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Proprietários do Vale do Sousa ligados à restauração e similares preocupados com futuro do setor

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Vários proprietários ligados ao setor da restauração e similares do Vale do Sousa admitiram estar preocupados quanto ao futuro da atividade realçando que as medidas anunciadas pelo Governo de restrição na circulação vieram agravar um cenário que já era deficitário.

Miguel Ribeiro, da Casa da Eira, em Paços de Ferreira, realçou  que as recentes medidas anunciadas pelo Governo, em Conselho de Ministros, de estabelecer uma medida extraordinária de apoio ao setor da restauração no âmbito das restrições ao funcionamento aprovadas no quadro do estado de emergência, são manifestamente insuficientes.

“As medidas são insuficientes. São um engano para aquilo que a restauração esta a passar desde março com a existência da pandemia”, disse, salientando que o que a restauração necessita é de clientes.

“Se esta instalado o medo nos mesmos por parte do governo, há que cultivar que ir a um restaurante/café/bar não é a razão da propagação de Covid, pelo contrário, a restauração, na sua grande percentagem, está a cumprir mais do que ninguém com tudo o que foi solicitado e está ao nosso alcance”, disse.

Fotografia: Miguel Ribeiro

Falando do estado de espírito dos proprietários do setor, Miguel Ribeiro, porta-voz de um movimento instantâneo que foi criado recentemente em Paços de Ferreira e mobilizou outros operadores  do setor, num protesto pacífico, reconheceu que existem vários estados de espírito que vão de luta, tristeza até à revolta.

“De luta, de tristeza, de revolta… não é fácil esta situação. Eu por exemplo admito que estou mentalizado que estou a fazer tudo o que está ao meu alcance para ultrapassar este momento, porque nem tudo eu decido… por isso a necessidade de apoio do governo para tudo o que não me diz respeito ou esta inatingível!”, frisou, salientando que as perdas no setor atingem já 80 a 90 por cento.

“Não consigo perceber o dia de amanhã o que para um empresário da área da restauração é incrível. Tinha e tenho objetivos vários, mas estas variações provocadas por este vírus, não permitem pensar mais além”

Fotografia: Miguel Ribeiro

Miguel Ribeiro confirmou que a proibição de circulação, nos concelhos determinados com risco elevado, em espaços e vias públicas diariamente entre as 23h00 e as 05h00, bem como aos sábados e domingos entre as 13h00 e as 05h00, decretado pelo Governo no Conselho de Ministros de 7 de novembro, contribui decisivamente para agravar este cenário.

“A situação da limitação de horários ao fim de semana e das noites e também a circulação entre concelhos vizinhos complicou bem mais a faturação e o trabalho dos espaços de restauração. Isso não permite liberdade às pessoas e assim sentem-se presas de ação!”, expressou, sustentando não conseguir antecipar se já em 2021 haverá condições para inverter o cenário de dificuldades extremas que o setor está a atravessar.

“Não consigo perceber o dia de amanhã o que para um empresário da área da restauração é incrível. Tinha e tenho objetivos vários, mas estas variações provocadas por este vírus, não permitem pensar mais além. Apenas quero continuar a ser positivo e conseguir aguentar até ao términos desta situação que espero que seja para breve, para bem de todos!”, avançou.

Também Vera Azevedo, proprietária do Estoria Lounge Caffé, estabelecimento situado em Paredes, manifestou estar seriamente preocupada com as inúmeras dificuldades que estão a atingir o setor.

Ao Novum Canal, Vera Azevedo reconheceu que a limitação dos horários e a proibição de circulação nos concelhos entre as 23h00 e as 05h00, bem como aos sábados e domingos entre as 13h00 e as 05h00, criaram  dificuldades acrescidas a um setor já de si bastante fragilizado.

Vera Azevedo realçou mesmo que existem espaços onde as quebras ao nível das faturação são bastantes elevadas, a atingir os 90%.

A responsável Estoria Lounge Caffé recordou que o setor tem sido severamente atingido, tendo sofrido já um limite de 50% na sua lotação, e um limite de 80% nos horários, recordando que estes espaços apesar de todas as adversidades têm todos os meses despesas fixas com renda, água, luz, segurança social e outras.

