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Estabelecimentos do comércio local de Paços de Ferreira realizam manifestação em defesa do setor

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Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

Vários proprietários do comércio local do concelho de Paços de Ferreira vão concentrar-se, esta quarta-feira, junto ao município, com o objetivo de alertar as dificuldades que o setor em geral está a atravessar e que as sucessivas medidas anunciadas recentemente em vários Conselhos de Ministros têm contribuído para penalizar ainda mais.

A manifestação irá partir do Parque Urbano Paços de Ferreira desembocando nos Paços do Concelho, com os proprietários dos estabelecimentos a entregarem uma carta aberta ao presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Humberto Brito, no sentido de sensibilizar as autoridades locais e nacionais para os problemas que as sucessivas restrições estão a provocar  no comércio local.

Ao Novum Canal, Catarina Jorge, proprietária de um pronto a vestir em Paços de Ferreira, situado na Praça da República, reconheceu que as medidas anunciadas, ontem, pelo primeiro-ministro vêm uma vez mais penalizar  um setor já de si bastante penalizado pelas medidas restritivas que têm sido implementadas.

“Não foram apenas as medidas anunciadas esta segunda-feira que estão a lesar o comércio em geral do concelho, são todas as outras já anteriormente tomadas. Não entendemos a razão de estarmos sempre a ser os visados. Continuamos a ser os mais prejudicados. São os pequenos estabelecimentos que estão  a pagar a fatura” disse, salientando que esta realidade está longe de ser idêntica à que se verifica, por exemplo, nas superfícies comerciais.

Catarina Jorge manifesta, ainda, não entender as razões e os critérios adotados de continuar a penalizar sempre os mesmos, quando os estabelecimentos comerciais em geral têm sido os que mais cumprem com as regras e as orientações emanadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS).

“Cumprimos  com todas as regras das autoridades, desinfetamos todo o espaço sempre que sai um cliente, mas o que verificamos é que as medidas emanadas  pelas autoridades é de encerramento dos estabelecimentos comerciais. Temos a mais-valia das vendas online, mas temos contas a pagar ”, avança, sublinhando que a manifestação agendada para esta quarta-feira não foi marcada com o objetivo de pedir apoios, mas simplesmente reivindicar que os governantes deixem os proprietários dos estabelecimentos do comércio local trabalhar.

A proprietária deste pronto a vestir em Paços de Ferreira recorda, por outro lado, que o comércio em geral é também um contribuinte líquido da economia dos territórios e do país que contribuiu para o desenvolvimento dos mesmos e deve ser encarado como tal.

Sobre a adesão à manifestação esperada para esta quarta-feira, Catarina Jorge afirma estar confiante que os proprietários dos vários estabelecimentos que integram este movimento vão comparecer em massa e fazerem-se ouvir em prol da defesa dos seus negócios e estabelecimentos,  transmitindo, também, através da autarquia local, aquilo que são as suas preocupações e reivindicações ao Governo.

Na carta aberta que tem como assunto “Estado de Emergência e os Estabelecimentos do Comércio Local no Concelho de Paços de Ferreira”, que tem como destinatário o chefe do executivo da autarquia pacense, o presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, os presidentes das Juntas de Freguesia do concelho e o presidente da Associação Empresarial de Paços de Ferreira, os empresários de Paços começam por referir que esta “carta não é uma crítica à gestão da pandemia que vivemos, pois não é tempo de críticas”, sendo este um movimento espontâneo e “qualquer tipo de associação partidária, ou outro tipo de apoio”.

Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

“Estamos apenas a manifestar o nosso descontentamento e a usufruir do nosso direito cívico, de uma forma única, consciente e a tentar defender o nosso presente e futuro. Com a declaração de um novo Estado de Emergência e a entrada em vigor do Decreto n.º 3-A/2021, de 14 de janeiro, com as medidas dele constante, se a subsistência dos nossos estabelecimentos já se afigurava difícil, então agora foi-lhes decretada a sua sentença de morte. Todas as medidas que nos têm sido impostas têm por nós sido acatadas e implementadas, porque em momento algum desvalorizamos o vírus e os riscos para a saúde da população, mas atrevemo-nos a dizer que se há setor onde o cumprimento das regras tem ocorrido de forma exemplar é precisamente no nosso”, referem os proprietários que dizem estranhar “a dureza das medidas que recaem sobre o setor de atividade” desmistificando, por outro lado, a ideia feita de que estabelecimentos comerciais são “inseguros e os principais focos de contágio, sendo essa uma ideia totalmente errada, pois prova disso é o facto de no nosso setor de atividade o índice de contágio ser diminuto, quando comparado com outros setores”.

