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(C/Vídeo) Fenómeno”Squid Game”: associação de pais e psicóloga esclarecem que conteúdos devem ser explicados aos educandos

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São já vários os alertas e as chamadas de atenção por parte de escolas e até autoridades relativamente ao fenómeno Squid Game, série sul-coreana emitida na plataforma Netflix e uma eventual imitação da mesma por parte dos educandos em contexto escolar.

A série sul coreana, embora direcionada pare adultos, contabiliza já inúmeras visualizações entre os mais novos.

Na série, que remete para o universo dos jogos infantis, os concorrentes, um grupo de adultos endividados, são desafiados a superarem vários desafios, nomeadamente o jogo da corda, ou o macaquinho do chinês, entre outros, não podendo falar nenhum dos jogos retratados, sob pena de se falharem o objetivo de arrecadarem a avultada quantia em dinheiro, digamos, o prémio final, e, pior que isso, serem mortos.

Ao Novum Canal, Jorge Ascenção, Confederação Nacional das Associações de Pais, destacou que os pais e encarregados de educação devem estar atentos com a eventual imitação que os mais novos possam vir a transportar, de alguns dos jogos retratados na série, para os seus momentos de recreio, nos respetivos estabelecimentos escolares.

“Temos que estar obviamente atentos, os miúdos imitam tudo o que veem e seguramente que vão imitar. Estamos a falar de jogos da nossa infância, que não estavam associados a esta violência. Temos que estar sempre atentos àquilo que é o crescimento e o desenvolvimento dos nossos filhos. Não podemos é a andar a responsabilizar a escola à família e a família à escola. Se temos algum tipo de dúvida, ou necessidade de esclarecimentos devemos esclarecer estas situações. Eles sabem e têm a noção do que é o bem e o mal, mas temos de estar atentos a tudo isso. Podem divertir-se, mas respeitando os outros”, disse, recordando que isto faz parte do processo de crescimento e da aprendizagem.

“Agora é o Squid Game, mas recordo que há alguns tempos foi o jogo da Baleia Azul. Há muitos anos que falamos de estar atentos à segurança na internet. Por detrás de um computador pode estar muito maldade”, acrescentou, salientando que as escolas devem ter esta disponibilidade mental e física para acompanharem estas situações e eventuais episódios mais reprováveis em termos do que é a convivência social.

Jorge Ascenção manifestou, por outro lado, que o controlo parental poderá impedir o acesso à serie, mas urge explicar aos mais novos o que está em causa, dialogar e conversar para que percebam que existem conteúdos que não são para as suas idades. 

“Falamos de liberdade e democracia, mas temos de construir uma consciência em que cada um perceba o que está bem e mal e nas crianças temos de lhes incutir isso. Somos livres, mas os miúdos têm que perceber que há autoridade Podemos utilizar estratagemas, mas que as crianças não sintam que estão a ser coartados da liberdade. Fazer-lhes ver que este tipo de produtos não trazem nada de positivo”, expressou.

A psicologia Marina Ferreira Silva destacou que estas questões, à semelhança de jogos como a Baleia Azul e mesmo o Tik Tok, suscitam sempre a atenção dos educadores uma vez que os conteúdos poderão serem mais sugestivos suscitando alterações emocionais e até comportamentais nas crianças.

“Claro que não é uma resposta completamente gráfica e fechada, mas existem algumas indicações , porventura, deveremos ter em conta, nomeadamente até a própria estruturação da idade para a qual a série é aconselhada. Se existe o estabelecimento dessa mesma idade, isso é um indicador de quais os conteúdos que os mais jovens vão estar expostos. Todas estas dúvidas por parte dos pais, dos educadores e dos responsáveis parentais são justas e legítimas porque é difícil orientar os mais pequenos quanto a isso. Existindo o indicador da idade, julgo que por aqui conseguimos logo tomar algumas conclusões iniciais, desde logo, que os mais pequenos, se calhar, não devem estar expostos a estes tipos de conteúdos nomeadamente a série Squid Game, que expõe a violência explicitamente, torturas, partindo de jogos populares que todos conhecemos”, expressou.

Marina Ferreira Silva, referindo-se ainda aos mais novos e à exposição a este tipo de conteúdos, considerou que estes mentalmente não dispõem de uma estrutura psicológica da maturação e face àquilo que é a gestão emocional e psicológica das coisas para fazer uma distinção entre o real e o fictício.

“Quando não existe esta boa gestão, aqui sim, podem existirem algumas repercussões nos recreios, podendo existir uma maior propensão para a agressividade, para uma exposição mais intensa à emoção que é a raiva mesmo na gestão com os pares, nalguns conflitos e tudo o mais. Não quer dizer que isto seja uma correlação direta, mas não existindo capacidade de gestão, isto pode efetivamente acontecer”, frisou.

