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“Nada foi escrito a pensar neste livro. É a seleção dos poemas e a montagem dos mesmos que o tornam naquilo que ele é”, Nuno F. Silva, a propósito da sua mais recente obra.

Fotografia: Nuno F. Silva

O jovem  escritor paredense, Nuno F. Silva,  apresenta este domingo, pelas 17h00, na Casa da Cultura de Paredes, o seu mais recente livro intitulado “Epilepsy Dance”.

Numa antevisão à apresentação deste “Epilepsy Dance”, o autor assumiu que “nada foi escrito a pensar neste livro. É a seleção dos poemas e a montagem dos mesmos que o tornam naquilo que ele é”.

Questionado se o resultado final corresponde ao que tinha inicialmente idealizado, o autor mostrou-se agradado com o conjunto de poemas que integram a obra e pelo trabalho desenvolvido pelo editor Miguel de Carvalho.

“Sim. Muito pelo facto de ter encontrado um editor como o Miguel de Carvalho. Acredito que nós os dois falamos a mesma língua no que toca àquilo que seria este livro. O Miguel é um homem que pensa muito “fora da caixa”. Só assim, por exemplo, o livro encontrou o nome de Epilepsy Dance e teve direito à capa que merecia”, disse, salientando o livro é divido em duas partes, conta com 36 poemas, tendo sido editados 200 exemplares, sendo a editora a Debout Sur l’Oeuf – DSO, de Miguel de Carvalho.

“ Não tenho expectativas. Eu escrevo e, como é óbvio, gosto que me leiam”

Refira-se que “Epilepsy Dance” é o sétimo livro de Nuno F. Silva.

Interpelado sobre as expectativas que tem relativamente a este trabalho, o autor foi perentório: “ Não tenho expectativas. Eu escrevo e, como é óbvio, gosto que me leiam”, atestou, frisando que é difícil ter uma perceção ou “feedback” de qual será a reação do público relativamente a esta obra.

“A poesia nunca foi uma opção. A poesia é uma forma de linguagem, de dizer o que não está bem à vista”

“Não sei. O mesmo livro atinge pessoas diferentes, de formas completamente diferentes. Não há como saber”, concretizou.

Falando da sua ligação à poesia e da razão de se expressar através do texto poético, Nuno F. Silva esclareceu que a poesia “nunca foi uma opção. A poesia é uma forma de linguagem, de dizer o que não está bem à vista”.

Já quanto à hipótese de investir noutro tipo de linguagem, que não a poesia, o autor admitiu ser uma possibilidade em aberto.

“Talvez. Se um dia tiver vontade, e alguma coisa para dizer dentro de outro género literário. Não penso muito sobre isso”, acrescentou, realçando que o leitor que segue a sua obra é “aquele que encontrou, naquilo que escrevo, algo que lhe diz respeito” e que se revê nos seus poemas e textos poéticos.

Ao Novum Canal, o jovem poeta paredense confessou que “a paixão pela poesia foi surgindo. Tinha necessidade de criar”, assumindo ter algumas dificuldades em explicar de onde se inspira para materializar os seus pensamentos.

Fotografia: Nuno F. Silva

“É muito difícil dizer de onde a matéria chega.  Aliás, quanto mais escrevo, menos sei de onde vem essa necessidade. A poesia funciona como um purgatório.  É algo muito involuntário”, atalhou, sublinhando que não tem uma hora especifica para escrever, embora goste bastante de escrever de madrugada.

Sobre o espetro literário e da poesia em Portugal, Nuno F. Silva recordou que “há cada vez mais escritores de versos em Portugal, mas não sei se isso equivale ao número de leitores de poesia”, assumindo que Herberto Helder, Rui Costa, Daniel Faria, estão entre os escritores prediletos.

“Ainda há muito por descobrir” retorquiu.

Quanto aos efeitos que a Covid-19 provocou na cultura, Nuno F. Silva afirmou: “Gostaria imenso que a covid – 19 tivesse aflorado a sensibilidade adormecida das pessoas. Mas estou a ser utópico”.

Nuno F. Silva, nasceu em 1993 e vive em Paredes. A sua última obra designa-se “Linguagem do Abandono” e foi publicada em 2018.

O autor é primo do consagrado poeta Daniel Faria, de Baltar, concelho de Paredes.