Os empresários constatam, por outro lado, que a imposição dos confinamentos tem levado ao desemprego e ao fim de pequenos negócios.

“Impondo confinamentos que não alteram a progressão do vírus em contrapartida leva-se à falência e ao desemprego centenas de milhares de pessoas e pequenos negócios”, afirmam, recordando que serão muitos os que “vão sofrer as consequências deste “lockdown”.

“Desde o início da pandemia acompanhamos atentos todas as orientações e medidas implementadas e sempre fomos aliados nesse momento de dificuldade, com o intuito de ajudar as autoridades a minimizar os efeitos desta pandemia. Fomos parceiros de primeira hora, quando nos orientaram sobre a necessidade de encerrar o comércio para retardar a disseminação do vírus. Afinal, seria a única maneira de evitar o colapso do nosso fragilizado sistema de saúde. Focamos, todos, no objetivo de achatar a curva e evitar uma tragédia ainda maior”, precisam os empresários do comércio local de Paços de Ferreira que questionam: “será coerente manter a mesma postura? Já não temos informações suficientes para entender que será preciso adotar medidas de convivência com o vírus? Até quando vamos insistir em achatar a curva somente com o isolamento social?”

Na carta aberta, os empresários defendem a necessidade de uma mudança de postura.

“Não somos inimigos da ciência, nem pessoas levianas indiferentes ao bem-estar dos nossos colaboradores, clientes, familiares e amigos. Só queremos alertar para a necessidade de uma mudança de postura a fim de que outros problemas também não recaiam, mais uma vez, no sistema de saúde. Afinal, muita gente, devido à crise financeira que se instala no nosso país, não tem mais recursos suficientes para pagar uma mensalidade de um plano de saúde, fazer exames ou até comprar medicamentos de uso contínuo, por exemplo. Sendo assim, a nossa proposta é ir mais a fundo no entendimento das medidas adotadas e corrigir os nossos rumos com humildade. Não é possível continuar a manter uma postura, inicialmente correta, às custas de desemprego e falência em massa de milhares de empresas e do sufocamento financeiro de tantas famílias que delas dependem”.

Os signatários desta missiva lembram, ainda, que sem empresas não há emprego e sem emprego, milhares de famílias do país  passarão por dificuldades.

“Assim, apelamos a que vossas excelências apliquem medidas ajustadas à realidade de quem, todos os dias, faz prosperar a economia portuguesa, apelamos a que nos DEIXEM TRABALHAR, nos deixem abrir os nossos estabelecimentos! QUEREMOS APENAS TRABALHAR COM SEGURANÇA, por nós, pelos nossos e pela sociedade!” declaram os empresários que sugerem que esta atuação seja valorizada pelas entidades, transmitindo para a população que os estabelecimentos do concelho são seguros.

 “Como nossos representantes, rogamos-lhe que façam ouvir a nossa voz junto dos membros do Governo, dando a conhecer a nossa conduta exemplar no cumprimento das regras impostas e ao mesmo tempo as nossas dificuldades, para que possam ser aprovadas medidas que nos permitam continuar o exercício da nossa atividade e assim assegurar o sustento das nossas famílias e das famílias dos nossos colaboradores. Perante a urgência e a gravidade da situação, apelamos aos Senhores Presidentes para que não deixem de atender a esta nossa carta aberta, e promovam a adoção de medidas que permitam salvar o nosso setor, evitando a destruição dos estabelecimentos e extinção dos postos de trabalho que aqueles asseguram”,  lê-se na missiva que será entregue ao chefe do executivo pacense.


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