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Autora pacense vencedora do concurso lusófono da Trofa 2019 assume que literatura infantojuvenil é o seu género preferido

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Fotografia: Vitória Alves

A jovem pacense, Vitória Alves, autora do “O Mistério da Meia Desaparecida”, obra vencedora do concurso lusófono da Trofa 2019 Prémio Matilde Rosa Araújo, assume que a literatura infantojuvenil é o seu género literário predileto e, nesse sentido, tem estado focada na divulgação do seu mais recente conto.

Ao Novum Canal, a jovem escritora revela que “O Mistério da Meia Desaparecida”, “para além de ser um conto infantil engraçado que brinca com as palavras é uma história que procura valorizar a tolerância perante a diferença e incentivar a uma maior compreensão e aceitação das especificidades de cada um. É uma história onde o amor e perseverança vencem qualquer preconceito”.  

A autora pacense declara que a obra foi ilustrada por Sofia Santos e publicado pela editora que apoia o concurso – Editora Tcharan.

Falando desta obra, que tem estado a promover, Vitória Alves admite que escreveu o livro apenas com o propósito de participar no concurso, evento literário conhecido a nível nacional, constituindo, este evento literário, uma oportunidade para jovens autores.

Fotografia: Vitória Alves

“Escrevi esta obra, exclusivamente, para participar no concurso literário da Trofa- Prémio Matilde Rosa Araújo. Para além de homenagear umas das maiores escritoras portuguesas de literatura para a infância, é um concurso literário de renome nacional e, como tal, é uma oportunidade única para os novos escritores (como é o meu caso) poderem ver os seus trabalhos reconhecidos, conseguirem um lugar na rede editorial e terem as suas obras publicadas e vendidas ao público”, expressa, sublinhando que a ideia subjacente a esta obra surgiu de uma experiência real, do quotidiano.

“A ideia principal surgiu de uma situação que me acontecia, todas as semanas, depois de colocar a roupa para lavar. No final de cada lavagem havia sempre uma meia que perdia o seu par. Achei que seria muito engraçado criar uma narrativa que contasse a aventura de uma meia na procura da sua meia gémea ao mesmo tempo que se brincava com a palavra “meia” e com os seus diferentes significados”, disse, sustentando que temas como o do preconceito e da tolerância perante a diferença são questões que lhe dizem muito e que procurou abordar neste trabalho.

“É uma temática à qual sou particularmente sensível e que procuro ver refletida nas minhas obras. “O mistério da meia desaparecida” para além de ser um conto infantil engraçado que brinca com as palavras e joga com aliterações e assonâncias é uma história que procura valorizar a tolerância perante a diferença e incentivar a uma maior compreensão e aceitação das especificidades de cada um. Procura, também, transmitir aos mais novos que estas mesmas diferenças não podem ser usadas como forma menosprezo e discriminação só porque esta Meia se afasta da dita norma. É uma história onde o amor e persistência vencem qualquer preconceito”, frisa, referindo que estes temas, partindo de situações do dia-a-dia, permitem-lhe transmitir, aos mais novos, “valores sociais, éticos e morais”.

Fotografia: Vitória Alves

“Criar contextos e personagens que reflitam temáticas e problemas quotidianos como o preconceito e a discriminação permite-me transmitir aos mais novos, valores sociais, éticos e morais tão importantes para o desenvolvimento de seres mais tolerantes e pensantes”, acrescenta.

A jovem pacense confirma que sempre foi apaixonada pela escrita e em especial pela leitura.

“Sempre fui apaixonada pela escrita e, principalmente, pela leitura. Ao longo da minha vida, sempre fui muito estimulada e incentivada, quer por parte da minha mãe quer por parte de vários professores que me acompanharam durante o meu percurso escolar, a escrever, a melhorar a minha escrita, a ler mais e a não desistir de tentar compor os meus próprios contos e narrativas. Foram essas boas influências e a inserção de hábitos diários de leitura que me fizeram querer ser escritora e chegar aos mais novos através das palavras”, precisa, reiterando o gosto pela literatura infantojuvenil.

“Neste momento, a literatura infantojuvenil é o género literário que mais me motiva e que mais me preenche enquanto escritora”, confessa, reforçando que escrever para gente mais nova, lhe d+a “mais possibilidades de comunicar as coisas que me parecem mais importantes de uma maneira, aparentemente, mais simples”.

