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Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos defende vacinação dos prestadores de cuidados diretos

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Fotografia: Plataforma PAJE – Apoio a Jovens Ex-acolhidos

A PAJE – Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos defende a priorização da vacinação dos prestadores de cuidados diretos das casas de acolhimento.

Em comunicado enviado ao Novum Canal, a PAJE – Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos, em conjugação com a  AjudAjudar – Associação para a Promoção dos Direitos das Crianças e Jovens  e com um grupo de Supervisores de Casas de Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, esclarece que solicitou, no dia 7 de Janeiro,  um pedido de esclarecimento/apelo relativamente à integração dos cuidadores de Casas de Acolhimento nos grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19, dirigidos à ministra da Saúde Marta Temido, ao presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Segurança Social, Rui Fiolhais, à Diretora da Direção-Geral de Saúde, Graça Freitas nesse sentido , mas nenhuma resposta foi endereçada aos signatários desde então.

A Plataforma declara que a entrada em vigor de um novo Estado de Emergência, por um lado e o consequente confinamento total que exigiu a suspensão de todas as atividades letivas, está a ter graves implicações no funcionamento quotidiano das casas de acolhimento.

Neste quadro, João Pedro Gaspar, presidente da direção da Plataforma insiste que seja considerada a priorização dos cuidadores destas crianças e jovens no Plano Nacional de vacinação Contra a Covid-19, sustentando que “as crianças e jovens em perigo a residir em unidades de acolhimento residencial têm sido especialmente afetadas pela presente pandemia”.

“Estima-se que existam aproximadamente 4000 prestadores de cuidados diretos, localizados em cerca de 362 Casas de Acolhimento para Crianças e Jovens em Perigo. Estes profissionais são os cuidadores de referência de cerca de 6200 crianças e jovens, com um enorme impacto no seu bem-estar, saúde mental e mitigação dos impactos negativos da presente pandemia”, frisa, reconhecendo que “a adoção de equipas-espelho, se bem que necessária, veio alterar significativamente o funcionamento das equipas de cuidadores, com impacto nas rotinas e estruturas de suporte que tanto contribuem para garantir o saudável desenvolvimento das crianças. Acresce que, fruto desta nova organização, o contacto das crianças e jovens com os seus adultos de referência foi afetado significativamente, acrescido da diminuição do ratio cuidador/criança em cada turno, o que afeta o seu suporte emocional e pode potencialmente gerar situações de conflitualidade adicional”.

Fotografia: Plataforma PAJE – Apoio a Jovens Ex-acolhidos

João Pedro Gaspar sugere, assim, que a vacinação destes profissionais seja considerada no decurso da 1ª Fase do Plano de Vacinação COVID-19, justificando a mesma pelo facto desta “inclusão permite mitigar o impacto da pandemia nas crianças/jovens em perigo ao tornar redundante o recurso a equipas-espelho nestas unidades; a Norma (9 de 2020) indicada no documento “Vacinação em ERPI, instituições similares e unidades da RNCCI” refere explicitamente “instituições de acolhimento de crianças e jovens em risco””, sublinhando que as “características do grupo alvo da intervenção das Casas de Acolhimento Residencial, crianças e jovens cujos percursos de vida, de maus-tratos e negligência, se traduzem em inevitáveis sequelas ao nível da estabilidade emocional e desenvolvimento e onde as perturbações psiquiátricas e atraso cognitivo têm forte expressividade; não permitem a substituição por brigadas temporárias, que sem conhecimento e vínculo afetivo com o grupo, terão sérias dificuldades de intervenção e manutenção da estabilidade destes lares”.

João Pedro Gaspar esclarece que “os cuidadores das CAR  irão continuar a atender, de forma próxima e afetiva (porque de crianças se trata), crianças e jovens menores de 16 anos que, não estando incluídas no plano de vacinação, irão constituir sempre e a longo prazo, potenciais veículos de contágio”, sustentando  que o “regresso ao trabalho dos cuidadores, que testarem positivo, só poder ser feito após teste negativo (à semelhança do que acontece com os cuidadores de idosos)”, podendo implicar “longos  períodos de absentismo”, questionando “Quem substitui estes cuidadores?”.

O responsável da Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos confirma que a “dimensão reduzida das equipas de cuidadores das CAR, faz com que a expressão nacional em termos de número de vacinas a despender, seja mínima (impacto total na ordem dos 0,42%)”, sublinhando que “a percentagem de profissionais a vacinar é bastante reduzida face ao total da população abrangida na 1ª Fase mas cada profissional vacinado contribui para o bem-estar direto das crianças, devendo ser considerado este efeito multiplicador”, reconhecendo que o “grau de segurança dos cuidadores, na interação próxima e diária com as crianças e jovens em acolhimento, aumentará consideravelmente após imunização, o que terá tradução na qualidade do cuidado afetivo, com toque afetuoso, com proximidade protetora e securizante, que se exigem enquanto prática diária no cuidado das nossas crianças e jovens”.

O responsável da Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos manifesta que o apelo feito à ministra da Saúde e demais atores atrás identificados parece também não ter tido eco nas iniciativas da Task Force para a priorização destes profissionais.

“Estes e outros argumentos, que fogem da nossa cogitação neste momento, revelam bem a necessidade de considerar, logo que possível, e sempre a breve trecho, a vacinação prioritária dos cuidadores das instituições de acolhimento de crianças e jovens em risco. Atendendo a que o nosso pedido de esclarecimento, datado de 7 de Janeiro, não obteve qualquer resposta e que o apelo então realizado parece também não ter tido eco nas iniciativas da Task Force para a priorização destes profissionais no que diz respeito à sua vacinação contra a Covid-19 e dada a situação atual de confinamento total/ suspensão das atividades letivas presenciais ter vindo a agravar ainda mais a pressão sobre estes profissionais, vemo-nos obrigados a, de novo, denunciar publicamente esta situação”, confessa.


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