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Paços de Ferreira: Organização faz balanço positivo da manifestação em prol dos comerciantes locais

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Perto de 100 empresários participaram, esta quarta-feira, na manifestação em prol da defesa do comércio local de Paços de Ferreira que saiu do parque Urbano da cidade e desembocou em frente aos Paços do Concelho.

Segundo a organização, o protesto teve como objetivos alertar as autoridades para as dificuldades com que se defronta o setor.

Catarina Jorre, da organização, realçou que apesar do mau tempo, foram muitos os empresários que se juntaram ao protesto, num grito de alerta que teve, também, como objetivo alertar para as medidas restritivas com que o setor tem sido confrontado e agravadas pelas últimas medidas decretadas no dia 18 em Conselho de Ministros pelo Governo.

Catarina Jorge destacou que o grupo de empresários foram recebidos pelo chefe do executivo pacense que se disponibilizou a ajudar os proprietários do comércio local.

“Conseguimos atingir os  nossos objetivos. Queríamos alertar as autoridades para o que se está a passar”, disse, salientando que hoje ao final da tarde um grupo de proprietários vai ser, também, recebido por elementos da Associação Empresarial de Paços de Ferreira, numa tentativa de os sensibilizar para a situação difícil que vive o setor.

A Câmara de Paços de Ferreira declarou, na sua publicação online, que Humberto Brito manifestou total solidariedade aos comerciantes, mostrando-se disponível para fazer chegar as preocupações e angústias evidenciadas ao Governo.

A autarquia referiu que o chefe do executivo pacense “disponibilizou aos comerciantes os serviços camarários para ajudar todos os pequenos e médios empresários a aceder aos fundos de apoio disponibilizados pelo Governo”.

O executivo municipal recordou, ainda, que o município implementou um conjunto de medidas fiscais de apoio à restauração e ao comércio local, já em vigor no nosso concelho, que “permitem atenuar as dificuldades sentidas por todos”.

Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

“Nesse sentido,  o Executivo Municipal estará sempre na primeira linha da defesa das empresas e dos trabalhadores do nosso concelho. Finalmente, todos são unânimes que o combate a esta trágica situação pandémica começa na responsabilidade individual e coletiva”, lê-se na mensagem que o município partilhou na sua publicação online.

Refira-se que na carta aberta que tem como assunto “Estado de Emergência e os Estabelecimentos do Comércio Local no Concelho de Paços de Ferreira”, os empresários Paços reiteram que este documento “não é uma crítica à gestão da pandemia que vivemos, pois não é tempo de críticas”, sendo este um movimento espontâneo e “qualquer tipo de associação partidária, ou outro tipo de apoio”.

“Estamos apenas a manifestar o nosso descontentamento e a usufruir do nosso direito cívico, de uma forma única, consciente e a tentar defender o nosso presente e futuro. Com a declaração de um novo Estado de Emergência e a entrada em vigor do Decreto n.º 3-A/2021, de 14 de janeiro, com as medidas dele constante, se a subsistência dos nossos estabelecimentos já se afigurava difícil, então agora foi-lhes decretada a sua sentença de morte. Todas as medidas que nos têm sido impostas têm por nós sido acatadas e implementadas, porque em momento algum desvalorizamos o vírus e os riscos para a saúde da população, mas atrevemo-nos a dizer que se há setor onde o cumprimento das regras tem ocorrido de forma exemplar é precisamente no nosso”, referem os empresários que dizem estranhar “a dureza das medidas que recaem sobre o setor de atividade” desmistificando, por outro lado, a ideia feita de que estabelecimentos comerciais são “inseguros e os principais focos de contágio, sendo essa uma ideia totalmente errada, pois prova disso é o facto de no nosso setor de atividade o índice de contágio ser diminuto, quando comparado com outros setores”.

Os empresários constatam, por outro lado, que a imposição dos confinamentos tem levado ao desemprego e ao fim de pequenos negócios.

Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

“Impondo confinamentos que não alteram a progressão do vírus em contrapartida leva-se à falência e ao desemprego centenas de milhares de pessoas e pequenos negócios”, recordando que serão muitos os que “vão sofrer as consequências deste “lockdown”.

“Desde o início da pandemia acompanhamos atentos todas as orientações e medidas implementadas e sempre fomos aliados nesse momento de dificuldade, com o intuito de ajudar as autoridades a minimizar os efeitos desta pandemia. Fomos parceiros de primeira hora, quando nos orientaram sobre a necessidade de encerrar o comércio para retardar a disseminação do vírus. Afinal, seria a única maneira de evitar o colapso do nosso fragilizado sistema de saúde. Focamos, todos, no objetivo de achatar a curva e evitar uma tragédia ainda maior”, referem os empresários do comércio local de Paços de Ferreira que questionam: “será coerente manter a mesma postura? Já não temos informações suficientes para entender que será preciso adotar medidas de convivência com o vírus? Até quando vamos insistir em achatar a curva somente com o isolamento social?”

Na carta aberta, os empresários defendem a necessidade de uma mudança de postura.

“Não somos inimigos da ciência, nem pessoas levianas indiferentes ao bem-estar dos nossos colaboradores, clientes, familiares e amigos. Só queremos alertar para a necessidade de uma mudança de postura a fim de que outros problemas também não recaiam, mais uma vez, no sistema de saúde. Afinal, muita gente, devido à crise financeira que se instala no nosso país, não tem mais recursos suficientes para pagar uma mensalidade de um plano de saúde, fazer exames ou até comprar medicamentos de uso contínuo, por exemplo. Sendo assim, a nossa proposta é ir mais a fundo no entendimento das medidas adotadas e corrigir os nossos rumos com humildade. Não é possível continuar a manter uma postura, inicialmente correta, às custas de desemprego e falência em massa de milhares de empresas e do sufocamento financeiro de tantas famílias que delas dependem”, lê-se na respetiva missiva.

Os signatários desta missiva lembram, ainda, que sem empresas não há emprego e sem emprego, milhares de famílias do país  passarão por dificuldades.

“Assim, apelamos a que vossas excelências apliquem medidas ajustadas à realidade de quem, todos os dias, faz prosperar a economia portuguesa, apelamos a que nos DEIXEM TRABALHAR, nos deixem abrir os nossos estabelecimentos! QUEREMOS APENAS TRABALHAR COM SEGURANÇA, por nós, pelos nossos e pela sociedade!” avançam os empresários que sugerem que esta atuação seja valorizada pelas entidades, transmitindo para a população que os estabelecimentos do concelho são seguros.

 “Como nossos representantes, rogamos-lhe que façam ouvir a nossa voz junto dos membros do Governo, dando a conhecer a nossa conduta exemplar no cumprimento das regras impostas e ao mesmo tempo as nossas dificuldades, para que possam ser aprovadas medidas que nos permitam continuar o exercício da nossa atividade e assim assegurar o sustento das nossas famílias e das famílias dos nossos colaboradores. Perante a urgência e a gravidade da situação, apelamos aos Senhores Presidentes para que não deixem de atender a esta nossa carta aberta, e promovam a adoção de medidas que permitam salvar o nosso setor, evitando a destruição dos estabelecimentos e extinção dos postos de trabalho que aqueles asseguram”,  concretizam.


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