Marina Ferreira da Silva confirmou que a ausência de capacidade de gestão poderá potenciar o agudizar de alguns medos que são típicos da infância, nomeadamente o medo de morrer, de perder alguma pessoa ou eventualmente alterações do sono.

“As crianças mais pequenas não devem efetivamente serem expostas, pelo menos isoladamente, a estes conteúdos e aqui os pais têm que se assumir como uma entidade reguladora, fazendo aqui um controlo parental de acesso a estas plataformas”, admitiu.

Marina Ferreira destacou, por outro lado, que se estivermos a falar de idades entre os 12,13, 14 anos, a decisão não poderá simplesmente passar por proibir, até porque nestas idades a curiosidade fica bem mais aguçada.

“O fruto proibido é o mais apetecido e nestas idades irão ter acesso a estes conteúdos, mesmo que os pais venham a proibir. Aqui o acompanhamento será sempre o primordial até porque os  pais podem partilhar de uma forma humilde as suas preocupações e assim chegarão aos adolescentes. O diálogo e o acompanhamento é o que se aconselha para estas faixas etárias. A série até pode ser vista com os pais e este momento ser até um momento efetivo para a educação, para a não normalização da violência e para estruturarmos mentalmente que não é pela violência que poderemos chegar a algum lado”, disse, reconhecendo que poderá, também, estar em causa a banalização da violência.

“A série retrata matar por matar. Não é que ela não tenha uma mensagem por detrás, mas como este passar da mensagem é tão subtil quem é mais pequeno poderá não encaixá-lo de uma forma tão rápida. É verdade que não vivemos num país em que a exposição à violência seja tão acentuada como noutros países. Não acredito que as crianças possam pegar numa arma e passar a disparar para todo o lado e a matar pessoas, até porque culturalmente Portugal não é assim. Existe sempre uma exposição à violência e a possibilidade de normalizarmos um bocadinho mais a violência. Enquanto pais, responsáveis parentais, educadores existe sempre a oportunidade de educá-los e estrutura-los para o que é certo, o errado, para a não-violência e que existem coisas na ficção que não acontecem na realidade”, declarou.

Já Paulo Reis, professor no Agrupamento de Escolas Dr. Mário Fonseca, reconheceu que o conteúdo da série não lhe parece aconselhável, mas, também, não lhe parece particularmente perigoso.

“Estou até espantado com todo este alarido, tendo em conta que grande parte dos conteúdos disponíveis na plataforma Netflix, parecem-me bem piores e bem mais pesados em termos gráficos e de questões que são retratadas do que a série Squid Game”, avançou, recordando que esta série vem na onda e na sequência da onda fashion sul-coreana e asiática, em geral.

“Não é por acaso que o Gangnam Style se tornou um sucesso, não é por acaso que foi uma boys band sul-coreana que esteve no Dia Mundial da Paz à ONU, há uns dia”, disse, salientando, no entanto, não deter conhecimentos nem uma formação sólida que lhe permita reconhecer se a exposição estes tipo de produtos e conteúdos possa suscitar algum tipo de consequências em crianças em idade mais precoce.

“Até há uma semana atrás essa questão até nem se levantava, Vi a série, confesso, porque foi uma daquelas sugestões automáticas Netflix, e sei que a minha filha mais velha, de 15 anos, viu também, a série. Na altura, não fiquei particularmente preocupado e confesso até nem é das piores que lá tem.  Como professor e alguém que trabalha diretamente com a biblioteca, recebo alunos de todas as faixas etárias e aqui há dias, surgiu um grupo de alunos do 5.º ano de escolaridade. Quando me apercebi já estavam a ver versões brasileiras, não da série, mas adaptações que surgiram no youtube. Tendo em conta o mediatismo que esta situação assumiu e os riscos para que fomos alertados impedi-os de continuarem a ver”, adiantou.

Nesta questão, Paulo Reis considerou que a série é até pobre em termos de argumento e narrativos.

“Existem algumas séries que estão disponíveis na Netflix e até nem sequer estão catalogadas como perigosas. Ficaria preocupado se alguma das minhas filhas visse esse tipo de conteúdos. Quanto a esta série, sinceramente não me inspirou, assim, à partida, um receio em particular. A série é até pobre em termos de argumento e narrativa e muito fácil de perceber, não é preciso um esforço mental, é bastante gráfica e, se calhar, é por isso que fascina ou que prende. À partida não me parece particularmente perigosa, mas…”, acrescentou, contrariando a ideia de que possa existir uma imitação dos jogos abordados na série para o recreio das escolas e dos estabelecimentos de ensino.

“Os jogos que estão lá, não são propriamente os jogos que as nossas crianças se interessam. Se acontecer alguma coisa, provavelmente ficarei preocupado, mas não me parece uma série particularmente perigosa em comparação com outras que estão disponíveis na mesma plataforma”, reiterou.


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