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Presidente do CHTS admite que hospital sofreu um tsunami, mas está preparado para continuar a servir comunidade

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O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), Carlos Alberto, admitiu, esta sexta-feira, no programa Data Vénia, moderado por Paulo Ferrinho, e emitido no Novum Canal, que o centro hospitalar viveu um verdadeiro tsunami, mas conseguiu ultrapassar a difícil situação que teve de enfrentar, rejeitando ter existido falta de preparação aquando da segunda vaga.

“O CHTS sofreu aquilo que ninguém sofreu. Nós sofremos um verdadeiro tsunami. Estamos a falar de coisas incontroláveis, de uma dimensão que não há como fazer frente. Aguentamos o que pudemos aquela situação. Como tsunami que era. O hospital não foi réu, foi vítima. Não foi por culta do hospital que aquela situação aconteceu. Estavam em causa três concelhos que tiveram incidência da pandemia de quatro mil por 100 mil habitantes. Recordo que os indicadores referiam que a partir de 240 o rácio já era mau.  Tivemos três concelhos: Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira com quatro mil por 100 mil habitantes. O mapa de Portugal  estava todo ele pintado de uma determinada cor e aquela zona ali estava pintada a vermelho escuro. O hospital não tem responsabilidade nenhuma por isto. Recuso em absoluto a falta de preparação. Tínhamos feito  a preparação desde a primeira fase, o hospital  está muito mais bem equipado e dimensionado”, disse, minimizando a questão de que possa ter existido qualquer dano reputacional para a sua gestão com a saída de doentes do CHTS para outros hospitais.

Carlos Alberto realçou, mesmo, que apesar do sofrimento e do desgaste que esta segunda vaga provocou,  abriu-se uma nova forma de ver as coisas que a seguir, quando surgiu o problema na região de Lisboa e Vale do Tejo, permitiu ao CHTS acolher 12 doentes dessa mesma região.

O responsável pelo CHTS referiu-se, igualmente, às dificuldades que o centro hospital teve de enfrentar aquando do surgimento da pandemia e dos primeiros focos de contágio.

“Estou na instituição porque gosto e porque quero e nesse sentido não posso fugir às dificuldades, ou seja, serei o último a ter alguma condição de fugir às dificuldades. Foi difícil, foram tempos que deixaram sequelas profundas a vários níveis, mas a nossa missão última é tratar  doentes e não podemos deixar ninguém para trás e tem sido esse o nosso objetivo”, disse, recordando que o CHTS, à data, foi dos primeiros hospitais a sofrer o impacto da pandemia, logo em março de 2020.

“O primeiro doente em Portugal foi um médico do nosso hospital que circunstancialmente estava de férias em Itália, depois tivemos os surtos da indústria do calçado, Feiras, Paços de Ferreira e Lousada, e tudo isso fez com que fossemos o primeiro hospital a sofrer o impacto. Recordo-me que naquela altura a orientação que foi dada a nível nacional foi parar toda a atividade não urgente. Houve hospitais, nessa altura, que não tinham grande impacto da pandemia, nomeadamente Lisboa e Vale do Tejo, na região sul. Estes hospitais tiveram que se organizar, esperando que a pandemia chegasse, mas ao mesmo tempo não estavam a tratar os doentes não Covid porque a orientação global era de que estávamos perante uma situação desconhecida e teríamos de parar essa atividade”, frisou,  sustentando que apesar do CHTS ter parado a atividade não Covid foi também dos primeiros a libertar-se desse efeito da pandemia na primeira fase.

“A pandemia, entretanto, circulou, para as outras regiões e o CHTS, nessa altura, passou a ter uma janela de oportunidade, a partir de maio, que aproveitamos para começar a tratar os doentes não Covid. Portanto, no CHTS logo a partir de maio começamos uma fase intensa de recuperação das listas de espera de consulta  e cirurgia”, afirmou.

Como indicador global referiu: “no fim de 2019 as nossas listas de espera tinham ficado todas com um limite máximo de 12 meses quer para consulta, quer para cirurgia e mesmo para todas as especialidades. É bom recordar que há dois anos atrás, as especialidades de cardiologia e pneumologia tinham mais de três anos de lista de espera, que eram duas marcas negativas no CHTS. Fizemos um esforço interno com a colaboração dos profissionais e em 2019 conseguimos trazer a lista de espera para 12 meses. Em 2020, ainda antes da pandemia, o CHTS tinha como objetivo passar para nove meses, mas estávamos longe de imaginar o que iria acontecer, paramos aqueles meses de março e abril, mas em maio recuperamos. Houve inclusivamente meses entre maio e setembro/outubro em que tivemos mais atividade de cirurgia e de consulta que no ano de 2019”, acrescentou, realçando que no ano transato, comparativamente a 2019, o CHTS fez “menos 30 mil consultas e menos quatro mil cirurgias”, recordado, no entanto, ter uma lista de espera que é menor do que a que tinha.

