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Estudo de investigador paredense sobre ferrovia vence concurso internacional

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Fotografia: Pedro Aires Montenegro

O paredense e investigador na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Pedro Aires Montenegro, venceu o ICCES Outstanding Young Researcher Award , prémio atribuído pelo International Conference on Computational & Experimental Engineering and Sciences 2020 (ICCES), com um estudo que tem como foco a segurança de circulação face a ventos e segurança ferroviária.

Ao Novum Canal, o investigador reconheceu que prémio faz jus ao trabalho que tem vindo a realizar neste domínio, constituindo, também, um reconhecimento por parte da comunidade científica.

“Receber um prémio numa conferência internacional é sempre muito gratificante para um jovem investigador como eu. Faz-me acreditar que o trabalho que tenho vindo a desenvolver tem interesse para a comunidade científica, o que é muito motivador”, disse, salientando que já tinha sido premiado em 2016 numa conferência internacional destinada exclusivamente a avanços científicos na área da ferrovia.

Fotografia: Pedro Aires Montenegro

“De uma forma geral, tenho tentado participar neste tipo de concursos sempre que a conferência na qual estou a participar proporciona. Felizmente já tinha recebido um outro prémio em 2016 numa conferência internacional destinada exclusivamente a avanços científicos na área da ferrovia e num concurso patrocinado pela Ordem dos Engenheiros cá em Portugal”, expressou.

Falando do prémio que arrecadou em 2020, Pedro Aires Montenegro referiu que o facto da conferência, originalmente programada para ser realizada de forma presencial em Budva, Montenegro, em Maio de 2020, ter sido adiada para Janeiro de 2021 e em formato virtual, fez com que o número de candidatos tivesse diminuído.

Fotografia: Pedro Aires Montenegro

“Infelizmente a pandemia obrigou a que a conferência, originalmente programada para ser realizada de forma presencial em Budva, Montenegro, em Maio de 2020, tivesse que ser adiada para Janeiro de 2021 e em formato virtual. Tal fez com que o número de participantes diminuísse. De qualquer forma, a conferência contou com aproximadamente 150 pessoas, das quais algumas participaram neste concurso (confesso que não sei o número). O concurso destinava-se a distinguir investigadores jovens com idade inferior a 40 anos”, afiançou, sustentando que o concurso teve apenas uma fase e todos os candidatos foram avaliados a nível da qualidade do artigo e da qualidade da apresentação.

“O concurso contou apenas com uma fase. Consistia em fazer uma candidatura, que incluía o artigo científico que se ia apresentar na conferência conjuntamente com uma carta de recomendação. No meu caso pedi a um professor do Reino Unido, Prof. C.J. Baker, muito prestigiado na área da aerodinâmica de veículos ferroviários, com o qual tenho vindo a trabalhar e já tenho inclusive publicações em conjunto num jornal bastante prestigiado na área do vento. Depois, durante a apresentação todos os candidatos eram avaliados a nível da qualidade do artigo e da qualidade da apresentação”, acrescentou.

O paredense manifestou que a ligação a ferrovia iniciou em 2008 quando fez  a minha tese de mestrado com os Profs. Rui Calçada e Raimundo Delgado do Departamento de Eng. Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Fotografia: Pedro Aires Montenegro

“O meu gosto pela ferrovia começou em 2008 quando optei por fazer a minha tese de mestrado com os Profs. Rui Calçada e Raimundo Delgado do Departamento de Eng. Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Nessa tese fiz um estudo dinâmico de uma ponte em arco sujeita a tráfego de alta velocidade. Daí ao doutoramento, o qual terminei em 2015, foi um passo natural. O gosto pela ferrovia deve-se muito aos ensinamentos do Prof. Rui Calçada com o qual tenho vindo a trabalhar nos últimos anos, felizmente com sucesso”, avançou, afirmando que o “trabalho na área da segurança de circulação face a ventos começou em 2017 quando foi abordado durante uma conferência por engenheiros de uma empresa Russa de projeto de pontes (Institute Giprostroymost em Moscovo)”.

