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Cyberbullying, artigo de opinião de Carla Moreira, Psicóloga Educacional.

Cyberbullying – O que é?

A generalização da utilização dos equipamentos e meios tecnológicos com acesso à internet, pode traduzir-se, quer num instrumento com potencial de trabalho, de estudo e de lazer, quer como uma potencial oportunidade no surgimento de comportamentos de risco das crianças e jovens. E isto significa que é importante termos consciência enquanto pais e educadores que a partir do momento que a criança tem um telemóvel, um computador/tablet, com acesso à internet pode estar e/ou colocar-se em risco. O mundo virtual é de fácil acesso, as redes sociais são atrativas e apelativas; permitem comunicar em tempo real, socializar, interagir em grupo e ter o retorno deste processo, no imediato. É importante estar atento ao tipo de relação que a criança/jovem estabelece com o mundo virtual e como o vive, bem como a expressão emocional que tem desse mundo.

De que falamos, quando falamos de cyberbullying?

O cyberbullying é uma forma de bullying que recorre ao uso da tecnologia para vitimizar o outro, de forma intencional e repetida, ameaçando, difamando, humilhando e/ou assediando. Pode ocorrer através de mensagens, imagens, perfis falsos, por exemplo.

Estes comportamentos podem frequentemente conduzir a problemas de saúde mental, tais como ansiedade, depressão, sentimentos de baixa autoestima e rejeição social, entre outros.

Um estudo recente, realizado por uma equipa do Centro de Investigação e Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa (Iscet), liderado pela investigadora Raquel António intitulado “Cyberbullying em Portugal durante a pandemia da Covid-19” (a discussão breve dos resultados encontra-se disponível no site do Iscet-IUL), mostrou que mais de 60% dos jovens estudantes participantes (jovens do ensino básico, secundário e ensino superior) foi vítima de cyberbullying, por mais de um episódio, durante o período de confinamento (período temporal entre março e maio de 2020), com a consequente utilização massiva dos equipamentos tecnológicos e internet, para assegurar o ensino remoto de emergência. Com este estudo a investigação tinha como um dos objetivo avaliar em que medida a utilização das tecnologias e da internet, de acesso mais facilitado e pacificamente aceite (em virtude das necessidades emergentes na utilização das tecnologias como formas de acesso ao mundo exterior, no contexto pandémico) terá contribuído para a prática do cyberbullying, e como se comportaram os jovens face a esta dimensão.

O mesmo estudo alerta para as consequências psicológicas destas ações, nas crianças/jovens que as relatam, enquanto vítimas. Já aqueles que as perpetraram descreveram “(…) indiferença, raiva e alegria como as emoções mais frequentes (…)”  pela ação de cyberbullying e apenas 16% identificam sentimentos de culpa; 41% dos participantes disse ter sido agressor em pelo menos uma ocorrência, alegando motivos como “(…) brincadeira, vingança ou por afirmação pessoal como reações a outros acontecimentos (…)”. Concluiu-se ainda que quanto menor o nível de ensino, maior o número de crianças/jovens que admitiram ter cometido cyberbullying.

Esta última conclusão, merece particular atenção, na medida em que permite indagar sobre as competências socio-emocionais que permitam às crianças/jovens o exercício da empatia, o respeito pelo outro, sobre o desenvolvimento moral, a responsabilidade e maturidade na relação com o outro, bem como para aspetos não menos importantes como a idade cronológica e/ou a idade desenvolvimental da criança/jovem para ter um telemóvel/tablet com acesso à internet e acesso ao mundo online…

Que podem os educadores fazer para prevenir? Pais e professores?

Da mesma forma que procuramos conhecer os contextos reais de participação dos nossos filhos, os seus amigos e colegas, devemos fazê-lo também em relação ao mundo digital, ou seja, conhecer as ferramentas digitais que utilizam, as plataformas e redes socias em que participam (atender à idade) e estar atento à expressão de sentimentos, atitudes e reações sobre o que se passa na web (por exemplo, se a criança está mais agressiva, mais triste ou reativa).

Explicar às crianças, tal como já abordamos no artigo anterior (20 outubro de 2020) o que é o bullying e particularmente o cyberbullying; sensibilizar para os riscos e perigos da utilização das plataformas digitais, do acesso livre ao mundo digital, recorrendo por exemplo a situações reais. Monitorizar a utilização das redes socias, das plataformas digitais, através por exemplo dos programas de controlo parental (Guia Parental, Internet Segura). Educar para os valores e para a ação preventiva de comportamentos de risco: falar com as crianças/jovens sobre as boas práticas de utilização das redes sociais (fotografias, imagens, comentários, vídeos) de forma a evitar a exposição ao risco.

A escola tem também um papel importante na sensibilização, prevenção e identificação de mecanismos de intervenção na comunidade educativa.

Em 2019 o Ministério da Educação definiu um plano de ação no âmbito do bullying/cyberbullying, denominado “Escola sem bullying, Escola sem violência”, que contemplou a criação de equipas compostas por diferentes elementos da comunidade educativa (alunos, professores, psicólogos,..) para a promoção e desenvolvimento de ações preventivas alargadas a toda a comunidade escolar.

Ensine o seu aluno a sinalizar o problema, a pedir ajuda e a denunciar!

Ensine o seu filho a sinalizar, a conversar com um adulto, pedir ajuda e a denunciar!