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Estudo coordenado por investigador de Penafiel alerta para aumento preocupante das temperaturas na Península Ibérica

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Fotografia: David Carvalho

Um estudo coordenado pelo investigador de Penafiel, David Carvalho, da Universidade de Aveiro, publicado na revista Climate Dynamics, e assinado também pelos investigadores do CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Susana Cardoso Pereira e Alfredo Rocha adverte para o aumento das temperaturas de forma preocupante na Península Ibérica durante este século.

Segundo David Carvalho, os “dados que serviram de base a este estudo são as projeções de clima futuro que o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) usa nos seus relatórios sobre alterações climáticas, que são os relatórios oficiais a nível mundial sobre este problema”.

O investigador reconheceu que estamos perante um cenário e previsões preocupantes que urge inverter.

“Sim, as previsões são muito assustadoras, mas infelizmente muito realistas se pouco ou nada for feito. As soluções para a mitigação das alterações climáticas são bem conhecidas, que passam por uma redução drástica nas emissões de gases com efeito de estufa como o CO2. Estas emissões tem como principais fontes a queima de combustíveis fósseis, que praticamente estão presentes em todas as principais atividades humanas sendo as principais a geração de energia (eletricidade), o tráfego automóvel e as atividades industriais. Ou seja, as soluções passam por um uso de fontes de energia renovável para a obtenção de energia, mas também por uso mais consciente e em menor quantidade de bens de consumo, e também pela reutilização de matérias primas e bens de consumo”, disse, esclarecendo que a realização do estudo surgiu no âmbito do grupo de investigação ao qual pertence, o Clim@UA (Grupo de Meteorologia e Climatologia da Universidade de Aveiro – http://climetua.fis.ua.pt/), grupo, avançou, que “desenvolve investigação na área do clima e alterações climáticas”.

“Logo, este estudo surgiu de uma forma natural, decorrente das nossas atividades de investigação que ultimamente se tem centrado no estudo de como irá ser o clima futuro e impactos das alterações climáticas em Portugal e Península Ibérica”, acrescentou.

Para o investigador penafidelense, a acumulação de grandes quantidades de gases com efeito de estufa na atmosfera, CO2 principalmente estão entre os fatores que diretamente contribuem para este aumento das temperaturas.

 “O único fator responsável pelas alterações climáticas a que estamos a assistir e que são projetadas para o futuro é a acumulação de grandes quantidades de gases com efeito de estufa na atmosfera, CO2 principalmente”, adiantou, realçando que “Tudo o que possa ser feito para reduzir as emissões destes gases com efeito de estufa é a única solução, de forma a diminuir a sua concentração na atmosfera”.

Fotografia: David Carvalho

“Nos últimos anos tem-se assistido a uma crescente preocupação e vontade política (pelo menos aparente) em fazer algo que reduza as emissões de gases com efeito de estufa, como tem sido os exemplos do acordo de Paris e outros acordos anteriores (protocolo de Quioto, etc.). No entanto, o efeito efetivo tem sido muito reduzido pois este tipo de medidas implica mudanças grandes nas atividades económicas, industriais e até sociais”

Questionado se existe sensibilidade e vontade por parte da classe política para alterar este estado de coisas, David Carvalho reconheceu que apesar da preocupação crescente com o tema por parte da classe política, o efeito efetivo tem sido muito reduzido pois este tipo de medidas implica mudanças grandes nas atividades económicas.

“Bem, essa é uma boa questão. Nos últimos anos tem-se assistido a uma crescente preocupação e vontade política (pelo menos aparente) em fazer algo que reduza as emissões de gases com efeito de estufa, como tem sido os exemplos do acordo de Paris e outros acordos anteriores (protocolo de Quioto, etc.). No entanto, o efeito efetivo tem sido muito reduzido pois este tipo de medidas implica mudanças grandes nas atividades económicas, industriais e até sociais. O nosso modelo socioeconómico atual é muito dependente dos combustíveis fósseis, e não é fácil mudar este aspeto pois implica investimentos avultados e mudanças grandes que muitos países, e empresas, não querem fazer pois isso vai afetar os seus lucros e crescimento económico a curto e médio prazo. Por isso, acho que o grande problema não é a vontade política, que já existe na Europa e outros países (mas não em todos!), mas a vontade dos agentes económicos, industriais e, mais importante, vontade de cada um de nós em efetivamente fazer algo nesse sentido nas nossas escolhas pessoais e coletivas no dia a dia”, atalhou.

O investigador realçou que este aumentos de temperaturas irá traduzir-se em maiores períodos de seca, desertificação e impactos dramáticos na agricultura e à saúde humana..

