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AEPF propõe testes rápidos e ajuda para restauração e comércio ao Governo

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Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

A Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF) defendeu, esta sexta-feira, em carta aberta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, ajuda para os setores do comércio local e restauração.

Na missiva enviada ao Governo, a direção da AEPF propôs o acesso e apoio à condução de testes rápidos capazes de isolar imediatamente os casos positivos.

Segundo a AEPF, a realização destes testes será muito mais consequente na identificação de casos positivos em grandes blocos da população da população.

“Precisamente porque muitas empresas concentram equipas de dezenas de pessoas, este exercício será muito mais consequente na identificação de casos positivos em grandes blocos da população do que os sistemas atuais de deteção individualizada em total dependência do SNS, e cuja subdimensão perante a densidade populacional da região é gritante”, lê-se na carta aberta.

A direção da AEPF propôs um “reforço das equipas e mecanismos de saúde pública capazes de garantir que os períodos previstos para entrada e saída de isolamento profilático (ou baixa médica devida a infeção por COVID19) sejam expeditos” .

“Na prática, há centenas de empresas que a somar a todas as dificuldades já descritas têm que lidar com ausências dos seus trabalhadores que chegam a somar 2 vezes mais o período previsto pelas normas da Direção Geral de Saúde, simplesmente porque os atrasos nas marcações de testes, obtenção de resultados, comunicações intermédias ou altas ficam a aguardar disponibilidade de pessoal”, refere a estrutura diretiva que aponta com a necessidade de serem igualmente sejam implementadas medidas de forma justa para os setores comércio local e restauração.

“ Por outro lado, e com nível de preocupação acrescido, estão as empresas do comércio local e restauração, também representadas pela Associação Empresarial de Paços de Ferreira, para as quais o desafio é o do próprio mercado, sem o qual simplesmente não é possível sobreviver. Será seguramente um equilíbrio fino aquele que nos propele a salvar vidas enquanto salvamos ganha-pão, mas é importante que as medidas sejam tomadas de forma mais justa. Isto é, para as empresas do comércio e restauração, será importante salvaguardar níveis de suporte adicional porque o condicionamento à sua atividade económica tem vindo a ser um dos maiores impostos por comparação setorial. Em Paços de Ferreira, quase 5.000 pessoas trabalham nestes dois setores”, frisa, reconhecendo ser “importante que a ajuda chegue de forma célere, principalmente medidas diretas de gestão de liquidez, que salvaguardem condições de sustentação dos negócios”.

Neste domínio, a AEPF propõe “regimes especiais de perdão e/ou pagamento de custos fixos e variáveis, nomeadamente retenção na fonte do IRS, contribuições e quotizações para a Segurança Social, IVA, IMI, Derrama, taxas fixas de água, luz e lixo, etc”, assim como a “ampliação e prolongamento no tempo da aplicação de moratórias e/ou perdão de rendas comerciais; facilitação de medidas complementares de negócio ao longo de 2021 como a suspensão de custos com licenças de esplanada”.

Na área da restauração e comércio, a direção da AEPF defende, também, “medida excecional de conversão de impostos devidos pelas empresas em vouchers para os seus colaboradores aplicarem no comércio e restauração locais”, assim como a “salvaguarda para Paços de Ferreira (e os municípios do Vale do Sousa) de dotações orçamentais específicas de quaisquer pacotes de incentivos que venham a ser aplicados em matéria de competitividade e desenvolvimento económico, e garantia de maior desburocratização de processos”.

Complementarmente, a AEPF defende “a extensão a todas as empresas do acesso e financiamento de testes rápidos”.

A estrutura diretiva da AEPF esclarece ser, igualmente, “importante que também se defenda publicamente que a mensagem que tem vindo a ser partilhada principalmente por muitos operadores de restauração locais, a mensagem de que Paços de Ferreira é Consciente, é efetivamente verdadeira. De um modo geral, o concelho sente o julgamento exterior, perante o cenário atualmente vivido, quando em bom rigor há um cumprimento generalizado de todas as medidas de prevenção impostas ao longo dos últimos meses”, alude a carta aberta que acrescenta.