“Já que cheguei aos nove meses, não posso permitir que o prazo derrape mesmo que venham mais doentes. Dei um passo, já não é admissível voltar para trás. Exceção feita a um conjunto de situações de cirurgias ortopédica que ainda não conseguimos, porque são coisas complicadas, porque os privados também não querem”, manifestou, sustentando que o hospital tem também um problema muito específico que é uma alta taxa der traumatologia que tem a ver com acidentes em casa, na estrada e que depois impacta no serviço de ortopedia.

“Essa é a única área em que temos ainda alguma dificuldade nos nove meses. Tudo o resto está dentro dos nove meses e faremos o esforço no sentido der tentarmos reduzir”, confessou.

“As pessoas tinham medo de ir ao hospital e só iam em último recurso. Tivemos ali situações de pessoas que precisavam de ir e não foram e provavelmente quando chegarem já chegarão num estado mais agudizado e vão precisar de cuidados mais efetivos, mais intensos”

Relativamente à urgência, Carlos Alberto concretizou que a urgência, nesta fase, teve uma diminuição significativa no acesso do hospital por dois motivos fundamentais, por um lado, o medo e as falsas urgências.  

“As pessoas tinham medo de ir ao hospital e só iam em último recurso. Tivemos ali situações de pessoas que precisavam de ir e não foram e provavelmente quando chegarem já chegarão num estado mais agudizado e vão precisar de cuidados mais efetivos, mais intensos. Tivemos um outro aspeto que seria bondoso  em si, que é aquelas falsas urgências que deixaram de ir porque não tinham necessidade de ir”, expressou, sublinhando que os cuidados primários tiveram também, dificuldades, na medida em que os centros de saúde passaram a ter que fazer o seguimento dos rastreios e o acompanhamento dos contactos.

“Os centros de saúde não tiveram capacidade de fazer tudo, como é evidente. Aí está um nó górdio que é preciso ultrapassar”, atalhou.

O responsável pelo direção do CHTS relembrou, por outro lado, que apesar das dificuldades, foi feito um esforço nos últimos quatro anos no sentido de dotar o centro hospitalar de meios e recursos para fazer face àquilo que são as necessidades da população que serve.  

“ Em 2016 tínhamos 1800 profissionais, hoje temos 2250 profissionais. .Aumentamos 450 profissionais em quatro anos. O CHTS tem feito, nos últimos anos, um caminho de reforço significativo, seja de novas especialidades, novos médicos, outros profissionais, enfermagem, assistentes operacionais, seja mesmo do ponto de vista das infraestruturas. Temos áreas novas e espaços que estão a ser criados, a breve prazo, vamos ter uma nova maternidade, vamos ter uma nova estrutura para hemodiálise, vamos ter o estudo do sono, além do processo de eficiência energética que está em curso que vai trazer o revestimento de todo o hospital, num projeto comunitário de cinco milhões de euros”, concretizou.

Ainda sobre os recursos e a especialidade de cardiologia, Carlos Alberto declarou que o CHTS a contratou três cardiologistas no final de 2020.  

“Foi dos serviços mais bem apetrechados nos últimos tempos. Do ponto de vista da cardiologia vamos ter uma resposta muito mais dinâmica porque vamos internalizar a hemodinâmica. Na pneumologia fizemos um reforço significativo de quadros ao longo dos últimos anos e também já temos a lista nos nove meses e com a nova unidade que estamos a criar para fazer o estudo do sono internamente, essa resposta ainda vai  ser mais efetiva”, asseverou.

Apesar do reforço dos meios, Carlos Alberto recorreu  a uma analogia, voltando a comparar o centro hospitalar instalado em Penafiel ao Amadora-Sintra.

“O nosso hospital tem uma incumbência de tratamento de 5% da população portuguesa e, portanto, temos 520 mil pessoas para tratar. Temos juntamente com o hospital Amadora-Sintra das maiores cargas assistenciais do país e isso faz com que os recursos ainda não estejam no nível que é preciso estar”, avisou, advertindo, também, para o facto do hospital não dispor ainda da ressonância magnética.

“Espero e tenho esperança que ela venha porque parece visível e absolutamente inquestionável que um hospital  da nossa dimensão tem que ter a ressonância. A sala está lá, tem 20 e vamos ter de a ocupar”, declarou.


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