Novum Canal

mobile

tablet

“Os abusos são sempre condenáveis e indesculpáveis. Utilização indevida é condenável, desde que seja indevida…” Padre Lino Maia, da CNIS

Partilhar por:

Fotografia: Confederação Nacional das Instituições Sociais (CNIS)

O Padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições Sociais (CNIS), afirma que “os abusos são sempre condenáveis e indesculpáveis” e a “utilização indevida é condenável, desde que seja indevida…”, numa reação à toma indevida de vacinas em pessoas não prioritárias.

Em declarações ao Novum Canal e numa alusão à nova fase de vacinação que iniciou  esta semana e que inclui os idosos maiores de 80 anos, o presidente da CNIS salienta oportuno abranger de imediato também os maiores de 80 anos, lamentando, porém, que atempadamente o programa de vacinação “não tenha sido bem elaborado”.

“Sinceramente, penso que depois dos profissionais de saúde, em primeiro lugar, e dos Lares (de idosos e de pessoas com deficiência), o critério seguinte deve ser o de vacinar as pessoas mais expostas à fragilidade e/ou à avançada idade. Por isso mesmo, considero que é oportuno incluir imediatamente também os maiores de 80 anos. Lamento, porém, que, atempadamente o programa de vacinação não tenha sido bem elaborado… A estirpe britânica o que deve fazer é acelerar quanto possível o processo. Mas estamos dependentes da produção e receção das vacinas, processo que, com a atual liderança europeia, está a correr bem. Agora vê-se bem como é bom estarmos na União Europeia e termos boas lideranças”, disse, manifestando  que antes março não será possível concluir a primeira fase.

“O programa de vacinação prevê três fases. Numa primeira fase estão a ser vacinadas cerca de 950 mil pessoas. O grupo prioritário é o das pessoas com 50 ou mais anos e com patologias associadas, profissionais e residentes em lares e unidades de cuidados continuados, profissionais de saúde que prestem cuidados diretos no âmbito da pandemia e forças de segurança.  Numa segunda fase, será dada prioridade a pessoas com mais de 65 anos sem patologias associadas e pessoas com mais de 50 anos, mas com outras doenças associadas, como diabetes, neoplasias, entre outras, estimando-se que sejam abrangidos cerca de 1,8 milhões de cidadãos.  A terceira fase englobará o resto da população. Esta vacinação das pessoas com mais de 80 anos parece situar-se na primeira fase. Dependentemente das vacinas que viermos a receber, calculo que antes de Março não se concluirá a primeira fase”, avisa.

Fazendo  um ponto da situação da primeira fase, da vacinação que decorreu nos lares, aos utentes e respetivos profissionais que aí trabalham, o presidente da CNIS reconheceu que calendário tem sido cumprido eficazmente, confirmando ser positivo que os dirigentes ativos que contactam diariamente com os utentes sejam igualmente vacinados.

“O calendário tem sido cumprido eficazmente. Foi muito discutida a vacinação de dirigentes, daqueles dirigentes que designo como “dirigentes ativos” e que são aqueles dirigentes voluntários que passam muitas horas nas instituições, que estão em contacto com trabalhadores e utentes, que muitas vezes, particularmente neste tempo de pandemia substituem eles próprios trabalhadores infetados e que fazem funcionar as Instituições. Não como privilégio, mas por prestarem um bom serviço e para protegerem os utentes, que é a sua missão e que muito bem a desempenham, tem sido bom que sejam vacinados”, acrescenta.

“Nos lares em que estão a decorrer surtos (um surto acontece quando há 2 ou mais infetados pelo Covid-19), primeiro, tem que se resolver o surto e, uma vez resolvido, terá de haver um tempo de cerca de 28 dias para se proceder à vacinação. Isto pode fazer protelar o processo”

Quanto à conclusão do processo de vacinação que iniciou esta semana, o padre Lino Maia sustenta que a existência de surtos em lares pode fazer protelar esse mesmo processo.

“Nos lares em que estão a decorrer surtos (um surto acontece quando há 2 ou mais infetados pelo Covid-19), primeiro, tem que se resolver o surto e, uma vez resolvido, terá de haver um tempo de cerca de 28 dias para se proceder à vacinação. Isto pode fazer protelar o processo. De qualquer modo, creio que até 6 de Março, pelo menos a primeira toma já tenha ocorrido em todos os lares”, sustenta, aplaudindo a decisão de estender a vacinação a todos os lares, legalizados e não legalizados.

“Segundo se diz há muitos lares não legalizados, para além dos cerca de 1.500 de IPSS e misericórdias e de um bom grupo de bons lares legalizados e lucrativos. No total serão cerca de 3.500. Foi decidido – e bem – que a vacinação se estenderia a todos os lares, legalizados e não legalizados. E, repito, parece-me muito bem porque nos lares não legalizados estão pessoas e muitas vezes pessoas muito fragilizadas. Quando aponto o dia 6 de Março para concluir a vacinação nos lares, estou a falar de todos os Lares, legalizados e não legalizados. Aponto aquela data porque perfaz um ano que, entre nós, foi tomada a primeira medida nesta pandemia, que foi a do cancelamento de visitas aos lares. É uma data simbólica”, manifesta, salientando que a estabilização dos contágios irá depender da reserva em grande escala de vacinas e da imunidade de grupo quando houver cerca de 70% da população vacinada.

“Segundo os especialistas, só entraremos no período da imunidade de grupo quando houver cerca de 70% da população vacinada. Antes do final do terceiro trimestre creio que não chegaremos à imunidade de grupo…”, afirma, precisando ser prudente reservar vacinas para garantir sempre a segunda toma.

“Devo realçar que, com a medida adotada de reservar vacinas para a segunda toma, porque com uma só o processo de imunização não está completado, e como, em princípio, a segunda toma será sempre três semanas depois da primeira, o processo não será tão célere quanto aparentemente possa parecer com a vinda de mais vacinas. Ao dizer isto não estou a discordar do processo, pelo contrário: é prudente reservar vacinas para garantir sempre a segunda toma…”, declara.


Partilhar por:

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Receba todas as novidades!

Subscreva a nossa Newsletter

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Ajude o Jornalismo Regional

IBAN: PT50 0045 1400 4032 6005 2890 2
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo

Obrigado!

Estamos a melhorar por si.
Novum Canal, sempre novum, sempre seu!