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Centro Internacional das Artes José de Guimarães abre portas ao público esta sexta-feira
Fotografia: DR

Centro Internacional das Artes José de Guimarães abre portas ao público esta sexta-feira

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O Centro Internacional das Artes José de Guimarães abre as portas ao público esta sexta-feira, com novas exposições

Segundo A Oficina, cooperativa cultural vimaranense, o “ Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) dá início a um novo programa artístico do museu, intitulado Nas margens da ficção e com a curadoria geral de Marta Mestre, que será assinalado pela inauguração de oito exposições inéditas com intervenção de artistas de várias origens e novos diálogos com a coleção permanente do artista José de Guimarães”.

A Oficina realça que “com o título Nas margens da ficção, o novo programa artístico do Centro Internacional das Artes José de Guimarães sucede a Para além da história, programa que completou oito anos (2012-2020) e teve a autoria de Nuno Faria”.

“Nas margens da ficção debruça-se sobre o fazer ficcional da arte e remete para a polifonia e o emaranhado de vozes, muitas vezes contraditórias, que disputam o museu, caminhando para dar margem à ficção através de uma imaginação que se dirige para o real e o regenera. Reativando o contar e o narrar, o programa convoca formas de conhecimento esquecidas ou em desuso, especulações digitais, tradições orais, construções mitológicas, fábulas, especulações”, lê-se na nota à imprensa.  

Citada em comunicado, curadoria geral de Marta Mestre realça que “usar intensivamente a ficção no rearranjo entre nós e os outros e experimentar formas de existirmos juntos é uma forma de reescrever a gramática do museu, questionando os seus processos de seleção e exclusão. O museu é a máquina, a engrenagem, deste fazer ficcional e narrativo. Espaço tradicional da purificação dos discursos, mas também da fratura entre objetos, subjetividades e ideias, importa repensá-lo”.

Fotografia: DR

“Estas ideias serão exploradas ao longo dos próximos três anos através de ciclos de exposições e programas públicos compostos por visitas, conversas, debates, sessões de cinema e performances. Um programa em construção, aberto e plural, que aponta linhas de pesquisa suficientemente flexíveis, convocando a imagem de um coro de vozes. Não necessariamente afinado por uma métrica perfeita, mas polifónico. Convidando e encorajando diferentes modos de escuta”, avança A Oficina que sustenta que o “museu abre-se a uma permanente crítica e construção. O que narram hoje os artistas, que fabulações inventam? Como olham o passado? Que vozes animam eles com as suas ficções? O que nos contam sobre o fim do humano e o fim do mundo? Que narrativas e mitos nos propõem num mundo em que a proximidade e a distância se reconfiguram? Responder a estas perguntas é a experiência que guia este programa artístico, cujo título é um pedido de empréstimo ao ensaio homónimo do filósofo francês Jacques Rancière para quem “o real precisa de ser ficcionado para ser pensado”. 

A Oficina declara que “os programas artísticos nos quais o CIAJG estrutura a sua ação funcionam como uma lente de observação do mundo, numa relação intensa com a coleção permanente de José de Guimarães (n. 1939), que constitui um acervo que é fruto da sensibilidade do artista ao património popular, sagrado e arqueológico e do impulso subjetivo de reunir expressões sensíveis da arte, e  que aqui combina arte antiga chinesa, africana e pré-colombiana reunida ao longo de quatro décadas e um conjunto de obras autorais do próprio artista. Apostando no incentivo à criação artística, este primeiro ciclo de 2021 dialoga com o fazer ficcional da obra de José de Guimarães – artista especialmente conhecido pelo seu debruçar sobre estruturas mitológicas nacionais e universais que questionam as ideias de pureza e identidade – e apresenta exposições que ocupam a totalidade do edifício do CIAJG, constituídas de raiz e recriando novos diálogos com a coleção permanente do artista e colecionador vimaranense”. 

