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Grupos culturais da região expectantes quanto a retoma no setor

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Fotografia: Teatro da Linha 5

Depois de em 2020 as instituições, associações e coletividades ligadas à área da cultura terem sido severamente punidas pela crise sanitária e pelo consequente adiar de atividades, espetáculos e outras manifestações,  no início de 2021 são vários os agentes e atores que mantém expectativas, mas também, reservas face àquilo que poderá ser este ano em termos culturais.

Ao Novum Canal, o presidente da direção do Cais Cultural de Caíde de Rei, Luís Peixoto, assumiu que 2021 será um ano ainda marcado pelas condicionantes do surto pandémico que continua a afetar a região e o país, mas reconheceu ser necessário “trabalhar em superação, por forma a reinventar as atividades”.

“Estamos conscientes que 2021 continuará pautado por diversas condicionantes provocadas pela pandemia, mas acreditamos na ciência e na eficácia da vacina, por forma a encarar este ano com mais confiança e expectativa.  É sabido que o setor da cultura foi e será bastante afetado, mas cabe-nos, enquanto agentes culturais, trabalhar em superação, por forma a reinventar as atividades, para continuar a atrair o público que precisa de cultura. Relativamente ao teatro, e em concreto ao Teatro da Linha 5, esperamos voltar com mais apresentações, uma vez que em 2020 o teatro amador esteve praticamente parado. Ainda estudamos a hipótese de uma nova peça de teatro ou a adaptação de uma outra já apresentada em 2015, mas acabamos por descartar as ideias. Estamos certos que se as restrições nos permitirem, levaremos teatro ao nosso público com uma peça que não deixará ninguém indiferente”, disse, salientando que a companhia Teatro da Linha 5, um dos projetos do Cais Cultural de Caíde de Rei, ainda não tem qualquer agenda para o teatro.

“Ainda não temos qualquer agenda para o teatro. Foram muitos os espetáculos adiados e cancelados em 2020 e, por isso, acreditamos que em 2021 possamos recuperar alguns desses espetáculos. Estamos todos ansiosos para voltar ao palco”, avançou.

O responsável  pela direção do Cais Cultural afirmou que apesar das circunstâncias atuais e das adversidades que estão a penalizar  também o setor da cultura, a associação quer continuar a promover uma cultura de proximidade com os muitos seguidores do trabalho da instituição.

“Queremos manter em 2021 o lema “Cais na Rua”, criando cultura de proximidade, evitando grande ajuntamentos. Temos em projeto várias opções para levar às pessoas apresentações de teatro e outras artes do espetáculo, no entanto estamos dependentes das restrições para percebermos o que realmente poderemos fazer”, concretizou,  reconhecendo que 2020 em termos culturais foi um ano marcado pelas dúvidas, pelos receios, mas ao mesmo tempo desafiante.

“Foi um ano completamente diferente, com muitas dúvidas, receios e medos, mas ao mesmo tempo tornou-se um ano desafiante. Com as medidas de contingência, fomos obrigados a fechar fisicamente o Cais Cultural em março. O encerramento de portas mantém-se até hoje. Sem o nosso Cais e com todas as limitações, seria muito difícil adaptar as atividades previstas. Desta forma, este encerramento de portas fez-nos abrir outras. Obrigou-nos a muita resiliência, flexibilidade e capacidade de mudança e adaptação. Fomos capazes de manter uma vasta programação online ao longo do ano, apostando em programas diversificados e inovadores: teatro online, partilha de leituras, entrevistas e concurso de fotografia. Além disso, apostamos em atividades ao ar livre, como animações de rua (música pela freguesia por altura da festa da terra e o passeio do Pai Natal com oferta de doces e balões às crianças), concerto no exterior da Quinta dos Ingleses e atividades ambientais, como a criação do “Trilho Zé do Telhado” (dinamização de caminhadas) e a limpeza da Ribeira de Caíde. Não esquecendo as atividades solidárias, como oferta de máscaras, entregas de compras ao domicílio e oferta de bens aos sem-abrigo”, concretizou.

Falando ainda das consequências e impactos que o surto pandémico teve  no teatro, uma das vertentes que é também explorada pela instituição,  Luís Peixoto declarou que o surto pandémico não poupou esta disciplina, com consequências severas para os seus intérpretes, os atores e atrizes.

