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Diretora técnica do Centro Sénior da Portela reconhece que falta de serviços estava a prejudicar o bem-estar dos utentes

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

Apesar de muitos centros de dia não terem aberto portas no dia 15 de agosto, data definida pela Direção-Geral de Saúde, o Novum Canal foi verificar como o Centro Sénior da Portela, da Associação para o Desenvolvimento da Portela, que reabriu as suas instalações no dia 31 de agosto, se adaptou às exigências que foram, entretanto, definidas pela autoridade nacional de saúde.

Diana Barbosa, diretora técnica do Centro Sénior da Portela,  destacou que a instituição fechou portas no dia 13 de março de 2020 e reabriu no final do mês de agosto, após serem realizadas todas as alterações impostas no plano de contingência. Neste momento, o centro de dia tem 18 utentes.

A responsável técnica assegurou que a instituição, na sequência das orientações da DGS fez várias adaptações e reajustes no sentido e tendo sempre como objetivo principal o bem-estar e qualidade de vida dos utentes e colaboradores da associação.

“O Centro Sénior da Portela encerrou portas no dia 13 de Março de 2020 quando, por indicação governamental, foi necessário encerrar os Centros de Dia. Face à incerteza da evolução do COVID-19 e tendo em conta que esta instituição tem apenas o Serviço de Centro de Dia, toda a resposta permaneceu sem atividade até Agosto de 2020. Os nossos utentes possuem retaguarda familiar e atendendo a que todas as famílias assumiram o seu cuidado, consideramos que foi a melhor decisão tomada. No entanto, ao longo do passar do tempo e por indicações adquiridas no contacto que íamos mantendo com os utentes e familiares (via telefone), percebemos que ao contrário do expectável a falta de serviços estava a prejudicar o bem-estar biopsicossocial dos nossos idosos. Em agosto e com ajudas externas, iniciamos o projeto “O Centro à Porta” que consistiu na entrega de refeições aos idosos que solicitaram o serviço e paralelamente um serviço de animação que consistia na presença de uma auxiliar da instituição durante duas horas por semana no domicilio, realizando desta forma atividades lúdicas e recreativas e ainda o apoio pontual nas atividades de vida diária dos utentes. Percebemos que este projeto em parte permitiu o início da reabilitação física e cognitiva dos nossos idosos, mas que não substitui o trabalho realizado in loco no Centro Sénior”, disse, salientando que apesar do Centro Sénior permanecer fechado, a instituição foi equacionando reabertura de forma a conseguir assegurar a proteção quer dos utentes, quer da equipa de trabalho.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

“Fomos tentando perceber de que forma seria possível uma futura reabertura que conseguisse assegurar a proteção quer dos utentes, quer da nossa equipa de trabalho. A equipa começou por frequentar ações de formação (estratégias para a reabertura segura das respostas sociais) e atendendo a que não saiam normativas para o Continente, fomos pesquisando as diretivas que saíram no governo regional dos Açores, percebendo desta forma que possivelmente seriam semelhantes (o que se veio a comprovar no final do mês de Agosto) e aos poucos readaptando o nosso edifício a esta nova realidade. O plano de contingência foi reformulado e na última semana de Agosto foi aprovado pela Delegação de Saúde, já existindo nessa semana, autorização para a reabertura desta resposta social”, expressou.

“As medidas começam desde logo no transporte entre o domicílio e a instituição, é necessária a utilização de máscara por parte de todos os utentes e equipa de trabalho. Antes da entrada nos transportes, é medida a temperatura corporal e desinfetadas as mãos com uma solução à base de álcool gel. Ao chegar à instituição, os veículos são completamente desinfetados”

Diana Barbosa manifestou que também ao nível da segurança foi definido um plano de contingência que descrimina quais as formas de evitar potenciais contágios e a forma atuar perante um caso suspeito.

