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Antonino de Sousa reconheceu que aplicação antecipada das medidas agora adotadas teria evitado “constrangimentos” no Padre Américo

O presidente da Câmara de Penafiel, António de Sousa, defendeu, esta sexta-feira, em declarações aos jornalistas, na sequência da visita que a Ministra da Saúde, Marta Temida, fez ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, que se as medidas que foram agora adotadas tivessem sido implementadas com maior antecedência poder-se-ia ter evitado os “constrangimentos” e o “sofrimento” que o hospital viveu nestas duas últimas semanas.

“Relativamente à situação do hospital aquilo que sabemos é que melhorou já de alguma forma com as medidas que foram adotadas nestes últimos dias e aquilo que transmitidos à senhora ministra foi, por um lado, que ficamos satisfeitos que essas medidas tivessem sido aplicadas, mas que também já falamos destas medidas há mais de 15 dias. Portanto, se as medidas que foram, agora, adotadas, tivessem sido adotadas com maior antecedência podíamos ter evitado alguma da dor, sofrimento e o constrangimento que o hospital viveu nestas duas últimas semanas, quer os doentes, quer os utentes, quer até os profissionais de saúde”, disse, salientando não acreditar que o Ministério da Saúde  a ARS desconhecessem as circunstâncias em que o Hospital Padre Américo estava a funcionar há mais de duas semanas.

“Não acredito que a ARS e o Ministério não soubessem das circunstâncias em que o Hospital Padre Américo estava a funcionar há mais de duas semanas. O pedido de ajuda que foi público e daí ter causado um impacto diferente aconteceu já num momento de desespero do senhor presidente do Conselho de Administração. Nem deveria ser necessário esse pedido porque infelizmente as circunstâncias já eram tão graves que eram já notórias e do conhecimento de todos”, avançou.

O chefe do executivo penafidelense destacou que, na reunião com a ministra, foi abordada, também,  a importância de se ganhar espaço no Hospital  Padre Américo, nas enfermarias e na urgência.

“Falamos também da importância de ganharmos espaço no Hospital  Padre Américo, mas enfermarias e também na urgência, o que já vai acontecer com os monoblocos que estão a ser colocados. Por outro lado, também, com a testagem a ser feita num drive thru fora do hospital, como sempre de resto reclamamos. A senhora ministra comprometeu-se no sentido de que essas circunstâncias, quer os monoblocos, quer a testagem fora do hospital, irão manter-se, pelo menos, enquanto a situação não estabilizar”, expressou, sustentando que é também fundamental  ganhar espaço, através de parcerias com hospitais privados ou da área social, mas também ter um reforço de profissionais de saúde.

“A senhora ministra está ciente da importância de ter profissionais de saúde porque só mais área de enfermaria não é suficiente. Estou certo que esse esforço está a ser feito por parte do ministério”, frisou, sublinhando que cerca de 45 doentes covid  foram já transferidos para um hospital privado no concelho de Gondomar, para o Hospital Fernando Pessoa, e há outras unidades que já foram interpeladas e estão a avaliar a possibilidade de receberem doentes.

“Sabemos que tem havido alguma resistência a acolher doentes Covid, mas esse é um trabalho que o Ministério da Saúde através da ARS deve fazer no sentido  de encontrar espaço e ganharmos mais camas”, afiançou, manifestando que existe um centro retaguarda já fixado em Ermesinde e está, neste momento, a ser avaliada a possibilidade de Paços de Ferreira poder receber doentes infetados.

“Ficaremos tranquilos quando tudo isto fizer parte do passado. Até lá vamos continuar com esta segurança de sabermos que há muito trabalho a fazer e muito combate que tem de ser feito e tem de ser feito de forma articulada com todos os atores, o Ministério da Saúde, desde logo, as autarquias e também o setor privado e o setor social. Todos somos poucos para fazer face a este combate”, atalhou, respondendo a uma questão do jornalista do Novum Canal.

O autarca penafidelense relevou, também, a importância de ser feito um reforço dos cuidados primários.

“Uma das questões que abordamos foi a necessidade de haver um reforço dos cuidados primários. Uma parte significativa do problema da nossa urgência do Hospital Padre Américo  deve-se à falta de resposta dos cuidados primários nos centros de saúde e nas unidades de saúde. Portanto, é preciso que os nossos concidadãos tenham a perceção que podem ir aos centros de saúde, que vão ser consultados, naturalmente, neste contexto diferente que estamos a viver, mas vão ter uma resposta para que não tenham de ir para as urgências. Isto não pode acontecer. Tem que se alterar esta circunstância e ela só se consegue alterar se efetivamente houver um reforço dos cuidados primários nos centros de saúde e nas unidades de saúde”, precisou.

“A senhora ministra sabe que o Hospital Padre Américo quando foi projetado e construído foi para um universo de 320 mil pessoas, tantas quantas residem no Vale do Sousa e neste momento é o centro hospitalar de referência de uma área de cerca de meio milhão de habitantes, cerca de 520 mil. É uma diferença significativa. Responder a um universo de 320 mil pessoas ou a um universo de 520 mil, que é quase o dobro. A senhora ministra sabe disso, está ciente disso, abordamos o tema hoje e naturalmente que isso tem de merecer uma atenção diferente por parte do ministério”, confessou.

Na deslocação que  fez ao Padre Américo, a ministra Marta Temido tomou conhecimento “in loco” da situação e inteirou-se das medidas que têm sido implementadas no sentido de minimizar a situação de pressão que a unidade hospitalar tem vivido.

A deslocação da Ministra da Saúde no Norte incluiu, também, uma passagem por Lousada, onde manteve uma reunião com direção executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Vale do Sousa Norte e com autoridade de saúde local.

Refira-se que esta quinta-feira, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, apresentou, em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, um conjunto de medidas adotadas e a implementar, nomeadamente “a colaboração regional para transferir doentes para outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) da região, nomeadamente para o Hospital Militar, bem como para outras instituições do setor social e cooperativo, assim como  o apoio do Instituto de Emergência Médica (INEM) que, com a instalação do hospital de campanha, permitiu agilizar melhor circuitos dentro da urgência numa fase crítica que chegou a atingir 800 atendimentos diários, números superiores aos atingidos nos picos da gripe”.

O CHTS anunciou, também, a entrada em funcionamento, a partir deste fim de semana, de uma “estrutura exterior de apoio à urgência, com cerca de 500 m2, que ficará de modo definitivo ali instalada para auxiliar permanentemente o já habitual grande movimento na 2ª maior urgência do Norte do país, assim como a instalação, em terreno cedido pela Câmara Municipal de Penafiel, à entrada do Hospital, um drive-thru para a realização de testes Covid-19″.

Segundo o CHTS, este centro “permitirá um serviço adicional à população e ao mesmo tempo reduzir de modo significativo o afluxo inapropriado aos serviços de urgência, libertando este serviço para o atendimento dos doentes verdadeiramente urgentes”.

O CHTS informou, também, que procedeu à contratação especificamente para este período , já mais de 150 nos diversos grupos profissionais.