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Dia Mundial do Professor assinalado com várias iniciativas presenciais e online pela valorização e dignificação da profissão

O dia 5 de outubro, além de assinalar a implantação da República, celebra também o Dia Mundial do Professor, efeméride que foi instituída com o propósito de dignificar todos os professores e educadores que têm contribuído para engrandecer o ensino.

Em Portugal, um pouco por todo o país, são várias as atividades que marcam esta data tanto nas ruas como recorrendo ao uso das novas tecnologias.

Para além da realização de vários concertos, estão agendados debates transmitidos on-line, numa ação implementada pelos maiores sindicatos ligados ao setor que tem como único propósito sensibilizar e alertar o Governo para a importância do ensino/formação e da valorizações dos seus atores e agentes mais diretos.

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, numa curta mensagem vídeo que se encontra publicada na página oficial  da Federação, fez a apologia do professor, do ensino e da formação, num ano atípico em que os professores, mas também os demais atores ligados a este setor foram, por várias vezes, colocados à prova, em circunstâncias difíceis.

O país tem vivido uma situação extraordinária que fez emergir respostas educativas  totalmente novas e que nunca tinham sido imaginadas. À surpresa das novas circunstâncias impostas pela pandemia teve de se associar a capacidade de um dia para o outro alterar rotinas e experimentar novas formas e organização da sociedade e do processo de ensino/aprendizagem. Neste contexto os professores e educadores portugueses foram inexcedíveis no trabalho que desenvolveram, procurando colmatar as enormes insuficiências tantas vezes sublinhadas e um sistema de educação/formação no qual tão pouco se tem investido ao longo de tantos e tantos anos. Foi a ação direta de professores e educadores portugueses que promoveu o facto de milhares de alunos não perderiam a ligação à sua escola e aos conteúdos programáticos”, disse, acrescentando:

É verdade que esse esforço não foi suficiente para impedir que muitos alunos tenham sentido os efeitos negativos da ausência da escola dos seus professores e dos seus colegas.  Mas o que ninguém negou e ninguém nega é a extraordinária dimensão do esforço desenvolvido pelos professores e educadores portugueses. Nestes momentos tão exigentes, eles disseram presente com uma forte mobilização e um forte empenho. Muita gente e muitos políticos reconheceram essa enorme mobilização e esforço”, expressou, defendendo o reconhecimento das carreiras dos professores, a sua valorização, assim como o fim da precariedade.

É preciso que se assegure que há um regular desenvolvimento de carreiras que reconheça o trabalho que é desenvolvido  com tanto empenho nas nossas escolas.  É preciso que a aposentação seja atingida em tempo e em condições que permitam a vida com dignidade àquelas e àqueles que se entregaram com empenho às suas profissões

É preciso que esse reconhecimento se traduza na valorização destes trabalhadores. É preciso que a precariedade seja substituída pela estabilidade. É preciso que os jovens tenham direito a uma perspetiva emprego estável. É preciso que se assegure que há um regular desenvolvimento de carreiras que reconheça o trabalho que é desenvolvido  com tanto empenho nas nossas escolas.  É preciso que a aposentação seja atingida em tempo e em condições que permitam a vida com dignidade àquelas e àqueles que se entregaram com empenho às suas profissões, que se respeitem os limites do tempo de trabalho e que se promova o tempo de reconciliação da vida profissional com o respeito pela vida pessoal e familiar. É preciso que o sistema de educação e formação assegure a equidade no acesso à educação e à formação e também ao sucesso dos percursos escolares. É preciso desenhar e promover um horizonte de justiça e respeito para o futuro de todos nós, que substitua o desalento que a sucessão de políticas erradas tem instalado entre de todos nós”, avançou, sustentando que  foi com este objetivo que a Federação Nacional aprovou no dia 8 de setembro três documentos que exprimem publicamente os projetos que apresentamos para a valorização da carreira dos educadores e professores portugueses e também dos trabalhadores não docentes.

É por isso que neste dia a Federação Nacional de Educação afirma que este tem também de ser tempo de esperança não só em termos de saúde, mas também em termos de vida profissional. Os tempos difíceis dizemos presente, agora projetamos um futuro de valorização. Não desistimos de construir esse futuro de valorização e só juntos é que o conseguiremos fazer, só com os nossos sindicatos fortes e ativos é que o poderemos fazer, só seremos capazes de atingir propostas e objetivos se estivermos juntos na defessa das nossas propostas e nas ações que forem necessárias para as atingirmos e por isso vamos fazer ainda mais fortes os nosso sindicatos para que juntos cheguemos aos nossos horizontes”, manifestou.

A A Federação Nacional dos Professores (FENPROF), a maior federação sindical nacional, irá promover um  auditório do Seminário do Vilar, em que irá, também, acentuar a necessidade do Governo valorizar as carreiras dos docentes e a uma “aposentação digna”.

Refira-se que a FENPROF tinha agendado uma concentração para o Porto, mas as condições climatéricas previstas para hoje levaram a estrutura sindical a transferir a iniciativa para o auditório do Seminário do Vilar.

Fotografia: FENPROF

Numa mensagem escrita colocada na sua página oficial, a FENPROF reconheceu que, este ano, o Dia Mundial do Professor é assinalado em circunstâncias difíceis, primeiro com as dificuldades do ensino à distância, e mais presentemente com o regresso às salas de aula e o ensino presencial, num ano atípico marcado pela Covid-19.  

Neste ano de 2020, o Dia Mundial do Professor é assinalado num momento muito particular da vida de toda a sociedade, com natural impacto na das escolas, num primeiro momento, tendo obrigado a que se recorresse a ensino remoto e, agora, impondo diversos constrangimentos à concretização do ensino presencial. Constrangimentos cujas causas residem na grave situação epidemiológica que se vive, é verdade, mas também na insuficiência das medidas de segurança sanitária definidas pelo Ministério da Educação para as escolas e, ainda, na já crónica insuficiência de recursos humanos, designadamente de assistentes operacionais”, refere o texto.

Num momento em que a Covid-19 já entrou em mais de meia centena de escolas (dados registados pela FENPROF), o tempo é de exigência de investimento na Educação, como tem apelado o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, não só para superar os problemas criados pela pandemia, como aqueles que ela agravou. Assim, num momento em que se anunciam planos de recuperação para Portugal e em que está próximo o debate e votação do Orçamento do Estado para 2021, esta será a oportunidade para a FENPROF tornar públicas as propostas que, em sua opinião, deverão integrar a lei orçamental”, acrescenta o documento.

A FENPROF defende uma melhor “capacidade e qualidade da resposta pública de Educação e valorizar a profissão docente que, nos últimos anos, tem vindo a perder profissionais e a não atrair jovens candidatos, serão pedras de toque das propostas sindicais que serão entregues ao Ministério da Educação e à Assembleia da República”.