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Operadores da restauração apreensivos que novas medidas de confinamento possam aprofundar dificuldades

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Fotografia: Miguel Ribeiro

Os operadores da restauração confessam estarem apreensivos que o anúncio de novas medidas no âmbito do novo estado de emergência possam expor um setor que tem vivido com extremas dificuldades e sujeito a várias medidas restritivas.

Ao Novum Canal, Miguel Ribeiro, proprietário da Casa da Eira, localizada  em Paços de Ferreira,  reconheceu que não há já adjetivação que possa classificar as dificuldades que atravessam  os operadores do setor da restauração e similares.

“Teremos que esperar pelas  novas restrições e as novas leis que vão sair, Existem alguns cenários em cima da mesa, fala-se da possibilidade da restauração e do comércio fecharem na totalidade até dia 13 de fevereiro. Obviamente que essa situação iria tornar-se insustentável para muitas empresas. Em março, abril e maio, o setor esteve parado 74 dias com mais 30 dias, agora, a situação iria ficar verdadeiramente insustentável. Prevejo um cenário complicado e difícil para a restauração em todo o país. Obviamente que uns vão sofrer mais do que outros, mas todos vamos sofrer e é insuportável, neste momento, ter um futuro”, disse, sustentando que a situação do setor em Paços de Ferreira, no cômputo geral, é idêntica à de outras cidades.

“Tenho feito algumas visitas a outras cidades, Porto, Guimarães, Braga e mesmo Lisboa e o que verifico é que as coisas não estão fáceis. Nota-se que há apreensão por parte das pessoas para se deslocarem à restauração. Não há a mesma adesão, as quebras são significativas e não é fácil aguentar”, avançou.

Fotografia: Miguel Ribeiro

Questionado sobre a decisão da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) solicitar ao Governo que, face a um novo confinamento e ao encerramento dos estabelecimentos de restauração e similares ao público, seja permitido o respetivo funcionamento em regime de delivery (entregas ao domicílio) e take-away e em regime de drive-thru, Miguel Ribeiro admitiu que estes são  serviços que os restaurantes podem utilizar, embora  tenha vincado ter algumas dúvidas relativamente aos mesmos.

“Em meios mais pequenos como Paços de Ferreira ou então fora das grandes cidades, tirando Porto, Braga, Guimarães, tenho muitas dúvidas relativamente a este tipo de serviços. Cada espaço poderá atuar da forma que deve atuar, mas tenho reservas relativamente a essas opções e ao sucessos dessas forma de trabalho”, concretizou, salientando que o setor está preocupado com a saúde pública, mas quer trabalhar para poder honrar com os compromisso aos trabalhadores e aos fornecedores.

“Não podendo trabalhar,  não conseguiremos cumprir com isso. Com mais trinta dias de confinamento não vai ser fácil gerir todo este processo porque os apoios não são os que se fala na comunicação social. Estamos a aguardar que apareçam e que sejam reais e que não nos enterram mais”, confirmou.

Fotografia: O Farela

Adolfo Teixeira, do Restaurante O Farela, em Penafiel, unidade de restauração que completa 20 anos no dia 3 de março, mostrou-se igualmente preocupado com a situação do setor e das vulnerabilidade que a crescente implementação das medidas restritivas vieram trazer à restauração.

Sobre as eventuais medidas que o novo confinamento possa trazer, Adolfo Teixeira admitiu que a existirem mais restrições no setor será a morte anunciada da restauração e a machada final em muitos operadores que estão já com dificuldades acrescidas.

O proprietário do Farela realçou que o setor já no ano transato, aquando da primeira vaga, foi fortemente castigado, e quando estava a dar sinais de alguma recuperação é atingido pela segunda vaga, o que vez adensar os receios e a incerteza entre muitos operadores do setor, numa altura em que estavam a tentar minimizar os custos e garantir a sobrevivência quer dos espaços, quer dos funcionários e até liquidar os seus compromissos.

“Os jantares de Natal que por tradição são o balão de oxigénio para muitos restaurantes simplesmente não existiram. No nosso do Farela, perdemos os jantares de Natal”, disse, manifestando que as restrições impostas também no  âmbito do estado de emergência, com o encerramento dos restaurantes e espaços ligados à restauração, mais cedo, aos fins de semana acabou por penalizar severamente muitos operadores.

Questionado sobre os apoios que o Governo prometeu, Adolfo Teixeira recordou, o lay-off de Março de 2020 não entrou todo, reconhecendo que existem muitas unidades que vão ter dificuldades em  manter os seus estabelecimentos a funcionar.

“No caso do nosso restaurante, como dispomos de um espaço exterior conseguimos de alguma forma minimizar os prejuízos, mas tenho outro colegas que não dispõem das mesmas condições e que estão com sérias dificuldades. Por outro lado, trabalhar apenas com cinco mesas, reconheço que não é fácil e isso acaba por ter impactos na tesouraria e no volume de faturação”, frisou, sustentando que quem tiver rendas altas e pagar a vários funcionários, a situação torna-se ainda mais complexa.  


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