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“Manter as escolas e jardins de infância em ensino presencial seria agravar a irresponsabilidade com que o Ministério da Educação encarou a situação”, afirma Fenprof

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Fotografia: Federação Nacional dos Professores

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou que nada substitui o ensino presencial, sendo que o recurso ao ensino à distância deve ser sempre utilizado numa situação de emergência, mas “manter as escolas e jardins de infância em ensino presencial seria agravar a irresponsabilidade com que o ministério da Educação encarou a situação”.

Em declarações ao Novum Canal, o coordenador do Departamento de Informação da FENPROF e membro do Secretariado Nacional da Federação, o professor Luís Lobo, considerou que a “não adoção de medidas fundamentais para as escolas, logo desde o início do ano letivo, levou a que chegássemos a uma situação de descontrolo da pandemia”.

“Para a FENPROF, nada substitui o ensino presencial. O recurso ao ensino à distância deve ser sempre utilizado numa situação de emergência. No caso presente, manter as escolas e jardins de infância em ensino presencial seria agravar a irresponsabilidade com que o ministério da Educação encarou a situação. Na verdade, com a não adoção de medidas fundamentais para as escolas, logo desde o início do ano letivo, levou a que chegássemos a uma situação de descontrolo da pandemia. As escolas não evitam a entrada do novo coronavírus, não são imunes, como se tentou fazer passar. Por isso, a FENPROF tomou posição, ouvidas as opiniões dos especialistas e reclamou a suspensão generalizada do ensino presencial nos estabelecimentos de educação e ensino, pois, principalmente, estamos perante um problema de calamidade sanitária que é necessário suster”, disse, numa reação ao anúncio feito, ao início da tarde, pelo primeiro-ministro, António Costa, na sequência do Conselho de Ministros.

Questionado se a medida irá ter os efeitos pretendidos e se concorda com o  “timing” escolhido, Luís Lobo adiantou que é conhecida a opinião da Fenprof sobre esta matéria e que a estrutura sindical “apresentou em tempo útil, em junho de 2020 propostas muito concretas, numa altura em que o ministério da Educação não tinha, ainda, nada”.  

“Estivemos quase um ano a viver uma situação de embargo do ministério da Educação á resolução dos problemas, entre os quais estão os relacionados com a COVID19 e com as escolas, na relação que estas podem ter com a doença e a sua propagação. Para a FENPROF o problema estavanada criação das condições essenciais de proteção da comunidade educativa. Para isso apresentámos em tempo útil, em junho de 2020 propostas muito concretas, numa altura em que o ministério da Educação não tinha, ainda, nada. Neste quadro, os atrasos impostos pelo ministro da Educação à realização daquilo a que gosta chamar o Diálogo Social, mas não quer praticar no seu país, levou a que a inoperância da administração educativa encalhasse no problema de fundo que é o de as escolas serem um espaço de confluência de cerca de 2 milhões de pessoas, obviamente sujeitas a serem contaminadas”, avançou.

Fotografia: Federação Nacional dos Professores

Interpelado se a Fenprof defende a realização periódica de testes às comunidades escolares, o coordenador do Departamento de Informação da Fenprof e membro do Secretariado Nacional da Federação confirmou que a “medida evitaria que alunos, professores e assistentes operacionais assintomáticos, mas com COVID-19, circulassem livremente sem controlo”.

Quando questionado sobre a afirmação feita várias vezes pelo primeiro-ministro que as escolas não são o principal foco de transmissão da doença, Luís Lobo  afirmou: “O primeiro-ministro diz o que acha que lhe dá mais jeito dizer. Na nossa opinião, as escolas mantiveram-se abertas por três razões e mais uma: com as escolas abertas a economia funciona melhor, com as escolas abertas o governo não precisa de mostrar as fragilidades da sua impreparação para adequar as escolas à eventualidade do ensino a distância, com as escolas abertas, dá-se um sinal positivo de que as pessoas também podem deslocar-se às assembleias de voto no próximo domingo e mais uma… que tem sido apresentada como a principal razão e que é a de que o ensino presencial é a melhor solução para o ensino e para as aprendizagens”.

Confrontado sobre a integração dos professores nos grupos prioritários para vacinação, Luís Lobo realçou que estas medidas “são essenciais para qualquer profissional que seja essencial para o funcionamento dos serviços públicos que são funções essenciais do Estado”.

“Por isso, já que aos professores se lhes pedia que “aguentassem”, entendemos que deveriam estar nas prioridades da vacinação. Repare que, no caso dos sistema de ensino português, temos uma das populações docentes mais envelhecidas da União Europeia e que, por isso, com outra série de doenças crónicas associadas, os professores são um grupo que deveria e teria de merecer um respeito especial, também ao nível da vacinação”, acrescentou.


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