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Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal afirma que cuidados da visão na diabetes estão subvalorizados

Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal afirma que cuidados da visão na diabetes estão subvalorizados

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No Dia Mundial da Visão, que se assinala esta quinta-feira, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) afirma que os cuidados da visão na diabetes estão subvalorizados e necessitam de uma atenção especial.

A associação destaca, em comunicado, a “importância da vigilância oftalmológica para as pessoas com diabetes e do acesso aos cuidados de oftalmologia”, deixando dois alertas; “ a urgência de retomar os rastreios da retinopatia diabética e os tratamentos necessários; por outro, a necessidade de detetar atempadamente os casos de baixa visão”.

“A retinopatia diabética é uma manifestação oftalmológica da diabetes e uma das principais causas de perda grave de visão a nível mundial sendo que a sua frequência depende dos anos de duração da diabetes. Após 20 anos de evolução, constatamos que 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e mais de 60% com tipo 2, sofrem de desta condição. O mau controlo metabólico (glicemia e pressão arterial) constitui também um fator de risco para o aparecimento da retinopatia”, refere o comunicado que foi endereçado pela APDP aos órgãos de comunicação social.

Citado em comunicado, José Manuel Boavida, presidente da APDP, realça que o “problema é que existem em Portugal um milhão de pessoas com diabetes e, a noção que temos, é que entre 10% a 15% destas pessoas não tinham acesso a programas de rastreio da retinopatia diabética no período que antecedeu a pandemia. Com a paralisação dos serviços nesta área, o número de pessoas com diabetes e sem acesso a uma vigilância oftalmológica regular será hoje, certamente, bem superior”.

Fotografia: APDP

 Também citado em comunicado, João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP, reforça a importância da identificação dos casos de baixa visão nas pessoas com diabetes.

 “Há atrasos na avaliação da baixa visão que podem ser colmatados caso os profissionais que acompanhem as pessoas com diabetes saibam como os identificar. Graças ao projeto que desenvolvemos em parceria com a Associação Promotora do Ensino dos Cegos e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, conseguimos organizar uma consulta de baixa visão na APDP que visa ajudar as pessoas com limitação visual a recuperar a sua autonomia e a melhorar a capacidade de controlo terapêutico. É, sem dúvida, um modelo que pode ser replicado nos cuidados primários”, explica.

“A APDP é a entidade que, ao longo da sua história, tem reunido experiência e conhecimento no rastreio e tratamento da retinopatia diabética. A sua área de intervenção abrange, atualmente, os concelhos da área geográfica de Lisboa e Vale do Tejo, através de um acordo com a ARS LVT, o que corresponde a um universo de mais de 30.000 portugueses. O diagnóstico precoce de uma das principais consequências da diabetes insere-se nas atividades de prevenção da APDP e pode ser realizado através de rastreios populacionais”, acrescenta a instituição que reforça que “com o objetivo de diminuir as consequências e prevenir danos na visão, a APDP tem como objetivo alcançar todas as regiões do país, diminuindo as assimetrias no acesso aos rastreios e diagnóstico. Como tal, a APDP reforça a sua disponibilidade para apoiar os programas de rastreio de retinopatia diabética a nível nacional”.

A associação concretiza, por outro lado, que “no âmbito da baixa visão e diabetes lançou dois guias informativos, um para profissionais de saúde e outro para pessoas com diabetes e baixa visão e seus cuidadores, com o patrocínio científico das Sociedades Portuguesas de Diabetologia e de Oftalmologia, que podem ser consultados no seu site: Educação Terapêutica das pessoas com diabetes e baixa visão e Guia prático para pessoas com diabetes e baixa visão e seus cuidadores”.


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