“Poucos se lembrarão que Paços de Ferreira, antes de um confinamento do país, teve muitas empresas que por iniciativa própria suspenderam a sua atividade, na esperança de contribuir para a resolução de tamanho problema coletivo, e que muitas ainda iniciaram protocolos de utilização permanente de máscara em local de trabalho, semanas antes de se ter definido o seu uso obrigatório a nível nacional. As maiores taxas de infeção por comparação a outros municípios não estão a ocorrer por facilitação de medidas de proteção. Pelo contrário, elas sempre ocorreram e escalaram porque não foi garantido nesta região o mesmo suporte per capita que em qualquer outra região. Não esqueçamos que o nosso Hospital Central – Padre Américo em Penafiel continua a concentrar 10% dos casos nacionais. Todos os esforços que têm  vindo a ser efetuados, seja pela sociedade civil, pelas empresas e também em grande parte pelas equipas de governação local, têm limites no seu alcance se não for dada a devida atenção à conjetura específica desta região”.

Fotografia: Câmara de Paços de Ferreira

Na mesma missiva, a AEPF, reforça que a luta contra pandemia ainda está longe de terminar, e que o seu rasto de destruição pode ser muito maior que o impacto ao nível da saúde.

“Por último, partilha-se que toda esta reflexão é particularmente relevante quando sabemos que a luta com a pandemia ainda está longe de terminar, e que o seu rasto de destruição pode ser muito maior que o impacto ao nível da saúde. Desde logo reconheça-se que uma medida de condicionamento da atividade económica em Paços de Ferreira não terá o mesmo impacto que em grande parte dos municípios do país, sendo que no concelho pelo menos 85% das pessoas ao serviço das empresas, pela essência dos seus trabalhos, simplesmente não podem trabalhar a partir de casa. Reconhecendo que lidamos com uma crise sem precedentes à nossa memória viva, e que a todos nos força a aprender e a agir enquanto trilhamos caminho, é indubitável assumir também que terão que existir medidas para lutar contra este flagelo. Mas as estratégias terão que ser bem escolhidas, e, para Paços de Ferreira, com o conhecimento que detemos sobre a realidade concreta no terreno, o concelho não pode fechar, o concelho não pode parar. Não só pelo que as nossas empresas e pessoas precisam hoje, mas acima de tudo, pelo que o país precisará de Paços de Ferreira e do Vale do Sousa amanhã”, alude a missiva.

A carta endereçada a António Costa reconhece que “Paços de Ferreira está hoje no centro das atenções do país pela evolução epidemiológica que tem vindo a registar no contexto pandémico provocado pelo vírus SARS-COV-2”, apontando para a necessidade de serem suportadas ações que atentem nas dinâmicas territoriais e económicas e não apenas em indicadores de saúde pública.

“Esta atenção e consequentes ações suportadas praticamente em exclusivo em indicadores de saúde pública, desconsideram dinâmicas territoriais e económicas, altamente relevantes para a construção de um adequado diagnóstico. Paços de Ferreira, e em bom rigor o Vale do Sousa, é uma área fortemente industrializada superando significativamente a proporção de emprego e VAB industrial, por comparação quer à região norte, quer a Portugal. Consequentemente, a indústria local, com grande representatividade do mobiliário e do têxtil, é um gigante “chão-de-fábrica” que precisa ser reconhecido como tal na hora de identificar soluções. Perante esta realidade, nunca resultará subestimar as soluções de prevenção do contágio para depois sobrestimar as soluções de mitigação do mesmo”, salienta a missiva que reconhece que centenas de empresas industriais “lidam com uma disrupção diária das suas operações, incluindo quebras de abastecimento de matérias-primas”.

“Hoje, as centenas de empresas industriais que a Associação Empresarial de Paços de Ferreira representa, e que ainda tenham mercado para servir, lidam com uma disrupção diária das suas operações, incluindo quebras de abastecimento de matérias-primas, intermitência de operações de fornecedores e principalmente recorrentes faltas de pessoal por isolamento profilático/baixa médica. Ainda assim, com todas as dificuldades, as empresas industriais têm permanecido firmes na gestão das mesmas, e acima de tudo preservado postos de trabalho em níveis muito superiores a tantos outros municípios. Será importante continuar a fazê-lo, e por isso será importante ajudar as empresas de base industrial”.


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