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Enfermeiros iniciam, esta segunda feira, greve pela humanização da saúde

Fotografia: Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor)

Os enfermeiros iniciaram esta segunda-feira, uma greve que se irá  prolongar até ao dia 13 deste mês, paralisação que foi convocada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor).

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal, através  da sua publicação oficial no facebook, explicou que esta paralisação é um “grito” e um “clamor” contra o desgaste e pela humanização da saúde.

O Sindepor exige que o Governo proceda de forma “célere, justa e com critérios idênticos, ao descongelamento das progressões de todos os Enfermeiros, independentemente do vínculo ou tipologia do contrato de trabalho, contabilizando a totalidade do tempo congelado”.

A estrutura sindical defende a “equiparação, sem discriminações dos vínculos de trabalho (CIT e CTFP), nomeadamente retomar e concluir rapidamente as negociações para ACT, para os CIT (interrompidas há mais de 1 ano), a atribuição de subsídio de risco, com valor justo, aplicável a todos os enfermeiros independentemente do local de trabalho, categoria profissional ou vínculo laboral, uma vez que esse risco é inerente a toda a profissão”.

O sindicato quer que o Governo consagre “as condições de acesso à aposentação voluntária dos enfermeiros e com direito à pensão completa sejam os 35 anos de serviço e 57 de idade”.

“Devido ao comprovado desgaste e penosidade da profissão, consagre que as condições de acesso à aposentação voluntária dos enfermeiros e com direito à pensão completa sejam os 35 anos de serviço e 57 de idade (base inicial de negociação);e a admissão de mais enfermeiros, com vínculo contratual sem termo, no sentido de satisfazer as necessidades permanentes identificadas”, refere o sindicato no aviso prévio de greve nacional.

“A humanização da saúde é a maior bandeira dos enfermeiros. Sempre foi. Por uma, entre muitas outras razões: eles são a linha da frente, o primeiro rosto visível no confronto com o sofrimento e, infelizmente, também muitas vezes o último. Dão o abraço à chegada e não recusam o adeus da partida, mesmo vislumbrando-se ser o derradeiro adeus… As pessoas envolvidas em processos de doença avaliam, em geral, de forma muito positiva a caminhada terapêutica nas unidades de saúde. No fim do percurso, destacam o sorriso, a atenção, a mão quente quando tudo parecia se desvanecer. Ao recordar o trabalho dos Enfermeiros, num salutar reconhecimento, costumam dizer que passaram a dar muito mais valor à Vida…  Costumam enaltecer a “profunda experiência humana” que lhes foi permitido viver. Nem tudo na doença é negativo, graças aos Enfermeiros… O testemunho do primeiro-ministro inglês, recentemente, por causa da Covid, é apenas um, entre muitos. Só o referimos porque foi mundialmente audível. Mas, os Enfermeiros preferem as palavras que não se ouvem… as mais simples, as mais sentidas, as mais humanas!”, explica o sindicato que garante que “enfermeiros esquecem-se de si próprios”.

“A trabalhar, os enfermeiros esquecem-se de si próprios. Nunca os direitos se sobrepõem aos deveres. Por isso realizam turnos de 12 horas que se prolongam pelas 16, 18, 24 horas seguidas se for necessário… Para que alguém possa sempre dizer: “Estive doente, sofri, mas só me recordo que conheci pessoas extraordinárias”. “Grandes profissionais”. Isto ouve-se… todos os dias! Todos os dias… Esta é a essência do humanismo. Tais testemunhos ilustram a verdadeira humanização dos serviços de saúde”, acrescenta a mesma publicação que sustenta que os enfermeiros além de profissionais, são com direito ao “afeto, ao lazer, ao calor da Amizade, à vida fora do mundo da doença, sem nunca perderem o sorriso”.

Fotografia: Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor)

O sindicato explica que além de profissionais, os enfermeiros são pessoas “capazes de trabalhar 12, 16 , 24 horas, mas também com necessidade de irem para casa aconchegar-se no cuidado da família, no embalar saudável do descanso”.  