“Eles na altura estavam a projetar uma ponte para a futura linha de alta velocidade entre Moscovo e Kazan e não tinham as ferramentas computacionais necessárias para avaliar o risco de descarrilamento face a fortes ventos, uma vez que este tipo de software não existe em formato comercial, muito menos em empresas de projeto. Foi exatamente esta ferramenta que desenvolvi durante o meu doutoramento e a qual tenho vindo a aplicar em diversos trabalhos em conjunto com a indústria”, sublinhou.

“A ferrovia em Portugal atingiu um ponto tão crítico que era impossível continuar o desinvestimento das últimas décadas. Parece que finalmente o país está a “acordar”

Questionado se considera que ferrovia tem vindo a ganhar expressão no país, Pedro Aires Montenegro confirmou que esta tem ganho maior visibilidade, sobretudo, nos últimos cinco anos.

Fotografia: Pedro Aires Montenegro

“A ferrovia em Portugal atingiu um ponto tão crítico que era impossível continuar o desinvestimento das últimas décadas. Parece que finalmente o país está a “acordar” para este problema e tem vindo a canalizar fundos da rodovia para a ferrovia. Um país com ferrovia atrasa está condenado a ser um país atrasado”, referiu, sustentando que a aposta na ferrovia vai ser determinante para o futuro do país e para a coesão territorial e social.

“A ferrovia tem um papel fundamental para coesão nacional, tanto ao nível empresarial como ao nível não profissional. Uma boa ferrovia diminui consideravelmente as distâncias e leva a uma maior interligação entre as pessoas. Não esquecer que uma viagem de comboio entre Porto e Lisboa feita em 1.5h é muito mais “rápida” que uma viagem entre estas duas cidades de avião. Apesar de demorar apenas 30min, o tempo que se perde com formalidades aeroportuárias, deslocações aos aeroportos, etc, é incomparavelmente maior que o tempo que se perde com a viagem de comboio, uma vez que esta conecta as cidades diretamente a estações situadas, geralmente, dentro das cidades e não nas periferias, como os aeroportos”, reiterou.

Sobre a ferrovia do Vale do Sousa: “Tudo que seja útil para unir diferentes municípios é muito bem-vindo! Apesar do início dos trabalhos estar atrasado, uma vez que estava originalmente programada para começar a ser construída em finais de 2020, vamos acreditar que seguirá em frente”

Interpelado se a Linha Ferroviária do Vale do Sousa vai ser uma realidade, o investigador paredense manifestou estar expectante que possa ser concretizada, apesar do início dos trabalhos estar atrasado.

Fotografia: Pedro Aires Montenegro

“Espero que sim. Tudo que seja útil para unir diferentes municípios é muito bem-vindo! Apesar do início dos trabalhos estar atrasado, uma vez que estava originalmente programada para começar a ser construída em finais de 2020, vamos acreditar que seguirá em frente”, frisou, concordado que esta linha será nuclear para o futuro e o desenvolvimento da Região do Vale do Sousa.

“Sim, esta área tem uma forte componente industrial que, ao ser devidamente conectada com uma linha ferroviária, irá certamente expandir-se tanto a nível nacional como internacional”, asseverou, reconhecendo que a sua execução poderá avançar a médio prazo.

“Curto não digo…principalmente agora com todos os problemas relacionados com a pandemia. Mas médio prazo acredito. Tem-se vindo a apostar bastante na ferrovia nos últimos cinco anos…mas são processos lentos, obras caras e que precisam de tempo. Tivemos demasiado tempo desligados da ferrovia e não se muda o “chip” das autoestradas para os carris de um dia para o outro”, confessou, admitindo que no futuro pretende continuar a desenvolver trabalhos no domínio da ferrovia e a ser investigador nesta área enquanto o deixarem.


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