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Paredes: Criadas duas novas estruturas de apoio para vítimas de violência

Reportagem (c/vídeo): Paredes: Criadas duas novas estruturas de apoio para vítimas de violência

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Foi, esta quarta-feira, assinado o protocolo de colaboração para a criação do Serviço de Apoio e Informação à Vitima entre a Câmara de Paredes e a CESPU que prevê a criação de duas unidades autónomas, mas interligadas, uma na CESPU e outra na autarquia, que têm como objetivos dar resposta às vítimas de violência.

O protocolo esclarece que as duas unidades integram cinco técnicos especializados na resposta “ao flagelo da violência doméstica”, sendo que além das utentes do concelho de Paredes dará também resposta às vítimas de violência de outros municípios da região.

O serviço é gratuito e confidencial e dirige-se a qualquer vítima, sendo que o atendimento será disponibilizado através de atendimento presencial, mediante marcação prévia, ou por telefone ou por e-mail.

O presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, em declarações aos jornalistas, reconheceu que a criação este serviço é  mais um instrumento e um mecanismo que os atores e demais agentes, que trabalham diretamente com este fenómeno, passam a dispor para minimizar o flagelo da violência.

“Tudo o que possamos fazer para minimizar este flagelo social é  sempre pouco. Sabemos que por muito que se atue, este tipo de situações irão continuar a existir. Já atuávamos nesta área e agora o que estamos a tentar fazer é exponenciar aquilo que já fazíamos com mais meios e esta parceria com a CESPU vem dar mais capacidade de atuação”, disse, realçando que a pandemia acabou por agravar este situação, acentuando o fenómeno da violência.

“Verificamos que com a pandemia houve pessoas que perderam ou viram os seus rendimentos particularmente afetados e são estas situações acabam por potenciar estes fenómenos de violência doméstica  e outro tipo de violência”, expressou.

O chefe do executivo confirmou que estes dois espaços irão servir  e promover um apoio integrado junto das vítimas, sejam elas de Paredes ou eventualmente de outros territórios.

“Este tipo de fenómenos não podem ter fronteiras. Servirá para atender pessoas de Penafiel, Lousada ou eventualmente de Felgueiras que estejam a necessitar deste serviço e a CESPU, uma vez que tem uma área de abrangência que extravasa o concelho, dará também esse apoio”, acrescentou, sublinhando que tem existido uma articulação permanente entre os vários atores, quer a nível local, quer a nível central no sentido de exponenciar a atuação das medidas e minimizar estes flagelos.

O autarca avançou, ainda, que a tendência do flagelo da violência no município acompanha a tendência registada a nível nacional.

Madalena Oliveira, consultora da Câmara de Paredes na área da violência doméstica e docente da CESPU, manifestou que estas duas estruturas de atendimento à vítima pretendem assegurar o atendimento e acompanhamento das vítimas de violência doméstica, bem como das pessoas que procurem apoio e/ou informação neste âmbito.

“São estruturas que vão dar resposta a estas sete freguesias, não só aos munícipes, mas também à comunidade  escolar e a todos quantos necessitem deste serviço. Estamos a falar de estruturas que vão prestar apoio psicológico e social, a primeira alojada na CESPU e a segunda na Câmara de Paredes. São estruturas independentes, mas que se irão articular porque poderá haver a necessidade de se estreitar os vários serviços”, avançou.

“Queremos prestar apoio a todo o tipo de vítimas”, atalhou, confirmando que os horários poderão ser ajustados em fase da necessidade das vítimas.

Falando dos números existente no concelho,  Madalena Oliveira esclareceu queestes não fogem dos valores a nível nacional.

“Houve uma necessidade clara por parte do município que percebeu que era preciso dar uma resposta efetiva e os números existentes são muito idênticos aos do território nacional, ou seja, em média uma em cada três mulheres é vítima de violência e é fundamental criar sinergias e respostas de forma a minimizar este problema e dar uma efetiva proteção a estas vítimas”, manifestou.

Referindo-se à agudização deste flagelo no âmbito da crise sanitária, Madalena Oliveira realçou que foi feito um trabalho relevante por parte da Secretaria de Estado e da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

“Hoje sabemos que este fenómeno ocorre maioritariamente em casa, na esfera doméstica e, nesse sentido, este confinamento veio agudizar as situações. Toas as pessoas que estavam em casa e que se viram confinadas à sua residência, não tendo capacidade de pedir ajuda a terceiros, viram a sua situação agravar-se. Felizmente, a Secretária de Estado e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género criaram medidas extraordinárias para chegarem a todos e a todas, foi reforçado o tipo de apoios, e tanto o município como a CESPU estão de parabéns pelo facto de terem criado estas duas estruturas”, avançou, enaltecendo o trabalho da ação social com o Ministério Público e que vai ser consolidado com este trabalho que vai ser realizado pela CESPU.

A docente da CESPU esclareceu que já na sexta-feira inicia o funcionamento da estrutura alojada na CESPU e na segunda-feira irá arrancar o serviço que irá ficar instalado na câmara municipal.

“Estamos expectantes que isto funcione”, afirmou, garantindo que o serviço pretende abranger uma diversidade de vítimas, que não apenas as de violência doméstica.

“Queremos promover também as ações e atividades nas escolas para termos adultos mais saudáveis. Este é um trabalho que quer combater todas as formas de violência”, asseverou.

Madalena Oliveira concretizou, por outro lado, que há cada vez mais uma maior consciencialização deste flagelo, seja através da descentralização de ações, seja através das ações de capacitação dos próprios técnicos.

A vereadora da Ação Social da Câmara de Paredes, Beatriz Meireles, relevou, igualmente, a importância deste serviço.

“Trata-se de um serviço que irá permitir diligenciar os encaminhamentos necessários para outras estruturas da Rede e outras organizações locais, regionais ou nacionais para uma resposta mais célere e eficaz”, disse, sublinhando a importância do concelho passar a fazer parte da rede da própria Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

“É uma mais valia no combater a este flagelo que ficou exacerbado nesta altura de pandemia. Poderemos dar respostas mais integradas. O nosso serviço é de atendimento, mas aderindo a esta rede podemos articular com a saúde e as questões jurídicas”, avisou, relevando, também, o facto do município dispor de um canal aberto com o Ministério Público da Comarca do Porto Este.

“O município vai articular com a rede social e divulgar este serviço”, avançou, confirmando que com a pandemia verificou-se um aumento do número de casos de violência.

“Este aumento poderá, também, dever-se a este canal aberto criado com o Ministério Público e ao facto de desenvolvermos ações de sensibilização, o que faz com que as pessoas se sintam com mais confiança para virem ao nosso encontro”, referiu.

Este serviço tem, também, como metas “disponibilizar apoio às Instituições Concelhias na abordagem às situações de violência doméstica, assumindo-se como um recurso para os profissionais que, direta e indiretamente, intervêm nesta problemática e promover ações de informação e sensibilização junto da comunidade local”.

Pretende, também, “promover um apoio integrado junto das vítimas que considere as diferentes dimensões, designadamente em termos sociais, psicológicos, encaminhamento para apoio jurídico, apoio médico e outras respostas sociais e/ou formativas que se revelem pertinentes, sem descurar nunca a segurança das vítimas”.


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