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Padre de Rebordosa assume que Igreja também teve de se reinventar e que depende de cada um combate à pandemia

Reportagem: Padre de Rebordosa assume que Igreja também teve de se reinventar e que depende de cada um combate à pandemia

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A Páscoa é uma das celebrações  mais importantes para a comunidade de cristãos e para o cristianismo. Ela assinala a morte, a crucificação e ressurreição de Jesus Cristo, mas é encarada  também como o início ou reinício, de um tempo novo, de uma vida nova revestida de esperança.

Numa altura em que o país continua a ser assolado por uma crise pandémica, o Novum  Canal esteve à conversa com o pároco Padre Ilídio Santos, pároco de São Miguel de Rebordosa e Santa Marinha de Astromil, paróquias de Paredes, que nos falou da importância da Páscoa e de que forma como a Igreja também teve de se adaptar e reinventar para fazer face ao surto pandémico que continua a afetar Portugal.

O pároco confessou que do transato para este ano houve transformações  significativas ao nível das restrições que foram definidas no âmbito do Estado de Emergência, com regras mais apertadas em 2020 e mais alargadas em 2021, embora com as limitações que continuam a ser obrigatórias.

“Este ano e apesar de continuarmos em Estado de Emergência, as restrições são menores. No ano transato, recordo-me que não podíamos celebrar com o público, apenas com as pessoas necessárias para assistir à liturgia. Este ano, houve uma alteração, já conseguimos fazer as coisas de forma diferente, de forma mais alargada e com a alegria do povo de Deus. Existimos enquanto padres para estar com o povo de Deus”, disse, reconhecendo que com as limitações resultantes do quadro epidemiológico que o país teve de enfrentar em 2020 e continuar a fazer face este ano, também a Igreja e os cristãos tiveram de se reinventar.

“Quando iniciou a pandemia também tivemos que nos reinventar. Tive necessidade de recorrer às tecnologia, neste caso, ao facebook, para que, de alguma forma, fosse alimentando as pessoas neste tempo  tão forte e tão especial para a vida da Igreja que é a Quaresma e a Páscoa.  As pessoas podem encontrar nos meios digitais muito alimento para a sua vida espiritual e para a celebração destes mistérios: a paixão, a morte e ressurreição de Jesus”, avançou, destacando que a reinvenção que também a Igreja acabou por operar foi transversal  à comunidade e a muitos setores de atividade.

“Não foi apenas a Igreja que teve de se reinventar, até o comércio teve de assumir isso para si, senão  estagnamos e a vida não é feita dessa forma. É um caminhar contínuo, queiramos ou não, com altos e baixos”

“Não foi apenas a Igreja que teve de se reinventar, até o comércio teve de assumir isso para si, senão  estagnamos e a vida não é feita dessa forma. É um caminhar contínuo, queiramos ou não, com altos e baixos. Sei que muita gente usa esses meios para estar próxima da Igreja ou da comunidade e isso vai-se vendo nos acompanhamentos que vamos tendo. Não são grandes aglomerados, mas o importante é que seja uma oração feita com dignidade e que as pessoas do outro lado da câmara estejam em sintonia connosco. Se estiverem com devoção certamente aproveitam essas oportunidades. Às vezes ligamos muito aos números e temos tendência para ver as visualizações. Aquilo é fictício. Verdadeiro é o que acontece no momento”, concretizou, recordando: “está proposto que as gravações sejam em direto, não sejam gravadas para que a pessoa participe plenamente naquela celebração ” e que a  Páscoa é a festa central para os cristãos.

“Sem Páscoa não existe cristianismo, nós nascemos da Páscoa do Senhor, ou seja, da sua Paixão, Morte e Ressurreição. Daí deriva toda a vida da Igreja e de sermos cristãos e é fundamental que a vivamos na medida em que nos é permitido”, referiu.

Falando das cerimónias e das atividades que estão associadas a este tempo, Ilídio Santos destacou que na quinta-feira celebrou a Ceia do Senhor, na sexta-feira a celebração da Paixão do Senhor e este sábado realiza a Vigília Pascal. Basicamente fazemos tudo igual, mas sem manifestações públicas. Por exemplo, na sexta -feira, na adoração da cruz, geralmente fazíamos uma pequena procissão, cada pessoa do seu lugar, como se fosse para a comunhão, ia adorar a cruz. Este ano, isso não aconteceu. Foi proposta que cada pessoa faça essa adoração a partir do seu lugar, por forma a não haver cruzamentos, movimentações que podem gerar algum conflito, apesar de que as pessoas dentro das nossas igrejas estão em segurança”, expressou, sustentando que todas as regras e normas são minuciosamente cumpridas, sendo que as pessoas desinfetam as mãos à entrada do templo, quando vão à comunhão e mantêm o distanciamento físico.

