no seu dia-a-dia.

Da direita, podemos dizer que tendo sido, provavelmente, o campo político que menos contribuí para esta crise. Não sendo sequer exigível que ao PSD, ou ao CDS, naquilo que seria um inesperado golpe de teatro, que viabilizassem um orçamento pensado e discutido à esquerda. Podemos dizer, no entanto, que a situação à direita protagoniza um conjunto de pecados que seriamente contribuem para a crise global do sistema e que negam a estes partidos a possibilidade de se apresentarem como uma séria alternativa de governo.

 A direita apresenta-se como uma alternativa de poder, sem ter verdadeiramente uma alternativa estratégia para o país. Parte para esta eleição indicando-se como alternativa, mas sem uma definição clara dos seus rostos de liderança. Quer liderar um país inteiro, mas parte dividida entre si, entre a direita democrática e a direita populista, e, ao que parece, profundamente dividida dentro do seio dos seus principais partidos.

Deste contexto, de perplexidade à esquerda e impreparação à direita, sem esquecer a ameaça real de crescimento exponencial de uma força de extrema-direita, racista e populista, talvez não seja afrontoso afirmar que o resultado que mais interessa ao país será uma robusta e clara vitória do PS nas eleições que se avizinham. E que só este resultado pode garantir ao país a estabilidade para enfrentar com confiança os desafios de uma nova recuperação económica e da nova oportunidade de convergência com a Europa representada pelo PRR.

Pedro Sousa.


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