“Como em todas as áreas culturais, o teatro foi fortemente afetado pela Covid-19. Sabemos que os profissionais do teatro atravessam grandes dificuldades e estamos solidários com todos”

Fotografia: Cais Cultural de Caíde de Rei

“Como em todas as áreas culturais, o teatro foi fortemente afetado pela Covid-19. Sabemos que os profissionais do teatro atravessam grandes dificuldades e estamos solidários com todos. No caso do Teatro da Linha 5, acabamos por não terminar a nova peça que apresentaríamos, cancelamos os ensaios e o nosso 5.º festival de teatro (FESTAC), bem como a participação em diferentes eventos ao longo do ano ficou sem efeito. O nosso grupo em 2020 apenas participou no Carnaval de Lousada e num festival de teatro em Vila do Conde. Valeu a adaptação para o formato online de diferentes iniciativas, por forma a manter vivo o gosto pelo teatro amador”, acrescentou, mostrando, no entanto, expectante que 2021 vai ser um ano diferente em termos culturais.

“Não tenho qualquer dúvida: 2021 será um ano diferente e desafiante. Esperamos que este novo ano seja de reversão da pandemia e, consequentemente, um ano de viragem para a cultura. Depois de tempos difíceis, o público está sedento de eventos culturais e, sem dúvida, que a cultura terá uma tendência crescente”, afiançou.   

Questionado sobre as linhas de apoio criadas pelo Governo, nomeadamente, a “linha de apoio social”, a “linha de apoio a entidades artísticas” e a “linha de apoio à adaptação dos espaços” para minimizar os efeitos negativos do surto pandémico junto dos atores e agentes culturais, Luís Peixoto admitiu que os apoios são sempre relevantes, mas recordou que associações sem fins lucrativos e grupos de teatro amador, não receberam qualquer apoio.

“Claro que todo o tipo de apoios são sempre bem-vindos, principalmente para os profissionais, apesar de ter consciência que são sempre poucos. No entanto, quando falamos de associações sem fins lucrativos e grupos de teatro amador, não existiu qualquer linha de apoio. Também nós temos as nossas despesas e é sabido que as receitas diminuíram substancialmente, já que essas provinham do público que participava nas diferentes atividades. Ora, não havendo público, não entra grande parte do dinheiro para a associação”, esclareceu.

“Nesta altura, ainda é imprevisível apontar as atividades que iremos realizar ao longo do ano. Contudo, assim que as medidas permitam um melhor funcionamento do Cais Cultural, avançaremos com aquelas atividades que já eram as habituais”

Interpelado sobre quais as atividades que o Cais Cultural tem previstas até ao final do ano, Luís Peixoto confirmou que é extemporâneo, nesta fase,  fazer agendamento de atividades.  

“Nesta altura, ainda é imprevisível apontar as atividades que iremos realizar ao longo do ano. Contudo, assim que as medidas permitam um melhor funcionamento do Cais Cultural, avançaremos com aquelas atividades que já eram as habituais: apresentações de teatro, sessões de leituras, eventos gastronómicos, entre outros, com todas as adaptações possíveis e necessárias. A criação de diferentes conteúdos online também continuaram a ser uma realidade para conseguirmos alcançar mais público. Daremos ainda forte destaque a atividades ambientais já iniciadas em 2020, nomeadamente o “Trilho Zé do Telhado” e a limpeza da Ribeira de Caíde. Uma coisa é certa, em 2021 o Cais Cultural de Caíde de Rei continuará a criar cultura”, afiançou.

Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

Luís Miguel Martins, presidente da direção da Associação de Desenvolvimento e Amigos da Terra de Carvalhosa (Adaterra), alinhou pela mesma bitola quanto ao reinício das atividades e agendamento das propostas culturais.

“Face à atual incerteza quanto ao rumo da pandemia de COVID-19, prevemos que o ano 2021 se inicie ainda com bastantes restrições e regras no que diz respeito à realização de espetáculos. Naturalmente esperamos que, ao longo do ano, essas medidas de higiene e segurança sanitárias possam gradualmente ser adaptadas, de forma a podermos realizar os espetáculos que tínhamos agendados em 2020 e os que possam vir a ser programados para o presente ano”, adiantou.

“No entanto, se a evolução for favorável até lá, há perspetiva de, no mês de março, para a comemoração do Dia Mundial do Teatro, se realizar um espetáculo para um público, ainda muito restrito, inserido nas comemorações dos 15 anos da Associação ADATERRA”

Falando do Grupo de Teatro Adaterra,  o responsável pela instituição esclareceu que o grupo está sem espetáculos agendados, devido às restrições e diretrizes impostos pelas autoridades de saúde.

