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O Nutricídio – Artigo de Opinião

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Todos sabemos que é importante mantermos um estilo de vida saudável, não só para prevenir o aparecimento de doenças, mas também para permitir que se viva mais tempo e com boa qualidade de vida. Não obstante, existem patologias cuja intervenção nutricional é imperativa para a diminuição da carga total da doença, sendo esta fundamental ao longo do ciclo de vida. Por estas e por muitas outras razões, os Nutricionistas têm um papel fundamental na saúde humana e também na sociedade, o que é algo inquestionável (ou pelo menos devia ser) mas, para alguns, não só é questionável como ainda acham que esse facto não tem a menor importância.

Na discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2021 foram reprovadas uma série de propostas relativas à inclusão de Nutricionistas em vários locais onde a sua intervenção é (ou deveria ser) considerada fulcral. Os caros leitores podem pensar que estarei a ser corporativista, a puxar a brasa à minha sardinha, mas a questão aqui não é essa.  De outro modo vejamos; acham que faz sentido instituições sociais e solidárias que alberguem idosos não terem um Nutricionista? Pois bem, isso foi proposto e foi reprovado. E eu pergunto; os idosos não terão direito a ter os melhores cuidados ao nível alimentar? Fará sentido existirem instituições, que têm a seu cargo idosos a quem servem refeições, com as mais diversas patologias, não terem um Nutricionista? Ter um Nutricionista para, apenas, realizar ementas não chega. Isto porque ninguém garante a esse profissional que as mesmas estão a ser cumpridas e se todos os requisitos de higiene e segurança alimentar associados à confeção das refeições estão a ser cumpridos. Sentir-se-ia bem em ter os seus pais em locais em que não há garantia de uma correta alimentação e nutrição? Tem filhos no infantário? Acha que faz sentido serem servidas refeições sem que as mesmas possam ter sido “auditadas” por um Nutricionista? Não considero que ter um Nutricionista nestas instituições seja um luxo, ou algo a desprezar. E para “piorar” as coisas, os excelentíssimos deputados, reprovaram uma medida que visava concluir um procedimento concursal, já em execução — quer isto dizer que já foram entrevistados candidatos e já foi feita toda uma logística para o efeito — inviabilizando assim a contratação de 40 Nutricionistas para os centros de saúde.

É um facto que o Covid19 tem despendido uma série de recursos. Contudo, o mundo atual está muito longe de ser só e apenas Covid19. Existe hipertensão, diabetes, dor crônica, problemas cardiovasculares, renais, etc. Por outro lado, os senhores que nos governam e que por sua vez tomam as decisões devem de uma vez por todas deixar de serem reativos e sim preventivos.

Enquanto não se tiver consciência disto, a saúde em Portugal e o seu sistema não irá melhorar.

Para além do supracitado, foi patente o desinteresse e o escasso valor que os excelentíssimos deputados (pelo menos a sua maioria, pois ainda existiram alguns que lutaram contra a maré) dão a uma classe profissional que tem como missão ajudar a melhorar os hábitos alimentares e a saúde das pessoas. O que aconteceu foi um nutricídio, a destruição da honra de uma classe profissional. Os Nutricionistas não são profissionais de saúde de 4ª categoria. São de 1ª como todos os outros.

Em última nota, considero incompreensível como é que, em pleno século XXI, nomeamos pessoas, para nos representarem, e estas tenham a audácia de se abster nas votações.


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