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“Negócio Ruinoso Versus Cartada Política”, Artigo de Opinião

«De tempos a tempos vemos atores políticos prepararem negócios ruinosos para os seus cidadãos com um objetivo muito concreto, retirarem daí altos dividendos políticos.

Parece-me imoral, seja quem for o decisor político, que possa efetuar qualquer negócio em que irá lesar os cidadãos que representa, apenas com o objetivo pessoal de melhorar a sua visibilidade política.

Infelizmente voltou a acontecer, agora em Paredes. O presidente do executivo municipal, Alexandre Almeida, conduziu um processo negocial desastroso com a BeWater, mas a cerca de um ano das eleições autárquicas viu aqui um trunfo eleitoral e jogou as cartas todas.

Foquemo-nos, para já apenas na parte negocial, deixando de lado a questão política. Como todos sabemos, menos Alexandre Almeida ao que parece, a arte de negociar tem sempre implícita uma estratégia. Estratégia essa que passa por, no limite, maximizar os ganhos do negócio em causa, isto é, fazer o melhor negócio para a autarquia e para os seus munícipes.

Alexandre Almeida, partia reforçado para iniciar esta negociação. Um novo executivo, um incumprimento constante por parte da BeWater conforme consta nos relatórios de execução, tudo faria assim prever que fosse conseguido para Paredes um grande negócio. No entanto, logo à partida foram cometidos erros grosseiros de negociação. O primeiro foi o Executivo Municipal ter assumido desde logo toda e qualquer obra que competia à BeWater, desonerando assim a BeWater e deixando os custos para os Paredenses. Depois disse repetidamente que nunca iria denunciar o contrato, mas sim renegociar os termos do mesmo com a BeWater. Negociações essas que foram anunciadas por diversas vezes como concluídas ou quase concluídas.

Para finalizar, do nada, aparece a dizer que vai denunciar o contrato com a BeWater pagando a estes, que estavam em incumprimentos com o Município de Paredes, um valor superior a 22 milhões de euros. “Esqueceu-se” no entanto de referir que mesmo que a Bewater aceite a proposta, os custos, como será evidente não ficarão por aqui.

O que fez o presidente Alexandre Almeida voltar atrás de forma abrupta com algo que tantas vezes repetiu?

Tendo possibilidade de poder rescindir o contrato por incumprimento, exigindo da BeWater uma indeminização pelos investimentos contratualizados e não realizados de pelo menos 31.000.000,00€, porque não o fez???

Uma coisa é certa, fosse este negócio realizado por Alexandre Almeida em qualquer empresa privada, seria certamente despedido por incompetência pelos erros grosseiros de negociação cometidos.

Supondo ainda que a BeWater aceite a proposta, explicou Alexandre Almeida, como pensa continuar o investimento na rede de água e saneamento por todo o concelho e quando o pensa ter concluído? Explicou Alexandre Almeida como se pensa financiar para realizar este investimento? Explicou Alexandre Almeida quantos mandatos futuros serão impactados por este negócio?

O mínimo que poderia apresentar aos Paredenses era um estudo de viabilidade da nova empresa municipal a ser constituída, detalhando em quantos anos prevê terminar os investimentos nas redes de água e saneamento e assim, quando os Paredenses poderão finalmente beneficiar deste serviço tão indispensável. Neste estudo poderia também apresentar que a empresa seria viável e não teria que aumentar o preço da água e saneamento nos próximos anos. Poderia inclusivamente apresentar uma estrutura de custos fixos com a mão de obra que será necessária contratar para suportar a nova empresa a ser criada.

Era expectável que este processo fosse conduzido com transparência, mas ao invés apenas o foi com demagogia política.

Assim, apenas com os dados conhecidos, a soma entre o deve e o haver para o Município de Paredes nunca será inferior a 50.000.000,00€, fatura a ser paga pelos Paredenses, excluindo desta equação os necessários investimentos a serem realizados.

Por tudo isto, não esteve Alexandre Almeida, em momento algum com preocupação de dotar Paredes e os Paredenses destes serviços básicos tão essenciais, bem como em reduzir os custos para os mesmos, mas ao contrário fez uso de cartada politica oportunista apenas para recolher frutos pessoais para as próximas eleições.»

Artigo de Opinião de David Ferreira