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Uma creche em Abragão

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Permito-me começar com um tema particularmente pertinente e que emerge em função de uma excelente notícia para a minha terra natal, Abragão, e para toda a região: o Governo, através do PARES 2.0 (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais) da Segurança Social, cofinanciará a criação de uma creche pelo Centro Social e Cultural. Estamos a falar de um investimento público de cerca de 180.600,00 € que permitirá resolver um problema estrutural no progresso local e, sobretudo, criar bases que possibilitam uma melhoria inquestionável na educação das nossas crianças e, consequentemente, no seu desenvolvimento físico, intelectual e afetivo. Aliás, a infância é a etapa fundamental da vida, sendo os primeiros 3 anos de vida particularmente importantes nestas três dimensões.

Tenho, desde meados do ano passado, desenvolvido um trabalho de pesquisa e criação de um projeto que há de dar frutos em 2022 e cujo cerne são, precisamente, as crianças. Neste sentido é, obviamente, com particular agrado que vejo o poder central solucionar um problema que é bem mais que apenas este problema por si só. Ao criar-se esta infraestrutura resolver-se-ão, por consequência, todas as questões que lhe estão inerentes, a começar pela disponibilidade para o trabalho de mães e pais que, por enquanto, têm de tomar conta dos seus filhos. Será, de facto, algo determinante do bem-estar e da melhoria das condições de vida das crianças e das famílias.

Importa agora o enfoque num outro aspeto não menos importante, a qualidade do espaço a criar. De facto, ao longo das últimas décadas, as creches deixaram de ter um carácter meramente assistencial, para assumir um papel mais amplo no serviço à família e na resposta educativa/cuidadora que prestam. Nesse sentido, é imperativo que os espaços novos e/ou a requalificar sejam desenhados estimulando a aprendizagem e a educação infantil de forma harmoniosa e completa (a arquitetura como potenciadora de ambientes que favoreçam o processo de ensino-aprendizagem).

Ainda que o programa PARES 2.0 permitisse a construção de raiz, em Abragão, ao que julgo saber, a sua instalação far-se-á pela adaptação das atuais instalações da Casa do Povo e da Associação Social e Cultural Bombos da Eira, outrora Escola Básica de Miragaia.

[Faço, a este propósito, um breve parêntesis, para manifestar a minha preocupação para com estas duas associações e o facto de virem a ficar sem “casa” numa altura em que desenvolviam planos para a recuperação do edifício. Pelo dinamismo e pela pujança associativa característica da Vila de Abragão, entendo ser fundamental que a(s) instituição(ões) que decidiu(ram) a sua alocação a creche, tenham salvaguardado esta situação não as deixando ao abandono.]

Trata-se, inquestionavelmente, de um edifício que – com as preocupações necessárias – terá capacidade para responder, formal e funcionalmente, às exigências atuais de uma creche, em que cuidar, educar e brincar são conceitos indissociáveis. Curiosamente, estes edifícios formalmente simples mas elegantes (conforme as premissas do Plano dos Centenários e característicos do estilo Português Suave), são das pouquíssimas coisas boas que permanecem desde os tempos austeros do Estado Novo.

O olhar cirúrgico do poder central para, em articulação com as associações locais, potenciar mais qualidade de vida é fundamental ao desenvolvimento das comunidades, permitindo-nos – longe dos grandes centros urbanos – aceder de forma mais equitativa a bens e serviços que devem estar próximos de todos. É, pois, com regozijo que vejo Abragão “ganhar” um equipamento que prioriza o nosso maior bem, as crianças, garantindo-lhes direitos fundamentais como a alimentação, a higiene, o descanso e o lazer. Agora é fazer bem.

Artigo de Opinião: Mateus Oliveira


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