“Não, neste momento, a companhia está sem espetáculos agendados, por questões de segurança sanitária e por decisão unânime do grupo de teatro, pelo menos enquanto o enquadramento epidemiológico da pandemia não permitir um mínimo de segurança para os atores/atrizes e público. No entanto, se a evolução for favorável até lá, há perspetiva de, no mês de março, para a comemoração do Dia Mundial do Teatro, se realizar um espetáculo para um público, ainda muito restrito, inserido nas comemorações dos 15 anos da Associação ADATERRA que estão a ser preparadas”, afirmou, referindo que para este ano o grupo irá manter em cena a peça de teatro “Guerra dos sexos”, que estreou em novembro de 2019.  

“Visto que a temporada que tínhamos agendado foi cancelada no início do mês de março. Há em perspetiva a produção de nova peça de teatro para o final do ano 2021, mas nada ainda em concreto”, assumiu.

Sobre o ano transato e os efeitos do surto pandémico na cultura, Luís Miguel Martins confirmou que foi um ano “terrível” com muitas associações e coletividades a enfrentarem sérias dificuldades.

“Foi um terrível desastre, o suspiro final de uma área que estava em cuidados paliativos há muitos anos a nível nacional e regional. Se anteriormente era difícil manter uma atividade cultural ativa, diversificada e atrativa, principalmente a nível local, com a pandemia o resultado foi o fechar portas de várias associações culturais, sem perspetivas de voltarem, tão cedo, ao ativo”, manifestou, sustentando que devido à crise sanitária a grupo de teatro  teve de cancelar várias atividades.

“O grupo tinha preparado participar em alguns festivais de teatro e fazer intercâmbio com outros grupos, o que foi logo cancelado. Também tínhamos já alguns espetáculos agendados para os meses de março e abril que não se realizaram”, sublinhou.

“As pequenas associações, teatro amador, como é o nosso caso, dependem do financiamento e ajuda por parte das entidades locais, nomeadamente autarquias”

A nível local, Luís Miguel Martins relevou, também, o trabalho que o Grupo Adaterra tem feito ao nível da formação tendo como público-alvo as crianças, os jovens e adultos.

“O Grupo de Teatro ADATERRA veio a desenvolver, ao longo dos já 14 anos de atividade, uma ação de educação para as artes de palco e espetáculo a nível local, com a sensibilização da população para a importância da cultura. É inegável o trabalho que o grupo tem feito, inclusivamente a nível de formação na área a crianças, jovens e adultos, despertando para um sentido crítico e artístico. A pandemia veio trazer o encerramento da companhia e, portanto, ao seu silêncio. As pessoas afastaram-se do teatro e muito do trabalho que anteriormente tínhamos feito, um trabalho que necessita de ser regular, poderá ter-se perdido. Apenas quando iniciarmos novamente os trabalhos vamos ter noção do impacto e consequências. É certo que o afastamento do público da cultura é um deles. Depois a nível mais particular, uma associação sem fins lucrativos tem dependência de financiamento que advém de parcerias culturais com instituições. A falta de espetáculos terá um impacto significativo financeiro na associação”,clarificou, reconhecendo que qualquer  alteração que possa surgir no panarama cultural  dependerá do evoluir da pandemia.

“Tenho esperança que seja um ano de recomeço”, disse, recordando que as linhas de apoio criadas pelo Governo, nomeadamente, a “linha de apoio social”, a “linha de apoio a entidades artísticas” e a “linha de apoio à adaptação dos espaços” aplicam-se, sobretudo, a grandes companhias nacionais.

“Esses apoios aplicam-se, sobretudo, a grandes companhias nacionais ou estruturas culturais de grande dimensão. As pequenas associações, teatro amador, como é o nosso caso, dependem do financiamento e ajuda por parte das entidades locais, nomeadamente autarquias. Até ao momento, tirando ajuda por parte da Junta de Freguesia de Carvalhosa, ainda não tivemos nenhum contacto para apoio por parte da Câmara Municipal de Paços de Ferreira”, vincou, declarando que o plano de atividades para 2021 da associação ainda está a ser preparado.

“Iremos focar, sobretudo, em atividades de promoção dos 15 anos da fundação da Associação ADATERRA, seja a nível do teatro, saúde, música, património local. O programa de comemorações será apresentado em breve”, referiu.


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