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Jovem de Cinfães vence Concurso Internacional de Marimba

O jovem cinfanense João Pedro Lourenço foi o vencedor do I Concurso Internacional de Marimba de Pollença, que decorreu em Palma de Maiorca, Espanha, com a interpretação da obra “Night Rhapsody”, de John Serry.

O concurso contou com a participação de cerca 500 músicos percussionistas/marimbistas de vários países.

Ao Novum Canal, João Pedro Lourenço destacou que foi a primeira  vez que participou neste concurso, destacando que ter ganho o Concurso Internacional de Marimba foi para si uma experiência enriquecedora que lhe vai permitir manter-se ativo nesta fase mais difícil e nos tempos adversos que estamos a viver, na sequência da Covid-19.

O sentimento é bom, claramente. É óbvio que vencer um concurso é sempre positivo e importante, dá-nos motivação para estarmos mais ativos na ambiência musical e produzir mais, sobretudo nesta fase que passamos, que é uma crise pandémica que está a afetar os artistas de uma maneira muito assustadora, principalmente os percussionistas, devido à falta de instrumentos, por isso, ganhar um concurso nesta altura deu-me uma motivação forte para estar ativo nestes tempos de adversidade”, disse, salientando que foi  o conhecimento que teve do concurso por intermédio de um amigo e a divulgação feita nas redes sociais que o levaram a participar neste evento internacional.

A possibilidade de participação neste concurso chegou-me primeiramente através da partilha do mesmo por um amigo músico e depois também devido à extensiva divulgação nas redes sociais por parte da organização, como acontece na maior parte das vezes”, disse, salientando que foi a primeira vez que participou neste concurso, referiu, sustentando que não esperava ter ganho.

Fotografia: Câmara de Cinfães

Não, de todo. Estavam selecionados muitos jovens músicos com elevada qualidade criativa e técnica. É certo que havia um pensamento numa possibilidade de as coisas correrem bem no que diz respeito aos prémios, mas não passava de uma crença positiva”, expressou.

Falando do concurso e das etapas que teve de cumprir, João Pedro Lourenço esclareceu que o concurso estava organizado em três eliminatórias: a primeira delas por vídeo, a segunda eliminatória e a respetiva final, presencialmente.

Sempre gostei dos instrumentos de percussão e fui procurando sons que me interessassem

 O jovem explicou que é percussionista, reconhecendo que a marimba sempre o despertou por ser um instrumento especial pelas suas características sonoras.

É importante realçar-se que sou percussionista e não um músico totalmente dedicado à marimba. Comecei a estudar percussão, no entanto, a marimba sempre me despertou um interesse especial pelas suas características sonoras, é um instrumento muito interessante, porém, não me recordo da altura em que comecei a estudá-la, visto que a minha formação instrumental começou antes da marimba”, disse, frisando que a paixão pelo instrumento surgiu de uma forma muito natural.

Sempre gostei dos instrumentos de percussão e fui procurando sons que me interessassem. A marimba despertou-me uma curiosidade especial pelas suas características timbricas, pela sua história e também pela sua literatura, que vai sendo cada vez mais enriquecida”, acrescentou, afirmando que a marimba é um instrumento conhecido e com história e existem muitos percussionistas em Portugal “com elevada qualidade artística, embora não tenha ideia de um número exato de quantos existem no nosso país”.

O jovem cinfanense revelou que estuda na Escuela Superior de Música de Extremadura, admitindo que optou por Espanha porque se trata de uma instituição de ensino reconhecida pela sua qualidade.

Fui estudar para Espanha essencialmente porque a escola é muito boa. O sistema de horários é muito acessível e a qualidade dos professores é muito elevada. Devo dizer que no princípio a escola interessou-me por um dos meus professores da Universidade do Minho, escola onde estudei anteriormente, estender a sua atividade de docente na Escuela Superior de Música de Extremadura, o músico Nuno Aroso. Para além de Nuno Aroso, sou também acompanhado pelos professores e músicos: Victor Segura, Joan Soriano e Bart Jansen”, afirmou, elucidando que para si conciliar os estudos com a prática do instrumento não é nenhuma dificuldade.

“Sim, os estudos são fundamentalmente musicais, seja na teoria ou na prática, é uma questão de gerir bem o nosso tempo”, afiançou.

“a falta de concertos, a falta de instrumentos/recursos, a falta de apoios no geral está a fazer com que a cultura seja menos evocada”

O músico cinfanense recordou que, em Portugal, já realizou vários concertos.

Em Espanha não tantos como em Portugal, mas é sempre um prazer enorme tocar em qualquer um dos sítios”, precisou, reconhecendo que o gosta de criar e também recriar sobre aquilo que já existe.

Ser músico profissional implica estar sempre ativo e por essa razão, claramente que gostaria, mas também devo dizer que não tenho objetivos. Aquilo que mais gosto é criar e também recriar sobre aquilo que já existe, o resto vai aparecendo como valorização e interesse pelo nosso trabalho”, confessou, admitindo que o seu futuro profissional passa por outros países que não Portugal.

Questionado sobre quais os impactos que a pandemia estar a ter na cultura e na música, em concreto, João Pedro Lourenço admitiu que “a falta de concertos, a falta de instrumentos/recursos, a falta de apoios no geral está a fazer com que a cultura seja menos evocada”.

Porém, imagino que nem tudo será perdido neste período diferente que atravessamos, creio que os compositores e os artistas no geral que possuem mais recursos caseiros, tenham aproveitado este tempo de confinamento para pensar e criar mais”, acrescentou, confirmando que a situação em Portugal e Espanha são idênticas.

No que diz respeito à arte, Espanha e Portugal estão parecidos, a cultura está muito afetada em ambos os países com falta de concertos, museus encerrados e todos os espaços que se ligam à arte permanentemente fechados. No que se refere aos números de contágio, Espanha está muito mais afetada que Portugal, como é visível nas notícias”, lembrou, defendendo que deveriam existir mais apoios para a cultura.

Sem dúvida que sim. Portugal, no que a isto diz respeito, é um país mísero. Infelizmente, não é comparável a outros países, como por exemplo a Alemanha, em que os artistas são apoiados e valorizados como nunca se viu em Portugal. No nosso país o apoio dado à cultura é ridículo, devemos ter consciência que neste período de pandemia, em Portugal há muitos artistas com fome e uma ministra da cultura sorridente”.

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