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“Conversas com Sentido”, de Marina Ferreira Silva, aborda questão do autismo e desmistifica perturbação

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O autismo, a parentalidade e o amor estiveram em debate, na última terça-feira, no facebook e instagram no “Conversas com Sentido”, uma iniciativa da Psicóloga Clínica e da Saúde, Marina Ferreira Silva, que é também autora e apresentadora do programa “É Psicológico”, emitido pelo Novum Canal.

A estreia contou com a presença de Andreia Santos, uma mãe inspiradora que, de forma bonita e emocionada, deu o seu testemunho pessoal e abordou os muitos trilhos a serem ainda desbravados no autismo.

Ao Novum Canal, Marina Ferreira Silva realçou que o “Conversas com Sentido” é um espaço para se falar de problemáticas de saúde mental, com testemunhos reais na primeira pessoa, tendo como objetivo informar e sensibilizar a sociedade.

Além da necessidade de quebrar o silêncio do autismo, no decorrer da conversa falou-se “da própria problemática em termos clínicos, sinais precoces e principais comprometimentos nas crianças a quem é feito o diagnóstico, da função dos pais enquanto cuidadores, das alterações familiares, rotinas, idas às terapias, etc.”.

A iniciativa procurou, também, abordar os principais estigmas que ainda existem, preconceitos da sociedade e os desafios em tempo de pandemia.

Falando de como surgiu a iniciativa “Conversas com Sentido”, Marina Ferreira Silva destacou que “surgiu da vontade de continuar a trazer a público temas relacionados com a saúde psicológica, de desconstruir a Psicologia, de a tirar da gaveta e a desmistificar”, sustentou, sublinhando que pretende com este ciclo de conversas “psicoeducar a sociedade e sensibilizar a comunidade”.

A Psicóloga Clínica e da Saúde realçou que a “Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é a designação usada para um conjunto de quadros de neurodesenvolvimento, que podem ter diversos níveis de gravidade e exigir mais ou menos apoio. O autismo afeta o sistema nervoso central, é mais prevalente em rapazes e nos últimos anos aumentou significativamente a sua incidência em Portugal (três vezes mais)”, afiançando que a problemática pauta-se por “dificuldades principais nos domínios: comunicação, interação social e interesses /preocupações. Estas crianças são também menos capazes de criar empatia, manter o contacto ocular, lidar com imprevistos e/ou quebrar rotinas”.

Marina Ferreira Silva manifestou que os “primeiros sinais surgem nos primeiros anos de vida, e os mais frequentemente valorizados pelos pais ou cuidadores são o atraso ou ausência de linguagem, o atraso de desenvolvimento global ou alguns dos problemas comportamentais que muitas vezes surgem”, confirmando que “os primeiros três anos de vida são cruciais” e que “os pais notam estas anomalias normalmente nos dois primeiros anos de vida”.

Questionada se esta perturbação afeta cada vez mais crianças, Marina Ferreira Silva confirmou que a “incidência em Portugal aumentou consideravelmente, pelo que, existem cada vez mais crianças com diagnóstico estabelecido”.

Sobre as causas que estão associadas a esta perturbação, a Psicóloga referiu que de acordo com os dados da Federação Portuguesa de Autismo: “A partir dos anos 60, a investigação científica, baseada sobretudo em estudos de casos de gémeos e nas doenças genéticas associadas ao autismo (X Frágil, esclerose tuberosa, fenilcetonúria, neurofibromatose, diversas anomalias cromossómicas) mostrou a existência de um fator genético multifatorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Estas causas são diversas e refletem a diversidade das pessoas com autismo. Parece haver genes candidatos, ou seja uma predisposição para o autismo o que explica a incidência de casos de autismo nos filhos de um mesmo casal. É possível existirem fatores hereditários com uma contribuição genética complexa e multidimensional”, disse, sustentando ser “necessário continuar a desenvolver a investigação sobre o autismo”.

Sobre esta questão, Marina Ferreira Silva adiantou que existe, contudo, neste momento uma conclusão importante que reúne o consenso da comunidade científica: “não há ligação causal entre atitudes e ações dos pais e o aparecimento das perturbações do espectro autista. As pessoas com autismo podem nascer em qualquer país ou cultura e o autismo é independente da raça, da classe social ou da educação parental”.

A Psicóloga Clínica e da Saúde reconheceu que a realização do diagnóstico é importante por diversas razões, “permite a orientação precoce para tratamento, facilita a melhor integração educativa e social da criança, e para o apoio da família, ao permitir-lhe compreender melhor os problemas e reações da criança”, devendo a “criança ser orientada para consulta especializada – pediatria, neuropediatria ou pedopsiquiatria”

“A intervenção deve ser individualizada, precoce e sustentada no tempo, adaptada ao desenvolvimento da criança até ser adulta. Numa grande proporção de indivíduos é para toda a vida”, explicou.

No dia em que se assinala Dia Internacional da Síndrome de Asperger, Marina Silva explicou que este síndrome é considerado uma “Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) com expressão mais ligeira. Contudo, não apresentam um atraso tão significativo na linguagem e mostram um nível cognitivo normal ou mesmo acima da média em algumas áreas”.

“Esta síndrome é bastante mais comum do que o autismo clássico”, afirmou, acrescentando que algumas destas crianças podem não apresentar doença”.

De acordo com Marina Ferreira Silva, a síndrome de Asperger afeta “20 a 25 por cada 10 mil”, sendo que “em Portugal estima-se que existam cerca de 40 mil portadores desta síndrome (cerca de 10 para um)”.


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