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Covid-19: Associação Nacional dos Cuidados Continuados questiona Governo sobre quantas camas tem disponíveis

Fotografia: ANCC – Associação Nacional dos Cuidados Continuados

O presidente da direção da ANCC – Associação Nacional dos Cuidados Continuados, José Bourdain quer saber quantas camas existem efetivamente para o caso de aumentar a necessidade de internamento por força do Covid-19.

Em email enviado aos jornalistas, o responsável ANCC – Associação Nacional dos Cuidados Continuados, José Bourdain, confessou ter alguma dúvidas  quanto aos números que foram avançados recentemente quer pela ministra da Saúde, Marta Temido, quer pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, na sequência de duas entrevistas televisivas.

“21.000 camas disponíveis? Onde? Nos últimos dias assistimos a duas entrevistas televisivas, uma da Srª. Ministra da Saúde e outra do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Saúde. Ambos afirmaram que o SNS tinha 21.000 camas disponíveis para o caso de aumentar muito a necessidade de internamento por força do COVID-19. Às perguntas dos jornalistas, de quantas camas livres existiriam, responderam 21.000 e que o SNS funcionava em rede. Porém, se olharmos para Portugal Continental (pois duvidamos que andem a transportar doentes entre o Continente e os Arquipélagos e vice-versa) temos: 22.513 camas em hospitais públicos já contando com as Parcerias Público Privadas; 9.268 camas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Ou seja, um total de 31.781 camas”, disse. Acrescentando:

“Tendo em conta que a esmagadora maioria destas camas estão ocupadas (no caso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados existe uma lista de espera significativa desde há muitos anos, como, aliás, é sobejamente conhecido), gostaríamos que o Governo dissesse efectivamente quantas camas estão livres pois não acreditamos que existam 21.000 camas disponíveis tal como afirmaram”.

“Queremos e exigimos saber a verdade para podermos trabalhar com base em dados reais e não em propaganda política. Queremos que o Governo resolva a falta de Enfermeiros e de Auxiliares de Ação Médica, na Rede de Cuidados Continuados Integrados”

José Bourdain assumiu querer saber a verdade para trabalhar com base em dados reais.

 “Queremos e exigimos saber a verdade para podermos trabalhar com base em dados reais e não em propaganda política. Queremos que o Governo resolva a falta de Enfermeiros e de Auxiliares de Ação Médica, na Rede de Cuidados Continuados Integrados, bem como o seu subfinanciamento”, avançou.

Fotografia: ANCC – Associação Nacional dos Cuidados Continuados

Refira-se que a ministra da Saúde na entrevista que deu à RTP, no Telejornal, no dia 21 de setembro, referiu:

“O SNS tem  cerca de 21 mil camas de internamento. A Administração da  Saúde da Região de Lisboa e Vale do Tejo sete mil dessas camas. Das 500 camas que a região de Lisboa e do Vale do Tejo tem guardadas, nesta fase, para resposta à Covid-19, estão ocupadas 300, mas são 300 das 500 que fazem parte das sete mil, ou seja temos esta capacidade de ir adaptando as respostas àquilo que são as necessidades de cada momento”, expressou sustentando que o SNS tem a capacidade de atuar em rede e de ativar outros serviços se isso for necessário.

“Temos estado preparados desde o início do ano e temos de continuar a trabalhar no sentido de termos uma melhor resposta. Temos hoje mais meios, mais recursos humanos e técnicos, temos sobretudo mais organização e mais conhecimento. Enfrentámos esta fase que é uma fase de crescimento dos números, com confiança, com preocupação, mas com a consciência que conseguimos reforçar quer a capacidade laboratorial, quer a capacidade de medicina intensiva, quer os recursos  humanos, quer os métodos de organização do trabalho ao nível da saúde pública, da integração de outras áreas, com outros setores e melhorar as repostas”, acrescentou, à data, ao programa Telejornal da RTP.