Vitória Alves assume ser ainda uma estreante no universo da escrita.

“Sou uma estreante no mundo da escrita, este é o meu primeiro livro. Apesar de já ter mais três livros escritos e me encontrar a terminar o quarto só publiquei “o Mistério da Meia desaparecida”, confirma.

Apesar da sua preferência pelas temáticas infantojuvenis, a escritora não excluiu a possibilidade de se aventurar-se por outro género literário.

“Não digo, contudo, que não me possa aventurar, um dia, na escrita para adultos”, adianta, sublinhando que gostava de publicar uma das obras que escreveu, entretanto, até ao final do ano.

“Espero poder publicar uma das outras obras que escrevi até ao final do ano. Neste momento, estou focada na promoção desta obra em específico”, afirma.

Questionada sobre os impactos que a crise sanitária tem tido no mercado do livro e entre os escritores, Vitória Alves recorda que o “cancelamento de eventos, as práticas culturais suspensas, instituições culturais fechadas” impossibilita os autores de divulgarem o seu trabalho.

“A crise sanitária atingiu-nos a todos de forma mais ou menos acentuada mas os que vivem da e para a cultura foram os que mais sentiram as restrições do estado de emergência sendo obrigados a suspender a sua atividade de forma total. O cancelamento de eventos, as práticas culturais suspensas, instituições culturais fechadas impossibilita os artistas, autores e escritores, que se veem de mãos atadas face ao confinamento social,  de difundirem a sua arte e promoverem os seus trabalhos.  Seja a nível social, económico ou político, a realidade é que este setor é essencial para a saúde emocional e psicológica das pessoas e para as ajudar a tolerar e enfrentar as dificuldades desta pandemia”, confessa.

Fotografia: Vitória Alves

Com a crise sanitária, a jovem escritora relembra que foram muitos os autores e escritores que tiveram de se reinventarem.

“Sem dúvida, que foi necessária, por parte de todos os que vivem das diferentes artes, de se reinventarem e procurarem soluções para divulgarem o seu trabalho e poderem continuar a criar e a trabalhar”, reforçando que esse foi também o seu caso.

“Sim, foi também o meu caso. Este contacto foi mantido através da criação de conteúdos digitais e da divulgação dos mesmos usando as múltiplas plataformas e redes sociais que estão ao nosso dispor e que nos permitem chegar aos leitores sem sairmos da segurança das nossas casas”, assevera, mostrando-se convicta que com o desconfinamento a cultura, as artes e outras formas de manifestação cultural voltem a fazer parte da vida das pessoas.

“Sim, o desconfinamento poderá permitir que as artes possam continuar a fazer parte da vida das pessoas. Existe público, só é necessário que esse possa exercer o seu direito de frequentar espetáculos, visitar museus, feiras do livro, bibliotecas, teatros entre tantos outros espaços culturais e artísticos”, afirma.

Vitória Alves preconiza, ainda, que é fundamental continuar a incrementar hábitos de leitura e fomentar o seu gosto entre os mais novos.

“A maior dificuldade, neste momento é a falta de estimulação do gosto pela leitura e a escassa existência de eventos, programas e espaços que permitam que isto possa acontecer. Infelizmente, muitas crianças e jovens nunca foram estimulados a ler mais e veem os seus passatempos ocupados com meios tecnológicos e não com livros. A escola tem um papel importante no fomento do gosto pela leitura mas é também em casa que este trabalho deve ser feito. Incentivar os filhos, netos ou sobrinhos a criarem hábitos de leitura vai permitir às crianças desenvolverem a sua imaginação, criatividade, bem como lhes vai permitir aumento o seu campo vocabular, a aquisição de conhecimentos importantes e desenvolvimento do seu sentido crítico”, avisa, recordando que em “Portugal, ainda se dá pouco ênfase a obras de autores portugueses”.

“Penso também que, em Portugal, ainda se dá pouco ênfase a obras de autores portugueses sendo a grande maioria das obras analisadas ou incluídas no plano nacional de leitura, traduções de obras estrangeiras. A literatura portuguesa está de boa saúde e recomenda-se e, não tenho dúvidas, que Portugal é um país de talentosos criadores”, defende.


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