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Câmara de Paredes assinalou 5 de outubro com apresentação de obra de escritor de Recarei

Fotografia: Câmara de Paredes

A Câmara de Paredes assinalou, esta segunda-feira, as comemorações do 110.º aniversário da implantação da República com apresentação de obra “Paredes e a Primeira República”, Ivo Rafael Silva, escritor com uma vasta obra publicada, natural da freguesia de Recarei.  

Na sua intervenção, o escritor recordou que há 100 anos atrás, em 1918, o mundo teve também de enfrentar um pandemia, salientando que esta sua obra compreende as circunstâncias sociais e políticas ocorridas entre o 5 de outubro de 1910 e o 28 de maio de 1926 e a instauração da Ditadura Militar.

“A Primeira República foi o soco no estômago no conservadorismo paredense”, disse, reiterando que este território foi terreno fértil de acontecimentos que nos auxiliam no entendimento do contexto nacional.

“O município foi mesmo um dos mais destacados palcos turbulentos da conflitualidade religiosa de um país em crise e mergulhado numa guerra civil intermitente. A abordagem a factos e a figuras da sociedade paredense de finais do século XIX e princípios do século XX, permite obter um desenho bastante mais claro de uma realidade histórica muito peculiar, marcada pela instabilidade e pela polémica, embora hoje ainda genericamente ignorada”, expressou, recordando que o concelho de Paredes se sentiu confortável com o conservadorismo da ditadura.

“De um momento para o outro o regime chegou com uma mensagem que este povo não podia compreender ou aceitar. Que aquele mesmo Deus no qual os seus avós, pais e todos acreditavam  pura e simplesmente não existia. Em pouco tempo fizeram-se ruir alicerces do corpo e da alma…Só faltava agora que viesse a República para lhes arrancar também  a alma. Localmente neste meio ultra mundano o martelo positivista dessa República jacobina teve um efeito reerguente. Essa República caiu numa quietude mais ou menos constante e a essa queda reagiram os espíritos tocando sinos a rebate. O antidogmatismo revolucionário veio para calar esses sinos das igrejas e como aliás se escreveu no jornal de Paredes, na altura, só ficou o nome dos padres para servir de sinos à Republica. Daqui a resistência, a conflitualidade, a polémica, a história. Factos, figuras, políticos, republicanos, monárquicos, padres, bispos, chefes, maçons, carbonários, caciques, militares, heróis, traidores, instituições, cultura, desporto, vidas e mortes. Foi de tudo isto que se fez o passado, foi de tudo isto que se preenche o livro que, hoje, aqui apresentámos”, expressou.  

Fotografia: Câmara de Paredes

Ao Novum Canal, o autor já tinha avançado que esta obra foi o  “o resultado da investigação iniciada algures no ano de 2016 – na reta final da elaboração de «Paredenses na Grande Guerra» – começou por vir parcialmente a público sob a forma de artigos quinzenais no jornal «O Paredense». Cerca de 60% do trabalho foi publicado nesses artigos, estando por isso os restantes 40% agora compilados neste livro pela primeira vez. Ao serem transpostas para esta nova publicação, grande parte das crónicas já publicadas foram alvo de concreções e adendas de diversa ordem. Apresenta-se agora, pois, a versão mais atualizada e revista da investigação levada a cabo”.

Já o presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, referiu que a história dos povos faz-se por ciclos de avanços e recuos, o sonho de homens, que foram capazes de fazerem com que as coisas acontecessem.

O autarca recordou o liberalismo, a figura de José Guilherme, responsável pela criação da comarca de Paredes, escolas e estradas pelo município.

Alexandre Almeida referiu-se a esta fase como sinómimo de avanço económico, social e político, a separação entre a Igreja e o Estado, a igualdade civil, a liberdade de ensino, o ensino obrigatório até à 4.ª classe, o ensino profissional, a criação de instituições culturais.

O chefe do executivo reconheceu que o 25 de abril herdou o melhor da implantação da República, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade sindical, de situação, religiosa, etc…

Alexandre Almeida reiterou que a qualidade de vida depende de todos e cada um de nós, admitindo que o concelho vive um momento de desenvolvimento , um período positivo.

“Temos projetos em curso e uma câmara com contas controladas. As escolas têm tido um trabalho notável, os empresários fazem tudo para vencer esta crise. Estamos no bom caminho. Estou certo que estamos a construir o futuro. O ciclo em que vivemos ficará na história pela positiva”, atalhou.

A obra de Ivo Rafael Silva tem 423 páginas, agrupadas em 61 artigos, sendo uma edição da Câmara Municipal de Paredes em parceria com o Centro de Estudos Interculturais do ISCAP (P.Porto).

Recorde-se, que também, hoje, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no seu discurso das comemorações do 110.º aniversário da implantação da República, numa cerimónia mais circunscrita, apelou à unidade nacional como meio para fazer face à crise sanitária e económica que vive o país.  

Marcelo Rebelo de Sousa destacou que o 5 de outubro é vivido em tempo de duas graves crises, em tempos de exceção, tendo feito referência às expressões “resistir, a prevenir a cuidar, a inovar, a agir em liberdade”, e à necessidade do país “saber compatibilizar a diversidade, com a convergência no essencial”.

Marcelo Rebelo de Sousa declarou que temos de ser capazes de sobrepor o interesse coletivo aos meros interesses pessoais.

O mais alto magistrado da nação manifestou, também, que o país tem de continuar a resistir “ao medo que trava a ação, ao facilitismo que agrava a situação, à tentação de encontrar  bodes expiatórios numa luta que é de todos e não é só de alguns”, expressou, sustentando que a “recuperação económica demorará anos”.

O Presidente da República sensibilizou, ainda, para a necessidade dos governantes serem capazes de gerir os milhares de milhões de euros que vão ser distribuídos no âmbito da pandemia para minimizarem os efeitos da crise, ajudando a mitigar as consequências negativas da exclusão social.