“Uma das imposições postas quer pela tutela, quer pela delegação de saúde corresponde à criação de um plano de contingência que descrimina quais as formas de evitar potenciais contágios e de que forma atuar perante um caso suspeito. As medidas começam desde logo no transporte entre o domicílio e a instituição, é necessária a utilização de máscara por parte de todos os utentes e equipa de trabalho. Antes da entrada nos transportes, é medida a temperatura corporal e desinfetadas as mãos com uma solução à base de álcool gel. Ao chegar à instituição, os veículos são completamente desinfetados. A entrada dos utentes inicia-se pela desinfeção das solas dos sapatos com recurso a um tapete criado exclusivamente para o efeito com uma zona húmida e uma zona seca, as mãos são novamente desinfetadas. Cada utente possui o seu lugar à mesa de refeição devidamente identificado com o seu nome, o mesmo processo é utilizado nos cadeirões da sala de descanso. Ao longo do dia várias são as desinfeções realizadas nas instalações, após cada utilização de sala de atividades, todo o espaço é cuidadosamente limpo. De forma a evitar um aglomerado de utentes, ao longo do dia as atividades são repartidas em duas salas, permitindo desta forma uma maior atenção.  Dentro do Centro foram criados circuitos que permitem a circulação dos idosos de forma a que não exista uma proximidade física, estas são algumas das medidas tomadas”, avançou, manifestando que tudo foi previamente ponderado no sentido de evitar potenciais contágios.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

“Consideramos que a maior proteção que podemos dar neste momento aos nossos idosos é a continuidade do Centro Sénior da Portela, muitos foram os efeitos nefastos da pandemia quer a nível físico, quer cognitivo”, frisou.

Questionada se o Centro Social da Portela, na sequência da crise sanitária que continua a afetar a região e o país, teve de operar alterações ao plano de atividades, Diana Barbosa destacou que não existiram alterações no plano de atividades, exceto as saídas e contactos com outras instituições que foram automaticamente suspensas.

“As atividades de cariz recreativo, atividades cognitivas e atividades físicas foram reformuladas no sentido de salvaguardar a proteção dos nossos utentes. A título de exemplo, no atelier de artes, após cada utilização de materiais de pintura, como é o caso dos lápis de cor ou pincéis, existe a desinfeção dos mesmos. Nas atividades físicas privilegiamos a atividade na zona exterior, caso não seja possível, reduzimos o grupo em número de elementos repartindo por duas salas”, referiu, sustentando que a atividade, num ano que reconheceu ser atípico, foi “O Centro à Porta” (atividade já descrita) pelo seu caráter inovador para a instituição , no entanto o Centro Sénior realizou as atividades regulares.

“Atividades como os encontros interinstitucionais que eram tão apreciadas pelos nossos utentes, traduziram-se em encontros virtuais. O lema passa por desinfetar, desinfetar e desinfetar, acreditamos que uma boa higiene e o uso correto dos equipamentos de proteção individual permitam manter em parte a normalidade na instituição”

Apesar de tudo, a diretora técnica admitiu que a instituição sentiu necessidade de se adaptar aos “novos tempos”.

“Existiu a necessidade de nos adaptarmos aos “novos tempos” sem nunca perder a verdadeira essência do trabalho desenvolvido desde sempre no nosso Centro. Atividades como os encontros interinstitucionais que eram tão apreciadas pelos nossos utentes, traduziram-se em encontros virtuais. O lema passa por desinfetar, desinfetar e desinfetar, acreditamos que uma boa higiene e o uso correto dos equipamentos de proteção individual permitam manter em parte a normalidade na instituição”, referiu.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

Interpelada se considera que a Covid-19 deixou os idosos  mais isolados, a responsável técnica do Centro Social da Portela recordou que a instituição tem utentes que não saíram de casa entre Março e Agosto.

“Como afirmo várias vezes em contexto profissional, os meus idosos “não são os mesmo que tinha em Março”. O brilho no olhar apagou-se, o sorriso com que todos os dias nos presenteavam neste momento está por trás de uma máscara e o medo de voltar ao confinamento faz com o sentimento de insegurança persista no dia-a-dia”

“Tenho utentes que não saíram de casa entre Março e Agosto. Paralelamente o medo das famílias em transmitir o vírus fez com que muitas das vezes a opção passa-se apenas por um telefonema o que no caso dos idosos ajuda, mas não soluciona o problema. Somos pessoas de afetos, nunca em tempo algum fomos privados dos mesmos. O Covid-19 mostrou que de um momento para o outro é possível ficarmos sem o contacto físico e se para os jovens tudo é resolvido facilmente com chamadas via zoom, chat´s e outras formas de comunicação, o mesmo não acontece com os idosos porque não sabem usar as novas tecnologias o que promove ainda mais o isolamento social”, precisou, reconhecendo que a nova realidade com que estamos a viver expôs as fragilidades com que os idosos convivem diariamente.

