Novum Canal

mobile

tablet

Sobre o Pai Natal…do teletrabalho na Lapónia à descoberta da sua inexistência…

Partilhar por:

A época natalícia chegou, e ao contrário dos anos anteriores, não encontramos o Pai Natal nas ruas, nos centros comerciais, nas festas de Natal dos jardins-de-infância e escolas, a ouvir as crianças com o rol de pedidos de presentes sonhados ao longo do ano, e sobretudo muito desejados nestes últimos meses que antecedem a véspera de Natal. Não há beijos e abraços nem fotografias ao colo desta simpática figura de barbas brancas e roupas vermelhas!

Estará o Pai Natal confinado na sua casa na Lapónia, no polo Norte, conforme recomendações da DGS, também ele a cumprir as orientações no que toca às medidas sanitárias, sendo ele próprio pertença a um grupo de risco?! Ou andará muito ocupado a organizar os Elfos nas fábricas de brinquedos, que nesta altura sofrem um acréscimo nos turnos, a dar ordens e instruções, a catalogar as cartas que recebeu e ainda estarão a chegar? Que azafama…A verdade é que este ano o Pai Natal está recatado, não se encontra em lado nenhum… também o teletrabalho, obrigatório sempre que possível, terá chegado ao Polo Norte?! São estas algumas das questões, por certo que povoam o pensamento das crianças!

O que tem dito aos seus filhos sobre esta temática? O que tem respondido aos seus filhos, aos seus alunos, netos, sobrinhos, sobre esta figura tão representativa do Natal? E como vai o Pai Natal entrar em casa das crianças, se não o pode fazer, ou terá ele um livre-trânsito para cruzar continentes e circular de madrugada?! Vai deixar álcool gel e uma máscara no parapeito da chaminé?! Como repensar esta magia?

 Estará também esta pandemia do SARS-Cov2 a ajudar a esquecer uma das figuras mais ternurentas, carinhosas e ansiadas na noite de Natal?

Ao aproximar a magia e o mundo imaginário à realidade que temos experienciado ao longo deste ano, em virtude da situação de pandemia, poderá ajudar a compreender, aceitar e reinventar uma nova forma de conceber esta época natalícia, e em particular o mito do Pai Natal, se assim for entendível, mediante as necessidades de cada criança.

A par de outras figuras míticas, como a fada dos dentinhos, o coelhinho da Páscoa, o Pai Natal ainda assim é talvez de todas a que mais assume uma imagem real, desde logo pela presença física em vários contextos em que participam as crianças. Estas figuras dotadas de magia alimentam um mundo interior, onde o faz de conta e a imaginação ditam as regras e despertam a curiosidade e resiliência! São elementos também importantes e promotores do desenvolvimento da criança, nomeadamente do desenvolvimento emocional. 

Para as crianças mais atentas, sobretudo para aquelas crianças que estão tentadas a descobrir, na sua capacidade de questionamento emergente e que já equacionam sobre a sua existência ou não, pode ser esta uma oportunidade de aceitação, daquilo que os primos, os irmãos mais velhos e mesmo os coleguinhas mais velhos da escola já sabem e já descobriram antes deles, ou mesmo nas mensagens por vezes paradoxais dos adultos! É natural a partir de determinada idade, começarem a surgir as questões chave: “Então e como é que o Pai Natal consegue numa só noite levar os presentes a todas as crianças do mundo? Como é que sabe o presente que eu quero? Como é que ele sabe onde moro? Como é que ele desce pela chaminé? Ele é tão velhinho… Como é que nunca ninguém o vê? E as renas voam e puxam um trenó carregadíssimo de brinquedos, pelos céus?!”

Começam pois a interrogar-se sobre o sentido real da história do Pai Natal. Esta equação ocorre por volta dos 7-8 anos, e quase como um acontecimento que acompanha o crescimento natural da criança. Qual é então a idade certa para abordar esta questão, para pensar criticamente sobre a magia que envolve a existência do Pai Natal e do mundo de fantasia que o envolve e que lhes foi incutida até então?

Diria que não há necessariamente a atribuição de uma idade, mas antes de uma necessidade que a própria criança irá manifestar e expressar. Diria que este questionamento emergente deve ser um processo natural, orientado e suportado pelo adulto, partindo do que ela já sabe e ouviu, da informação que tem e onde a obteve, do que quer saber, de forma a que se auscultem as dúvidas e construam as respostas, no seu tempo e espaço de crescimento. Permitir a elaboração do pensamento, dos sentimentos e das emoções, transformando esta descoberta, em aprendizagem e como uma conquista positiva e normativa do próprio processo de crescimento, evitando assim sentimentos de angústia, desilusão e frustração, que muitas vezes preocupam os pais, ao antecipar este momento.

Assim, entendo que a resposta será, até onde a criança quiser acreditar! – Reiterando que a descoberta, possa ser um processo natural, suportado e orientado, assente no próprio nível de desenvolvimento da criança, marcador que possibilitará também compreender e diferenciar a realidade da fantasia, onde residem inúmeros seres e super-heróis!

Como diz a minha filha mais nova, aos 8 anos acabados de celebrar, que entre o questionar e o acreditar, diz – “Mãe, eu ainda quero acreditar no Pai Natal!” Pois bem, e é tão bom acreditar! Até quando ela quiser!… Por isso, o Pai Natal tem estado em teletrabalho!!


Partilhar por:

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Receba todas as novidades!

Subscreva a nossa Newsletter

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Ajude o Jornalismo Regional

IBAN: PT50 0045 1400 4032 6005 2890 2
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo

Obrigado!

Estamos a melhorar por si.
Novum Canal, sempre novum, sempre seu!