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Crise sanitária adensa dificuldades dos restaurantes em plena época da lampreia

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A crise sanitária, que continua a assoberbar a região e o país, está a afetar a época da lampreia e os muitos operadores que vivem deste ciclóstomo.

Em Entre-os-Rios, na freguesia da Eja, concelho de Penafiel, o cenário não diverge da realidade de outras zonas do país, com os operadores da restauração a sentirem sérias dificuldades, denunciando quebras nas vendas significativas, longe das vendas de outros anos.

Ao Novum Canal, Luís Neves, proprietário do restaurante Miradouro, uma das unidades de restauração mais afamadas na confeção desta iguaria, realçou que o surto pandémico afundou um setor que já no ano transato enfrentou sérias dificuldades.

“Todos os operadores e restaurantes estão a passar por uma situação difícil, com quebras significativas, o número de encomendas também decaiu, mas temos de seguir em frente e fazer face às adversidades”, disse, salientando que todos os anos, no dia de Carnaval, o Miradouro era visitado por um grupo de comensais e apreciadores de lampreia, clientes habituais, que faziam questão de se deslocar ao restaurante, mas que, este ano, optaram por não o fazer.

“Este ano, a crise sanitária e as restrições que foram implementadas não permitem que os restaurantes estejam a funcionar, o que penalizou toda a restauração, aqui de Entre-os-Rios, mas também os vendedores que, ao longo da EN 108, aproveitam para vender a lampreia e fazerem algumas mais-valias”, frisou, sustentado que o surto pandémico criou dificuldades acrescidas para todos os que vivem da lampreia.

“Esta época, janeiro, fevereiro e março, eram o nosso S. Miguel. Eram meses que equilibravam o ano todo. Estamos esperançados que possamos abrir em março, mas tudo dependerá da evolução da pandemia. Teremos de aguardar para ver”, acrescentou.

Luís Neves reconheceu que a lampreia é um produto que, além de dar visibilidade ao concelho, é um veículo promocional da restauração, mobiliza várias famílias e fomenta a economia.

“Estamos a falar de um produto que envolve várias unidades de restauração, colaboradores, como é o caso da minha casa, que estão sem trabalho, porque os restaurantes estão fechados e já não se vende como se vendia. Existem alguns vendedores que vão comercializando o produto à mão, mas nada que se compare a anos anteriores”, declarou, sublinhando que a opção tem passado por vender em regime de takeaway, embora não seja a mesma coisa.

“Temos servido alguns clientes, mas poucos. Os nossos clientes são de vários pontos do país. Vir do Porto, aqui buscar uma lampreia, é difícil, mas temos vendido àqueles que são mais apreciadores. Temos serviço principalmente à bordalesa. Com arroz, menos, porque tem de ser comido passado cinco minutos de sair do fogão. Sei que em Penacova estão a servir a lampreia,  dão o arroz num saco e as pessoas colocam o arroz em casa. A autarquia dá um apoio com as caixas para transportar a lampreia e isso tem dado ânimo aos restaurantes”, disse.

Luís Neves manifestou, por outro lado, que o facto do próprio Festival da Lampreia de Penafiel não se ter realizado, devido às circunstâncias que são de todos conhecidas, representou um revês para os restaurantes e para os vários operadores que, nesta época do ano, aproveitavam para dar a conhecer os seus estabelecimentos e fidelizar novos clientes.

“Não sendo possível fazer este festival, todo o concelho, operadores e restaurantes, perdem. O festival funcionou sempre como uma boa promoção para o município e a região. O festival trazia a Entre-os-Rios milhares de pessoas. Eram três, quatro dias intensos, com muita animação, o que promovia Entre-os-Rios. É com tristeza que vejo a zona ribeirinha de Entre-os-Rios despida”, precisou, mostrando-se calculista quanto ao futuro.

“Esta crise vai deixar marcas. Não consigo prever as consequências, mas acredito que a restauração e alguns restaurantes vão ter sérias dificuldades em recuperar”, afiançou.

“A restauração não é um negócio que dê milhões. É um negócio que dá para viver”, avisou, reconhecendo que a crise sanitária terá também consequências ao nível do emprego, com vários colaboradores, que habitualmente aproveitavam esta altura do ano para fazerem mais algumas economias, a serem também atingidos.

Conceição Silva, cozinheira do restaurante Miradouro, mostrou-se igualmente preocupada com o futuro.

“Este é um ano diferente. Nesta altura a casa estava a trabalhar com outro ímpeto. Com a pandemia estamos com a porta fechada e vamos trabalhando em regime de takeaway, mas como os clientes da casa são de vários pontos do país, não é funcional deslocarem-se ao restaurante para levantarem o produto e terem de o consumir em casa”, concretizou, confessando que a lampreia à bordalesa é a que tem tido mais saída porque é mais fácil, segue pronta e é só comer. Se for lampreia de arroz, a opção tem sido a de enviar a lampreia pronta, com o arroz cru e o cliente em casa terá de terminar o prato.

“Estamos a trabalhar, mas sem a azáfama de outros anos”, asseverou, reconhecendo que há pessoas em Entre-os-Rios, que vivem da lampreia, que estão com dificuldades.

“A época da lampreia no restaurante é a época melhor, trabalhamos melhor. É a época que nos aguenta o final do ano. No ano passado tivemos de fechar a meio de março e este ano a situação também se agravou pelo que temo que os impactos possam ser muitos. Teremos de aguardar e esperar que melhores dias venham”,  concretizou.


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