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S.O.S. Rio Paiva teme que inauguração da ponte suspensa em Arouca possa aumentar pressão turística e poluição no Rio Paiva

Fotografia: SOS Rio Paiva

A S.O.S. Rio Paiva – Associação de Defesa do Vale do Paiva, uma organização não-governamental de âmbito regional , afirmou,  em comunicado enviado ao Novum Canal, temer que a inauguração da ponte suspensa no Rio Paiva, em Arouca, possa suscitar um aumento da pressão turística e poluição no Rio Paiva.

“A nova ponte suspensa, construída na chamada Garganta do Paiva em Arouca, constitui um equipamento turístico de relevo, capaz de projetar o concelho de Arouca em todo o mundo. No entanto, é importante ter em conta algumas questões que preocupam a S.O.S. Rio Paiva, nomeadamente, o aumento da pressão humana neste troço do Rio Paiva, a poluição do rio e o aumento de espécies invasoras. A S.O.S. Rio Paiva espera que as autoridades coloquem restrições de acesso à nova ponte e “Passadiços do Paiva” tendo em conta a situação atual de pandemia, a saúde pública e a salvaguarda da tranquilidade e preservação deste espaço natural”, referiu a associação, salientando esperar que os problemas que surgiram após a abertura dos “Passadiços do Paiva” não se repetiam aquando da abertura da ponte suspensa sobre o Rio Paiva, em Arouca.

“Esperamos que não se repitam os graves problemas que surgiram após a abertura dos “Passadiços do Paiva” em 2015, devido ao excessivo fluxo de turistas. A S.O.S. Rio Paiva apela a uma redução do número máximo de acesso de pessoas aos equipamentos construídos para minimizar a pressão no rio e melhorar a experiência de quem procura um turismo de natureza sustentável. Apesar da imponência desta obra e do seu elevado custo, entendemos que a nova ponte suspensa tem um grande impacto paisagístico num local que sempre foi caracterizado e valorizado por ser um dos troços mais bem conservados e selvagens do rio Paiva. No nosso entender, a nova ponte pouco vem acrescentar à forma como é usufruído aquele espaço natural, introduzindo apenas a componente da adrenalina e todo o mediatismo inerente a uma obra desta dimensão”.

A S.O.S. Rio Paiva – Associação de Defesa do Vale do Paiva advertiu, também, para o facto de que possam surgir novas construções.

Fotografia: SOS Rio Paiva

 “Tememos que possam surgir novas construções. A S.O.S. Rio Paiva teme que este mediatismo e sucesso dos “Passadiços do Paiva” possa exigir que sejam acrescentados novos equipamentos do género no futuro, para garantir um elevado fluxo de turistas a Arouca, pelo que faz um apelo às autoridades locais e nacionais para que façam cumprir os planos de conservação deste espaço da Rede Natura 2000 que identificaram a construção de infraestruturas e o desenvolvimento turístico como ameaças à conservação de habitats, restringindo a construção de novas infraestruturas de lazer e de equipamentos turísticos como bares e restaurantes. Salientamos ainda a importância de realizar campanhas de sensibilização com vista a atrair turistas que respeitam a natureza e que tenham consciência da importância e valor desta área natural protegida por convenções Internacionais”, referiu a organização, confirmando que é com preocupação que a associação vê “aumentar de forma muito significativa a pressão humana com a construção de infraestruturas nas margens do Rio Paiva, nomeadamente bares, restaurantes, alojamentos turísticos e outros equipamentos semelhantes, além do vai e vem de viaturas que transportam os turistas de um ponto ao outro do passadiço, permitindo que metade do percurso seja efetuado em veículos poluentes. Questionamos a aparente ausência do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) no planeamento, desenvolvimento turístico e construção de infraestruturas em terrenos da Rede Natura 2000”.

“Numa altura em que a Câmara de Arouca se prepara para inaugurar a nova ponte suspensa sobre o Rio Paiva, é fundamental não esquecer que o verão de 2020 foi dos mais negros no que diz respeito à poluição do Rio Paiva, com imagens chocantes de grandes descargas poluentes com origem nos concelhos a montante”

Fotografia: SOS Rio Paiva

A associação avançou estar preocupada com que diz ser “um aumento da poluição no Rio Paiva”.

“Numa altura em que a Câmara de Arouca se prepara para inaugurar a nova ponte suspensa sobre o Rio Paiva, é fundamental não esquecer que o verão de 2020 foi dos mais negros no que diz respeito à poluição do Rio Paiva, com imagens chocantes de grandes descargas poluentes com origem nos concelhos a montante, nomeadamente Vila Nova de Paiva e Castro Daire, onde as Estações de Tratamento de Águas Residuais continuam a ser um dos principais focos de poluição deste que já foi conhecido como “o rio mais limpo da Europa” e que agora tem as suas praias naturais interditas à prática balnear. Lembramos que há uma nova ETAR em Castro Daire, que custou cerca de 6 milhões de euros e que continua à espera da inauguração, enquanto a velha ETAR da Ponte Pedrinha continua a ser um dos principais focos de poluição do Rio Paiva”, referiu a organização, salientando ser  necessário que o investimento turístico seja acompanhado de “medidas de compensação e de investimento na eliminação dos focos de poluição”.

Fotografia: SOS Rio Paiva

“A S.O.S. Rio Paiva considera urgente que o forte investimento turístico seja acompanhado de medidas de compensação e de investimento na eliminação dos focos de poluição e no controlo e erradicação de espécies de fauna e flora invasoras. A S.O.S. Rio Paiva continua disponível para encontrar consensos e soluções que contribuam para a conservação deste importante espaço natural, continuando a pugnar pela defesa do Rio Paiva e dos seus afluentes, com dinamismo, independência e seriedade”, lê-se no comunicado que nos foi enviado pela S.O.S. Rio Paiva – Associação de Defesa do Vale do Paiva.