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Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso fez 100 anos. Nova creche e centro de atividades para pessoas com deficiência são prioridades
Fotografia: Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso

Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso fez 100 anos. Nova creche e centro de atividades para pessoas com deficiência são prioridades

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A Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso (OSCSC), instituição particular de solidariedade social que tem como propósitos “ apoiar crianças e jovens,  a reeducação e integração socioprofissional de pessoas com deficiência, o apoio à primeira e segunda infância, na formação profissional”, completou, em março, um século de existência.

O presidente da direção da Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso, António Lencastre,  assumiu, em declarações ao Novum Canal, ser um orgulho fazer parte deste projeto, recordando que OSCSC é atualmente uma instituição referência que soube reinventar-se e adaptar-se às dificuldades que tem enfrentado ao longo dos tempos.

“Considero, antes de mais, um orgulho estar à frente de uma instituição que, ao longo destes cem anos, soube se reinventar e conseguir sobreviver até hoje com tanto vigor. Isto deve-se, em especial, ao carinho, dedicação e determinação de todos os que por ela passaram antes de nós e, nessa perspetiva, é uma obrigação estar à altura dos desafios que são o futuro da OSCSC, para isso temos o belíssimo apoio de uma equipa de colaboradores motivada e profissionalizada que tem toda a competência para conseguir vencer e ter muito sucesso. Por outro lado, não esquecendo as minhas raízes e o fato de ser sobrinho neto da Dona Sílvia, é com particular alegria e fé que “A ajudo” a traçar os destinos da sua obra”, disse.

O responsável  pela  OSCSC assumiu que a par das dificuldades inerentes à crise sanitária, a sustentabilidade financeira são também desafios constantes, numa fase em que está a efetuar um forte investimento nas suas infraestruturas.

“A Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso enfrenta as mesmas dificuldades de outras IPSS, a necessidade de se adaptar aos constrangimentos provocados pela pandemia conjugada com a necessidade de manter a sua sustentabilidade económica, num período que se encontra a efetuar um forte investimento nas suas infraestruturas”, referiu

Questionado sobre as valências que alberga assim como o número de utentes por valência,  o presidente da instituição destacou que  a obra social detém acordos de cooperação com o Estado, para a prestação de serviços em diversas respostas sociais em vários domínios.

“Numa lógica de intervenção e resposta transversal à população com deficiência a Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso, detém acordos de cooperação com o Estado, para a prestação de serviços em diversas respostas sociais que se destinam a apoiar crianças, jovens e população adulta com deficiências e/ ou incapacidades, abrangendo todas as faixas etárias”, frisou.

Falando das valências,  António Lencastre declarou que a instituição integra uma Equipa Local de Intervenção Precoce, direcionada para crianças dos 0 aos 6 ano, a funcionar desde 2016, que presta  “apoio a crianças com deficiência até aos 6 anos através do Sistema Nacional de Intervenção Precoce, dinamizado pelas Equipas Locais de Intervenção Precoce (acordo celebrado com o Centro Distrital da Segurança Social do Porto) a 120 utentes dos concelhos de Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras”.

A par desta valência, o responsável pela Obra Social precisou que a instituição dispõe de um Centro de Recursos para a Inclusão, a funcionar desde 2008, destinado para utentes dos 6 até aos 18 anos que presta  “apoio técnico individualizado ao nível da Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, Apoio Psicológico e desenvolvimento dos Planos Individuais de Transição para a Vida Ativa, a um número médio de 80 crianças e jovens com necessidade de mobilização de medidas adicionais de apoio à aprendizagem que se encontrem a estudar e sejam sinalizados pelas escolas dos quatro agrupamentos escolares do concelho ( Freamunde, Frazão, Paços de Ferreira e Eiriz) e da Escola Secundária de Paços de Ferreira, no âmbito de protocolo de colaboração celebrado com a DGESTE”.

A partir dos 16 anos, a IPSS tem a funcionar, desde 2004, um Centro de Atividades Ocupacionais  que presta “apoio a jovens e adultos com deficiência grave e profunda no âmbito do acordo celebrado com o Centro Distrital da Segurança Social do Porto para utentes provenientes dos concelhos de Paços de Ferreira, Lousada e Paredes”.

A instituição é considerada entidade formadora certificada pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) desde 2008, tendo obtido através da DGERT a acreditação como entidade formadora e mais tarde sido “certificada para desenvolver programas de formação profissional em “Materiais (indústria da madeira, cortiça, papel, plástico, vidro e outros); Floricultura e jardinagem; Serviços de apoio a crianças e jovens; Trabalho social e orientação; Hotelaria e Restauração e Produção agrícola e animal”.