Vera Azevedo assumiu mesmo que a situação está a atingir contornos penosos, existindo espaços que estão a ponderar seriamente encerrar portas. A empresária reconheceu ser urgente novas medidas  que permitam ajudar a minimizar os custos e as despesas.

A responsável do Estoria Lounge Caffé desmistificou, ainda, a ideia de que os  restaurantes, bares e similares são potenciais focos de infeção por Covid-19, recordando que, no seu caso, cumpre com todas as regras definidas pelas autoridades de saúde, desde o distanciamento, o uso da máscaras e a desinfeção das mãos.

“O que acontece é que as pessoas continuam a fazer ajuntamentos”, afirmou, criticando o facto de os governantes e quem faz as leis desconhecer a realidade do setor.

“O sábado e o domingo eram tradicionalmente os melhores dias”

Também André Faria, do Adeskabir, bar localizado em Lousada, reconheceu que o impacto das restrições de circulação ao fim de semana e o recolher obrigatório atingiram severamente o setor.

André Faria reconheceu que as discotecas e os bares têm sido as atividades mais fustigadas com as medidas que têm sido decretadas, e que os novos horários vieram adensar a nuvem negra que já pairava sobre o setor.

“A proibição de circulação, nos concelhos determinados com risco elevado, foi catastrófica. O sábado e o domingo eram tradicionalmente os melhores dias”, expressou, sustentando que com os novos horários e o encerramento depois das 13h00, ao fim de semana, há bares que já nem abrem.

Ao Novum Canal, André Faria assumiu que apesar de todos os contratempos tem tentado readaptar-se às limitações e às novas restrições, optando por abrir aos sábados e domingos entre as 8h30 e as 13h00, uma situação que confidenciou que não é de todo fácil até porque há despesas fixas que continuam a terem de ser liquidadas todos os meses.

André Faria manifestou, ainda, que o problema dos focos de contágios  não pode ser atribuído aos bares e setores similares, garantido que no seu caso cumpre com as diretrizes e medidas em vigor.

Quanto aos apoios anunciados recentemente pelo Governo, o responsável pelo Adeskabir Lousada manifestou que as medidas têm de ser aplicadas de imediato, confirmando que a serem implementadas em janeiro já será tarde.

André Faria garantiu, ainda, que o núcleo organizador de empresários ligados ao setor que participou, esta semana, em Lousada, num protesto, irá participar num novo protesto de rua na próxima quarta-feira, em Lisboa, pela defesa dos direitos dos atores e agentes desta área.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a restauração e similares tiveram uma redução de 29,2% em setembro deste ano, tendo o alojamento contraído 64,4%.

Ainda de acordo com o INE, o “volume de Negócios nos Serviços diminuiu em setembro (12,3%) embora menos que em agosto (13,7%). No 3.º trimestre, registou-se uma contração de 14,0% face ao mesmo período de 2019 (-30,1% no trimestre anterior)”.

“O índice de volume de negócios nos serviços apresentou uma variação homóloga nominal de -12,3% em setembro (-13,7% no mês precedente). O 3.º trimestre de 2020 registou uma contração de 14,0% face ao mesmo período de 2019 (-30,1% no trimestre anterior). Os índices de emprego, de remunerações e de horas trabalhadas ajustado de efeitos de calendário, apresentaram variações homólogas de -8,1%, -5,1% e -10,1%, respetivamente (-8,3%, -5,5% e -11,1% em agosto, pela mesma ordem)”, lê-se na página oficial do facebook do INE.

Já a atividade turística, também, segundo o INE, não recuperou em setembro.

“O setor do alojamento turístico registou 1,4 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, correspondendo a variações  homólogas de -52,7% e -53,4%, respetivamente. As dormidas de residentes diminuíram 8,5% e as de não residentes recuaram 71,9%. O Destaque agora publicado inclui uma caixa com a análise do impacto da abertura do corredor aéreo entre o Reino Unido e Portugal, em agosto e setembro. A abertura do corredor aéreo com Portugal terá contribuído para a melhoria que se verificou em agosto e setembro, meses em que se registaram diminuições de 79,9% e 70,7%, respetivamente, das dormidas de residentes no Reino Unido, depois de quatro meses com reduções superiores a 90%”, refere o portal do Instituto Nacional de Estatística.


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