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Ordem dos Enfermeiros contesta recrutamento de alunos para realizar inquéritos epidemiológicos

A Ordem dos Enfermeiros está contra o recrutamento de alunos para realizar inquéritos epidemiológicos. 

Em comunicado publicado, esta segunda-feira, no site da Ordem dos Enfermeiros, esta reagiu à anunciada colocação por parte do Governo de alunos do curso de licenciatura em Enfermagem nas Unidades de Saúde Pública a realizar inquéritos epidemiológicos.

 “A Ordem dos Enfermeiros manifesta a sua frontal oposição à anunciada colocação de alunos do curso de licenciatura em Enfermagem nas Unidades de Saúde Pública a realizar inquéritos epidemiológicos, por considerar que tal medida não se justifica nesta fase, quando ainda há centenas de Enfermeiros desempregados, conforme resulta de um inquérito realizado nos últimos dias pela OE. Em apenas três dias, os primeiros dados deste inquérito, que continua em curso, mostram que há, pelo menos 412 Enfermeiros desempregados com disponibilidade imediata, dos quais 300 nunca foram contactados e cerca de 100 recusaram as actuais condições contratuais oferecidas pelas instituições, nomeadamente os contratos de apenas quatro meses, situação para a qual a OE tem vindo a alertar”, refere o comunicado.

A Ordem dos Enfermeiros reclama uma estratégia para a enfermagem em Portugal, na qual se contemplem medidas de valorização profissional.

Fotografia: Ordem dos Enfermeiros

“A OE entende que a situação epidemiológica em que nos encontramos exige que o governo defina uma estratégia para a Enfermagem em Portugal, na qual se contemplem medidas de valorização profissional, com vista à fixação dos mesmos e que incentivem o regresso dos milhares de profissionais que se encontram emigrados, depois de em 2019 mais de quatro mil profissionais, o maior número de sempre, ter solicitado declarações para exercício profissional no estrangeiro”, lê-se no comunicado que acrescenta: “a resposta à pandemia, nesta fase, não justifica que alunos pratiquem atos próprios de uma profissão regulamentada, praticando atos próprios de uma habilitação que ainda não detêm, e muito menos se admite que procurem soluções que permitam o exercício profissional em regime de voluntariado”.

Na nota que partilhou no seu site,  a Ordem dos Enfermeiros defende que “que o actual contexto necessita de profissionais habilitados e preparados para assegurar e garantir a adequada resposta dos serviços de saúde, devendo por isso, qualquer solução, contemplar Enfermeiros especialistas em Enfermagem Comunitária, a quem compete a monitorização e rastreio epidemiológico, que face à situação devem ser chamados a integrar as Unidades de Saúde Pública”.

Refira-se que a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou, na última sexta-feira, na habitual conferências de imprensa de atualização dos dados da pandemia da Covid-19, que as equipas de saúde pública iriam ser reforçadas, “contando com a ajuda dos estudantes de enfermagem que se encontram nos últimos anos do curso”.

A responsável  pela Direção-Geral de Saúde esclareceu que existe, neste momento, uma enorme pressão sobre os serviços de saúde pública, sendo que a colaboração dos estudantes de enfermagem nesta investigação epidemiológica vai possibilitar que “a partir de cada caso identificado se vá à procura dos seus contactos”.

Graça Freitas avançou que “está a ser feito um reforço das equipas de saúde pública”, sendo que esse reforço será realizado em concertação com as escolas de enfermagem.

Graça Freitas avançou, ainda, que os alunos dos últimos anos serão devidamente acompanhados pelos seus professores, irão fazer estágios junto das unidades de saúde pública, recebendo treino e sendo supervisionados pela autoridade de saúde.

Já esta segunda-feira, o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, realçou que a pandemia  em Portugal e na Europa não parou e isso obriga a uma preparação contínua dos serviços para a resposta, estando esta a ser feita com a aplicação do Programa para a Saúde Outono/Inverno.

“A saúde pública está a ser reforçada com recurso à articulação de escolas de saúde, nomeadamente alunos dos cursos de medicina e enfermagem que colaborarão com as unidades públicas de saúde na aplicação de inquéritos epidemiológicos e em bolsas de rastreadores” disse.