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Entrevista: “Encerramento das empresas, por si só, e sem uma estratégia alternativa, transmite um sentimento de abandono do tecido económico”, AEP.

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Fotografia: Associação Empresarial de Penafiel

A direção da Associação Empresarial de Penafiel (AEP)  enviou esta quarta-feira, uma carta aberta ao primeiro-ministro, em que confirma que o “encerramento das empresas, muitas delas viáveis, por si só e sem uma estratégia alternativa, transmite um sentimento de abandono do nosso tecido económico”.

Na missiva, a AEP apela ao apoio à economia de proximidade, realçando que muitos empresários “têm sido arredados do peso de um dos lados da balança: o de poderem vender bens ou serviços que lhes permite o respetivo contrapeso: pagar ordenados, empréstimos bancários, impostos e demais obrigações”.

“A Associação Empresarial de Penafiel tem uma visão muito aproximada da realidade de muitos empresários, que representam em grande parte a nossa tipologia de associados. São maioritariamente afetos ao comércio e serviços de proximidade, restauração e similares. Todos, sem exceção, têm sido arredados do peso de um dos lados da balança: o de poderem vender bens ou serviços que lhes permite o respetivo contrapeso: pagar ordenados, empréstimos bancários, impostos e demais obrigações. O encerramento das empresas, muitas delas viáveis, por si só e sem uma estratégia alternativa, transmite um sentimento de abandono do nosso tecido económico”, refere a instituição.

A associação realça que no âmbito do apoio financeiro concedido às empresas foi feito um investimento na adaptação das suas instalações à nova realidade pandémica, questionando o Governo acerca do risco de transmissão por Covid-19 numa loja de vestuário/sapataria que atende dois clientes de cada vez e colocando outras questões.

“Após o início da atual pandemia, o Governo presidido por V. Exa. providenciou, a fundo perdido, apoio financeiro para que as empresas destes setores (e de outros) investissem na adaptação das suas instalações à nova realidade pandémica, permitindo que os espaços fossem mais seguros para todos os intervenientes da cadeia de negócio: empresários, colaboradores e clientes. Adicionalmente, o tempo deu-nos sabedoria. Todos, sem exceção, sabemos quais são, ou não, comportamentos de risco que podem ajudar/travar a disseminação da Covid-19. Qual é o risco de transmissão por Covid-19 numa loja de vestuário/sapataria que atende dois clientes de cada vez, tendo em consideração que essa loja investiu (com o apoio do programa Adaptar) em equipamentos de proteção anti-covid-19?”.

Na mesma carta, a direção da AEP deixa, ainda, as seguintes questões: “qual é o risco de transmissão por Covid-19 existente num estabelecimento que recebe um cliente de cada vez, como por exemplo o de um simples sapateiro? Qual é o risco de transmissão por Covid-19 existente num estabelecimento de restauração que cumpre as normas decretadas pela Direção-Geral da Saúde e que eventualmente até pondera servir refeições no exterior?  Qual é o risco de transmissão por Covid-19 existente num cabeleireiro que cumpre as normas decretadas pela Direção-Geral da Saúde e que, por exemplo, atende dois clientes de cada vez (apesar de ter capacidade de atender cinco)? Qual é o risco de transmissão por Covid-19 existente numa ourivesaria que cumpre as normas decretadas pela Direção-Geral da Saúde e que atende um cliente de cada vez?” ou “Qual é o risco de transmissão por Covid-19 existente num café por vender ao postigo um café e uma nata, no caso da Lei obrigar a que o cliente não consuma os alimentos nas suas imediações?”

Fotografia: Associação Empresarial de Penafiel

A direção da AEP advoga que a “aposta num confinamento da economia por razões que não são entendíveis na ótica dos empresários e do cidadão comum, originam incompreensão”.

“Com as perguntas/exemplos simples que acima elencámos, queremos transmitir a V. Exa. que a aposta num confinamento da economia por razões que não são entendíveis na ótica dos empresários e do cidadão comum, originam incompreensão, desmotivação, no limite o descrédito das políticas definidas pelo Governo para o combate a esta mesma pandemia”, pedindo ao Governo que pondere “estabelecer metas para desconfinar ou confinar a economia, tendo em conta critérios epidemiológicos claramente definidos” e estabeleça “um plano de desconfinamento da economia, com regras muito claras a serem seguidas pelos empresários, e que permitam que negócios da tipologia acima elencada possam abrir portas o mais rapidamente possível”.

A instituição clarifica, também, que urge “reforçar os meios de fiscalização e sensibilização no terreno para garantir o cumprimento das regras definidas no plano de desconfinamento, naturalmente com maior moldura humana no terreno”, “garantir que os projetos de apoio às empresas, que lhes vão permitir o apoio financeiro indispensável à sua sobrevivência, tenham meios de candidatura fáceis, pouco burocráticos, com análise célere e rápida disponibilização das verbas”.

A associação defende, por outro lado, que “haja melhor planeamento, maior ambição, mais responsabilização, um desconfinamento programado e maior adesão à realidade difícil por que está a passar a economia e a sociedade, mais em concreto os pequenos negócios. Pedimos que não deixe a economia de proximidade morrer e que assuma um verdadeiro combate à Covid-19.  Não nos obrigue a escondermo-nos da pandemia, algo que fez sentido em março de 2020, mas que já não tem qualquer adesão à realidade em março de 2021”.


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