“Aquilo a que chamam de greve, mas que para os enfermeiros é um Grito, parte desta dor de serem olhados apenas por um dos lados, apenas como Profissionais. Esta anunciada Greve é um Clamor a reclamar o direito de serem reconhecidos também como Pessoas. Pessoas capazes de trabalhar 12, 16 , 24 horas, mas também com necessidade de irem para casa aconchegar-se no cuidado da família, no embalar saudável do descanso.  Pessoas com direito ao afeto, ao lazer, ao calor da Amizade, à vida fora do mundo da doença, sem nunca perderem o sorriso. Pessoas que também precisam de ser cuidadas para cuidarem com dignidade! Os Enfermeiros sentem-se o outro lado que ninguém valoriza, embora digam que sem eles nada tem valor. Foi este o Grito que foram levar ao Senhor Presidente da República que amavelmente os recebeu a 30 de Outubro. Foram dizer ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa que é urgente humanizar a saúde. Que é urgente olhar para o lado obscuro da lua, o lado de que ninguém fala mas que é causa de doença para quem tem a nobre missão de cuidar da Pessoa doente. Disseram ao Presidente que é urgente contratar mais Enfermeiros para que deixem de trabalhar 12, 16 , 18 horas seguidas porque, acabados os turnos, não têm ninguém que os substitua. Entre os países da OCDE, Portugal é o que regista o rácio mais baixo de enfermeiros por cem mil habitantes. As pessoas são cuidadas, muitas vezes, por enfermeiros arrastados por longas horas de trabalho, e que, por isso, vivem receosos de praticar atos de enfermagem inseguros e sem qualidade, pondo em risco a segurança e a dignidade da pessoa cuidada”.

No mesmo comunicado, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal defende que “é urgente humanizar a saúde porque os enfermeiros sentem-se vítimas de uma desumana discriminação”.

“Uns trabalham ao abrigo de contratos individuais de trabalho, outros ao abrigo de contratos de trabalho em funções públicas, com diferentes direitos, mas todos com as mesmas obrigações. Também não é justo. Assim como é desumano, disseram ao Presidente, que encarando a vida como uma missão ao serviço da Pessoa doente, como bem se tem visto nesta pandemia, a sua Profissão não seja considerada de risco. Tal como é maior a probabilidade de um soldado morrer na guerra, também é maior a probabilidade de um profissional da saúde contrair uma doença por contágio, e morrer.  Estranham, inclusive, que até 2009 tal fosse considerado na lei e que tivesse deixado de o ser. Ninguém entende!  Por isso, apelam para que a sua Profissão seja novamente considerada de risco e se possam reformar em idade que não ponha em perigo a segurança das pessoas ao seu cuidado”.

A estrutura que representa os enfermeiros declara que é, também, urgente que os enfermeiros tenham uma carreira e sejam devidamente valorizados pelo seu trabalho.   

“É igualmente desumano, entendem os Enfermeiros, que se dediquem a olhar pela saúde de todos os portugueses, sempre na linha da frente, mas sem direito a serem valorizados com uma carreira digna e com progressões justas, sem necessidade de trabalhar cem anos para atingir o topo. Os Enfermeiros não desejam a Greve. Vão-na realizar porque sabem que só dessa forma poderão Gritar, na certeza de que irão assegurar todos os serviços mínimos para que ninguém fique prejudicado na sua saúde. Tomara que não aconteça!”

“Ser enfermeiro é, em si mesmo, um hino à dignidade do ser humano porque não deixam, nunca, ninguém para trás. É esse hino que desejam continuar a entoar bem alto.  Mas, enquanto não se realizar aquilo que consideram ser humanamente justo, que é o seu reconhecimento enquanto Pessoas, irão continuar a lutar pela humanização da Saúde. Os doentes exigem ser cuidados por pessoas saudáveis e não por quem se arrasta cansado, desmotivado e sem rumo. Os doentes merecem ser cuidados por pessoas saudáveis, realizadas e motivadas. Por isso, os Enfermeiros alertam que esta greve é em prol das Pessoas que exigem um Serviço Nacional de Saúde com Profissionais inteiros. Afirmam, por isso, que este Grito agora lançado, com muito sofrimento, é, antes de mais, em defesa dos Portugueses, pela Humanização da sua Saúde. Os Enfermeiros têm perfeita noção de que poderão contar com o apoio de todos os cidadãos! Os Enfermeiros prometem nunca deixar ninguém para trás! Mudar é preciso!”, sublinha o Sindepor.

O aviso prévio de greve nacional de enfermagem do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal, decreta greve no âmbito com início às 08 horas do dia 9 de Novembro e términos às 24 horas do dia 13 de Novembro de 2020 “ou seja, todos os turnos que comportam as 24 horas dos dias enunciados de forma ininterrupta), sob a forma de paralisação total do trabalho (sendo, no entanto, assegurada a prestação dos serviços mínimos indispensáveis para ocorrer à satisfação de “necessidades sociais impreteríveis”.