“Estes aumentos de temperatura terão impactos enormes na Península Ibérica, que é já atualmente uma zona com problemas de falta de precipitação e temperaturas altas, principalmente na zona Centro-Sul da Península Ibérica. Ora, um aumento das temperaturas já de si elevadas associadas a uma menor precipitação irá traduzir-se em maiores períodos de seca, desertificação e impactos dramáticos na agricultura, bem como impactos nos ecossistemas e áreas florestais que podem verificar maior exposição a fogos florestais (já um grande problema na nossa zona). Existem ainda outros impactos associados à saúde humana e perda de qualidade de vida nestas zonas já de si tão sensíveis”, manifestou, apontando, também, efeitos ao nível dos ecossistemas e áreas florestais (desertificação, fogos florestais) e também na qualidade do ar.

David Carvalho concordou que é urgente reduzir a emissão de gases, advertindo mesmo que “estamos à beira do precipício”.

“Claro, é urgentíssimo pois encontramo-nos como que “à beira do precipício”, já que temos muito pouco tempo para conseguir mitigar os impactos mais graves das alterações climáticas. Diria que se nada ou pouco for feito na próxima década, já não iremos ser capazes de reduzir estes impactos de uma maneira significativa e teremos que nos preparar para encarar um futuro muito diferente para pior, principalmente a geração dos nossos filhos”, defendendo, por outro lado, uma aposta na descarbonização do modelo socioeconómico em que vivemos.

”Completamente, esse é o único caminho para mitigar as alterações climáticas, que resultam basicamente na acumulação de CO2 na atmosfera. Claro que existem outros gases com este efeito de estufa (metano e vapor de água, por exemplo), mas estes não se encontram em concentrações preocupantes na atmosfera que influenciem as alterações climáticas. O grande responsável é mesmo o CO2. Assim, temos que descarbonizar significativamente o modelo socioeconómico em que vivemos atualmente. Para além de descarbonizar, temos também que apostar num uso mais eficiente e sustentável dos recursos terrestres, reaproveitando e reduzindo o consumo de bens e recursos”.

Questionado sobre o papel das autarquias ao nível local e qual o contributo que podem ter ao nível do desenvolvimento sustentável, David Carvalho  estas podem dar um contributo ao nível da redução do CO2, mas também descarbonização, num uso mais eficiente e sustentável dos recursos terrestres, reaproveitando e reduzindo o consumo de bens e recursos, “sendo também importante o papel individual de cada um de nós no nosso dia-a-dia para contribuir para um modelo socioeconómico sustentável”.  

“Desde miúdo que sempre me interessei pelo ambiente, mas foi sem dúvida na universidade que decidi seguir este caminho, também devido à tradição da Universidade de Aveiro nestas áreas tanto em termos de ensino como em termos de investigação”

David Carvalho esclareceu, Aida, que está a desenvolver um estudo de como alterações climáticas irão impactar a desertificação, seca e produção de eletricidade de origem renovável na Península Ibérica, com especial foco em Portugal.

“Sim, a minha investigação centra-se no estudo de como as alterações climáticas irão fazer-se sentir na Europa, Península Ibérica e Portugal. Logo, continuo a desenvolver estudos dentro destes temas. Atualmente, estou a desenvolver estudos de como as alterações climáticas irão impactar a desertificação, seca e produção de eletricidade de origem renovável na Península Ibérica, com especial foco em Portugal. Para já, todos os resultados apontam para um aumento da seca e desertificação na Península Ibérica, com grandes impactos negativos na agricultura. A produção de eletricidade de origem renovável, como a hídrica e eólica (as mais importantes em Portugal e Península Ibérica atualmente), também aparenta ser menor no futuro devido ás alterações climáticas, devido á menor precipitação e alteração nos padrões de circulação do vento”, precisou, sublinhando que apetência pelo ambiente e por este tipo de estudos começou a germinar desde muito cedo.

“Desde miúdo que sempre me interessei pelo ambiente, mas foi sem dúvida na universidade que decidi seguir este caminho, também devido à tradição da Universidade de Aveiro nestas áreas tanto em termos de ensino como em termos de investigação. Foi durante o meu percurso académico na Universidade de Aveiro que escolhi estas temáticas relacionadas com as alterações climáticas”, afiançou, admitindo que ver o estudo publicado na revista Climate Dynamics foi “uma grande satisfação, pois a Climate Dynamics é uma das revistas cientificas de referencia a nível mundial na área de climatologia e alterações climáticas”.


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