Fotografia: Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso

“Para o desenvolvimento destas ações a OSCSC efetuou e recebeu a aprovação de diversas candidaturas a programa nacionais e comunitários, para desenvolver programas de formação profissional financiada (POPH e POISE) com vista à qualificação e à inclusão social e profissional de pessoas com deficiência que têm dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, atuando como parceiro estratégico para os empregadores, famílias e outros atores sociais”, referiu António Lencastre que sustentou que a Obra Social já desenvolveu os seguintes percursos formativos e cursos em áreas como “Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade; Operador/a agrícola; Cozinheiro/a; Agente em Geriatria; Carpinteiro/a de Limpos; Operador de Jardinagem; Estofador/a e Serviços Gerais”.

O responsável pela Obra Social realçou que para além da realização de ações de formação para a inclusão de pessoas com deficiência, a OSCSC desenvolve também “Formações Modulares Certificadas, contando já com um volume de formação ministrada superior a 30 000 horas”.

Para além das respostas sociais indicadas, a instituição “desenvolve através de acordos de cooperação com Centro Regional de Segurança Social do Porto e o Ministério da Educação, respostas de apoio à infância nomeadamente: creche para 34 crianças dos 0 aos 3 anos; ensino pré-escolar para 75 crianças dos 3 aos 6 anos e Centro de Atividades de Tempos Livres de Conciliação Familiar para 50 crianças a partir dos 6 anos de idade”.

Quanto aos efeitos que a crise pandémica teve na atividade da IPSS, António Lencastre confirmou que a Obra Social teve que “remodelar os seus procedimentos internos, reforçar recursos humanos e adquirir formação e equipamentos para o combate à propagação da covid19”

 “A OSCSC teve de remodelar os seus procedimentos internos, reforçar recursos humanos e adquirir formação e equipamentos para o combate à propagação da covid19. Um dos aspetos mais difíceis de gerir, no primeiro momento de retoma das atividades presenciais, foi a ansiedade sentida por todos os colaboradores, que ainda com poucas informações tiveram de abrir as portas e receber as crianças com novos procedimentos e muitas limitações”, afirmou., sustentando que financeiramente também foi um desafio.

“Pois apesar dos apoios do estado, as regras de contratação pública a que a IPSS está obrigada a cumprir, não se coadunam com as necessidades excecionais e urgentes que se vão sentindo, nem com a variação constante de gastos, que são difíceis de prever. Se por um lado, numa fase em que Paços de Ferreira viu disparar o número de casos, gastamos mais mascaras e produtos de desinfeção, mais tarde, sem pré-aviso, somos forçados a fechar portas. Do ponto de vista da prestação de serviços, sentimos uma redução da procura de novos utentes, no ano de 2020, mas neste momento, voltamos a ter uma procura superior à oferta, nas respostas sociais de creche e ensino pré-escolar”, manifestou, relembrando que a instituição “à semelhança da sociedade teve necessidade de adotar novas formas de trabalhar, nomeadamente à distância e também recorrer aos apoios sociais do estado para o reforço de recursos humanos e aquisição de bens de proteção individual”.

“Também tivemos a necessidade de alugar um autocarro para transportar as crianças do CATL, já que a redução da lotação máxima em veículos de transporte de passageiros, inviabilizou a possibilidade de usarmos apenas as viaturas que já tínhamos. Valeu o apoio dos encarregados de educação e do Centro Escolar de Paços de Ferreira”, asseverou, admitindo que “há ainda muito por fazer reeducação e integração socioprofissional de pessoas com deficiência. O que a crise sanitária veio expor foram as diversas fragilidades e disparidades que já existiam, no acompanhamento de pessoas com deficiência, nomeadamente as necessidades de mais apoio às famílias, seja através de mais recursos, seja através da criação de mais oportunidades de integração no mercado de trabalho de pessoas com deficiência”.

Sobre os projetos que gostava de ver concretizados a curto/médio prazo, António Lencastre, confirmou que a curto prazo tem como objetivo concluir as obras do centro de atividades para pessoas com deficiência financiada pelo programa do NORTE 2020.

“A médio prazo esperamos contratualizar com a Segurança Social, através do Programa PARES 2.0 a construção de uma nova creche para 42 crianças”, confessou, reconhecendo que a Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso é hoje um projeto acarinhado pela comunidade local.

“Julgo que podemos dizer que a OSCSC sempre foi um projeto acarinhado pela comunidade local. Esse reconhecimento é visível ao longo dos anos, não só pela elevada procura, mas também pelas fortes parcerias de longa data”, garantiu, relembrando, por outro lado, que Câmara de Paços de Ferreira tem sido um dos principais parceiros da OSCSC.

“A Câmara Municipal de Paços de Ferreira é um dos principais parceiros da OSCSC, quer ao nível de apoios, que nos têm atribuído ao longo dos anos, quer ao nível das parcerias de trabalho, na promoção de projetos de desenvolvimento social e de acolhimento de estágios para os nossos formandos da qualificação para pessoas com deficiência. De uma forma geral não nos podemos queixar de falta de apoio das autarquias locais que, a todos os níveis, sempre têm tratado a OSCSC com todo o carinho”, atalhou.


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