“Completamente, como afirmo várias vezes em contexto profissional, os meus idosos “não são os mesmo que tinha em Março”. O brilho no olhar apagou-se, o sorriso com que todos os dias nos presenteavam neste momento está por trás de uma máscara e o medo de voltar ao confinamento faz com o sentimento de insegurança persista no dia-a-dia”, afirmou, admitindo, contudo, que os erros cometidos em março/abril, quando foi decretado o confinamento, nos sirvam de lição e não se repitam.

“Acredito que os erros cometidos pela primeira vez no confinamento não se voltem a repetir. Percebi que neste momento existe um “plano B” na vida quer das instituições, quer das famílias. No caso específico da Associação da Portela que encerrou atividade entre Março e Agosto sem qualquer retaguarda institucional aos idosos, neste momento e caso a situação assim o exija pode retomar o projeto “O Centro à Porta” reduzindo desta forma o isolamento”, observou.

Diana Barbosa concordou que um novo confinamento poderia trazer consequências gravíssimas para a saúde mental dos mais idosos.

“Penso que os efeitos seriam catastróficos, se no primeiro confinamento já foram, imagino que um segundo confinamento tendo por base o conhecimento já adquirido no primeiro, seria completamente impensável do ponto de vista cognitivo. Aumentariam certamente as demências e depressões”, assumiu.

Falando das principais debilidades dos idosos que frequentam o Centro Sénior da Portela, Diana Barbosa declarou que estas têm a ver “com a deterioração do movimento que ficou sem dúvida acentuada com a permanência em casa durante cinco meses. No entanto são um público bastante heterogéneo, apesar de alguns possuírem patologias demenciais, a maioria dos idosos do CSPortela apresentam debilidades apenas físicas e motivadas pelo próprio processo de envelhecimento”.

“As adaptações realizadas no edifício, o nível exigente de higiene e o cuidado individualizado que conseguimos prestar, faz com que os nossos utentes se sintam seguros”

Quanto à eventualidade do número de contágios continuarem a aumentar e questionada se teme que os idosos deixem de se deslocar à instituição por algum receio, Diana Barbosa admitiu que os utentes do Centro Sénior “sentem-se mais seguros na instituição do que propriamente nos seus domicílios. É obvio que se transformar numa medida imposta novamente pelo Estado é de caráter obrigatório e terão de ficar, no entanto, e se for opcional não acredito que isso aconteça”.

“As adaptações realizadas no edifício, o nível exigente de higiene e o cuidado individualizado que conseguimos prestar, faz com que os nossos utentes se sintam seguros. Não sabemos nunca se será o suficiente e não estamos livres de uma possível contaminação, no entanto todas as medidas estão a ser tomadas e temos esperança de que corra tudo bem”, afiançou.

Referindo-se ainda ao Centro Sénior da Portela, a diretora técnica confirmou que a falta de protocolos  com a Segurança Social tem criado adversidades económicas acrescidas, apenas superáveis pelo apoio e colaboração que tem sido prestado pela comunidade local.

“Atualmente e desde a sua criação, o Centro Sénior da Portela pela sua falta de protocolos com a Segurança Social enfrenta dificuldades económicas acrescidas. Desde a sua abertura, este Centro conta com a colaboração da comunidade local desde o voluntariado da população até ao fornecimento de produtos sobretudo hortícolas. Temos a sorte de estarmos inseridos numa comunidade que faz jus a esse conceito”, atalhou, conformando que faz parte do dia-a-dia desta instituição, trabalhar sem os contributos da Segurança Social.

“O desafio faz parte do dia-a-dia desta instituição, trabalhar sem os contributos da Segurança Social acresce as dificuldades vividas na organização. É um problema que se arrasta desde 2013 e cuja solução não tem data definida. O aparecimento do COVID-19 aumentou o desafio no que concerne à maior proteção aos nossos utentes e equipa de trabalho, neste momento a nossa prioridade passa por manter o Centro Sénior em funcionamento, tendo por base todas as normas da Direção-Geral de Saúde e torcendo para que não apareça nenhum caso na instituição”, confessou.

Refira-se que os idosos que frequentam o centro de dia do Centro Sénior da Portela são  sobretudo da Freguesia das Termas de S.Vicente, no entanto, alguns são também da freguesia de Eja.