De acordo com a organização, “este ciclo programático é composto por projetos que dialogam com o CIAJG e o programa artístico Nas margens da ficção, dando vida às mostras Cosmic Tones (sala 4), com Francisca Carvalho a apresentar um conjunto de desenhos a pastel de índole visceral, musical e futurista; “Pasado” (salas 7 e 8), de Rodrigo Hernández, artista mexicano, com intervenção na coleção permanente ficcionando a ideia de “passado” através de objetos de diferentes épocas que colocam em questão conceções lineares da História, numa parceria com a Artworks; Quarto Blindado (sala 10), em que Fernão Cruz destrói e reconstrói memórias de infância por intermédio de uma instalação de grandes dimensões composta de figuras em papel maché e pinturas em tecido das ilustrações de F. D. Bedford para o livro “Peter and Wendy”; e Complexo Colosso (salas 12, 13 e cafetaria) que destaca o “Colosso de Pedralva”, um caso de arqueologia especulativa do norte de Portugal, com desdobramentos no imaginário português e galego, com a participação dos artistas Alisa Heil e André Sousa, Andreia Santana, Carla Filipe, Gareth Kennedy, Jorge Barbi, Jorge Satorre, Lola Lasurt, Nova Escultura Galega: Jorge Varela e Misha Bies Golas, Pedro G. Romero, Salgado Almeida e Taxio Ardanaz, tendo como “curador convidado” Ángel Calvo Ulloa”. 

Fotografia: DR

A Oficina confirma que “algumas exposições constituem-se também como remontagens porque dizem respeito ao trabalho artístico e curatorial a partir da coleção de José de Guimarães, ao exercício dos olhares, das ficções e das narrativas, nas quais se incluem as mostras Mistérios do fogo (sala 2), uma exposição coletiva que apresenta, pela primeira vez no museu, um conjunto assinalável de cinquenta esculturas africanas sobre o tema da “maternidade” pertencentes à coleção de José de Guimarães, adquiridas a partir dos anos 80, na Europa, onde, à sua volta, questionando-as e abrigando-as, estarão trabalhos de outros artistas, como os desenhos florais de Maria Amélia Coutinho, mãe de José de Guimarães, as histórias de emancipação das mulheres negras, no filme “Kbela” (2015), da cineasta brasileira Yasmin Thayná e, finalmente, o projeto “All My Independent Women”, de Carla Cruz, refeito nesta sala, que incorporará novos capítulos, neste caso, pedaços da história das mulheres de Guimarães; Sala das Máscaras convida… Sarah Maldoror (sala 3), artista que apresenta numa das salas mais emblemáticas do CIAJG uma ideia de “cinema crítico” em diálogo com a coleção de máscaras africanas, tendo sido uma pioneira do cinema nos países africanos e cujo trajeto se cruzou com a poesia e o cinema francês do movimento da negritude; a exposição Signos Sinais (salas 5 e 6) que é um breve capítulo da longa narrativa sobre o signo realizada por José de Guimarães e que o CIAJG assume como linha de pesquisa continuada em que o número, a letra, a palavra, a grafia, a onomatopeia e a frase são elementos de uma crítica ao signo na obra deste artista, numa permanente desconstrução e reconstrução de um léxico; e Mitos… Non…Avesso (salas 9 e 11), uma pesquisa poética e crítica a partir do mito de D. Sebastião com a participação de trabalhos de Anna Franceschini, Horácio Frutuoso, José de Guimarães, Kiluanji Kia Henda e Manoel de Oliveira”. 

“Este novo ciclo de exposições, que abre portas ao público a partir de 16 de abril, ficará patente no museu até 5 setembro. E já este domingo, 18 de abril, pelas 11h00, o serviço de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina leva a cabo uma Visita Orientada a este Novo Ciclo de Exposições para dar a conhecer um pouco melhor o novo programa artístico do CIAJG. Com inscrição prévia através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt ou do tel. 253424716, o custo de participação nesta visita é de 2 euros e tem a lotação máxima de 7 pessoas maiores de 6 anos de idade. A informação completa alusiva a estas novas propostas pode ser consultada online em www.ciajg.pt”, acrescenta a nota à comunicação social.


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