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Dia Mundial de Combate ao Bullying, Opinião de Dra. Carla Moreira

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Assinala-se hoje, 20 de outubro o dia Mundial de Combate ao Bullying. A data pretende ser um alerta para o fenómeno crescente que é o bullying. De acordo com dados da UNESCO, uma em cada três crianças será vítima de bullying.

Mas de que falamos quando falamos de bullying?

O bullying tem origem numa palavra inglesa – bully – e designa pessoas que intimidam e agridem outras. O termo não tem tradução em português, mas está amplamente disseminado, e refere-se a ameaça, agressão, humilhação e intimidação.

O bullying é um fenómeno social que ocorre particularmente entre crianças e jovens adolescentes, em contexto escolar, mas também em outros contextos onde estes participam.

 O bullying traduz todo um conjunto de comportamentos assentes na agressividade, expresso entre pares, de forma repetida e intencional, suscetível de causar dano (físico, psicológico, emocional, sexual, verbal…), às crianças e/ou jovens, envolvidos numa relação de desequilíbrio de poder (agressor e vítima). Atualmente a definição de bullying, integra assim as variáveis de frequência, a diferença de poder na relação entre o agressor e a vítima, e as consequências da ação daquele (agressor) para com esta (vítima). Não se trata assim de uma ação (agressão, ou outra forma) pontual e isolada no tempo, mas de uma ação reiterada e intencional para com a vítima.

O agressor age coercivamente sobre a vítima, levando a que esta se sinta diminuída, se isole e altere o seu comportamento. É frequente que a vítima não fale sobre o que está a acontecer, pelo medo que sente, pela chantagem a que é sujeita e muitas vezes por receio de não ser compreendida pelo adulto, por medo de retaliações, remetendo-se ao silêncio e desta forma contribuindo para a manutenção da violência. A ausência da perceção de apoio pela figura adulta, leva a que a situação seja vivida pela vítima, de forma solitária, levando a alterações de comportamento que podem ter impacto no desenvolvimento da criança e/ou jovem.

É importante enquanto pais, professores e outros elementos educativos, estarmos atentos a eventuais alterações de comportamento da criança, como sejam: recusa em ir à escola, desinteresse pela atividades letivas ou outras que habitualmente faziam parte dos seus interesses, quebra no rendimento e aproveitamento escolares, isolamento em relação aos colegas, procurando a presença de um adulto, de forma a sentir-se mais seguro e protegido em determinado contexto. Ainda, mudança de hábitos alimentares, queixas somáticas (dores de barriga, dores de cabeça) sem motivo aparente, irritabilidade e alterações de humor repentinas, choro frequente, reações agressivas… baixa autoestima e autoconfiança, bem como lesões frequentes resultantes de agressões (é normal que uma criança ativa se magoe, mas atenção ao padrão e à frequência destas lesões), alterações no padrão de sono, gastos diários elevados de dinheiro, entre outros…

Enquanto educadores (pais, professores,…) o estabelecimento de uma relação de confiança, suporte, compreensão, apoio são fundamentais para que a criança e/ou jovem possam partilhar os medos, receios, e as situações/acontecimentos negativos, que eventualmente pode estar a experienciar. O olhar atento e individualizado à criança pode fazer a diferença ao sinalizar mudanças e comportamentos alterados.

O papel da educação…

Incentive e ensine a criança a partilhar o problema e a procurar um adulto pedindo ajuda. Ensine-o a denunciar qualquer situação de bullying, ainda que não seja o alvo direto. A educação para os valores faz a diferença! 

Não desvalorize o que a criança sente, oiça-a com atenção e empatia, procure tranquilizá-la, identificando o problema, e estratégias para a sua resolução. Identifique comportamentos a evitar e comportamentos a desenvolver de forma a sentir-se mais seguro. Reforce a atitude de partilha e de pedido de ajuda em qualquer situação que cause desconforto. Fale com a criança sobre este problema.

Fale com a escola (professor titular, diretor de turma e psicólogo da escola) e em conjunto identifiquem de forma clara a situação e a forma de resolução. A comunicação deve ser aberta e orientada na resolução do problema.

No próximo artigo de opinião continuarei a abordar este tema.


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