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«O desapego do outono», artigo de opinião Dra. Marina Ferreira da Silva

O desapego do outono!


«Estamos no outono e do ponto de vista da psicologia esta altura pode ser convidativa a momentos de reflexão interior e introspeção.
Visto por muitos com nostalgia, pela mudança do clima e pelo fim dos dias mais longos, o outono, e no geral todas as estações do ano, implicam alguma adaptação. Mudamos rotinas, mudamos as roupas, estamos mais envolvidos no trabalho e por isso, muitas vezes, sentimo-nos mais sensíveis e vulneráveis – afinal, todos procuramos a regularidade na nossa vida.

Outrora, as estações do ano ditavam também ritmos diferentes de viver o que, atualmente, já não acontece. Talvez por esse motivo, estudos recentes apontem para a existência de um tipo específico de depressão, a sazonal. Muito embora não se encontre uma relação direta causa-efeito, ter capacidade de abrandar e olhar para dentro é fundamental para a nossa estabilidade interior.

«Já reparou que no outono a natureza parece libertar-se do que já não precisa?»

Já reparou que no outono a natureza parece libertar-se do que já não precisa? E que as árvores despojam-se das folhas amareladas para que a renovação mais tarde aconteça? Com esta metáfora natural, podemos colocar em hipótese a possibilidade do mesmo acontecer connosco próprios, praticando o desprendimento do que já não faz sentido, do que já não usamos ou não precisamos na nossa vida.

Este trabalho introspetivo de desapego e de ‘limpeza’ é de, certo modo, desconfortável e doloroso, pois sabemos que a sensação de perder algo pode ser terrível. Mas é tão necessário este processo! E é tão revitalizante a leveza e a liberdade que se abrem de seguida.

Tal como a Fenix da mitologia grega que renasceu porque se permitiu queimar em cinzas, durante este período, aproveite para fazer a sua reflexão individual e criar condições para que o novo na primavera chegue.
O outono lembra-nos da nossa mutabilidade e do quanto o caminho de resdescoberta pode ser libertador…e inspirador!»

Marina Ferreira Silva,
Consultório de Psicologia