No que toca à via sacra, o padre Ilídio Santos declarou que este é a primeira que a faz com o povo, sendo que todas as anteriores foram digitalmente.

“É importante e significativo que as pessoas possam celebrar comigo a via sacra”, atalhou, sublinhando, por outro lado, que atividades que faziam parte desta quadra, nomeadamente a visita pascal ou compasso, estão proibidos.

“Inicialmente ponderamos fazer a cruz circular pelas ruas da paróquia, mas o comunicado dos senhores bispos é para que não exista nenhum tipo de manifestação pública para evitar concentração de algum agregado familiar, que são os grandes perigos que existem, juntar famílias que não convivem na mesma casa. Vamos ter a igreja aberta a partir da missa da manhã com as cruzes decoradas como se fossem para sair de casa em casa e as pessoas vão ser convidadas durante o dia a passarem pela Igreja até à missa ao final do dia. Acho que é uma oportunidade. Na Quaresma fizemos a oração do Santíssimo depois da missa e via-se a sede e a fome das pessoas irem à missa, de aparecerem, de viverem aquele momento com a intimidade do Senhor. Era um momento que não era público, eram uma oração pessoal, as pessoas chegavam cumpriam com a sua oração e iam à sua vida”, acrescentou.

Questionado se considera que existem condições para as pessoas voltarem a retomar as suas vidas, sem as restrições em curso a que presentemente estamos sujeitos e mesmo com a vacinação que está em curso, o pároco foi perentório na sua resposta: “Acho que isso vai demorar muito. Somos feito de rotinas, hábitos e quando os perdemos custa sempre voltá-los a tê-los. Isto vai ser um trabalho árduo daqui para a frente, para que as pessoas voltem. Não acho que seja por medo. Sinto que se desabituaram. Já não há aquela força de vontade para estar. Por isso, acho que tão cedo não voltaremos a ter aquelas grandes assembleias porque as regras vão continuar por muito tempo”, concretizou, precisando que não existem igrejas efetivamente grandes.

As pessoas não perderam a sua fé e este tempo é um tempo de renovação, de planificação da nossa fé. Deus atua, mas no tempo dele e acho que as pessoas não perderam a fé nem o amor a Deus. Têm é outra forma de celebrar”

Interpelado se as restrições afastaram os cristãos da Igreja ou se, pelo contrário, fortaleceram essa relação com Deus, o padre Ilídio Santos confirmou que as pessoas vivem na mesma a sua fé.

“As pessoas não perderam a sua fé e este tempo é um tempo de renovação, de planificação da nossa fé. Deus atua, mas no tempo dele e acho que as pessoas não perderam a fé nem o amor a Deus. Têm é outra forma de celebrar”, acrescentou, relembrando, no entanto, que o digital não substitui o presencial.

Ilídio Santos deixou um repto para que possamos continuar, com resiliência e determinação, a cumprir com as diretrizes das autoridades de saúde, com o objetivo de conseguirmos superar a situação em que vivemos, recomendando prudência e a observância das regras.

“Para além de uma Santa Páscoa, sejamos responsáveis, isto só depende de nós, este combate à pandemia. Se formos responsáveis, se cumprirmos a nossa parte, juntos vencermos, caso contrário, andaremos nestes avanços e recuos, com o número de casos a avançar, a recuar. Tenho muita esperança neste desconfinamento. Acho que as coisas estão mais ponderadas, mas controladas, não vamos desconfinar como da outra vez e isso pode ser salutar neste combate da pandemia. E a Páscoa só será verdadeiramente Páscoa se estivermos felizes, realizados pessoalmente e com a pandemia não podemos estar com a família, os amigos, não podemos dar um abraço, um beijo, um carinho, e isso faz-nos infelizes. Só vamos ser felizes quando voltarmos a ter esses gestos. O cristão não é triste porque se sabe amado por Deus, mas salvo por Deus. Tem em perspetiva um horizonte da vida que o mundo não pode oferecer, só Deus é que o oferece. É Jesus Cristo”, concretizou.

Ilídio Santos também já foi pároco em Cabeça Santa, Boelhe, Peroselo e Luzim, em Penafiel.


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