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Atirador desportivo de Paredes sagra-se campeão nacional na Divisão Standard

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Fotografia: Maurício Reis

Maurício Reis,  atirador desportivo de Paredes, sagrou-se campeão nacional de Ipsc – International Pratical Shooting – Divisão Standard no calibre .40S&W, competição que decorreu na carreira de tiro Ctds, situada no concelho de Tarouca, e que contou com 100 atletas.

Falando do título obtido, Maurício Reis realçou que a conquista deste título é o culminar de todo um trabalho, entrega e determinação que vem desenvolvendo desde 2006, altura em que começou a fazer tiro, em prol da modalidade.

“O culminar de um trabalho árduo e de muito esforço e dedicação que se traduziu num resultado que já há muito desejava. Neste desporto o atleta mesmo a treinar muito pode ser sempre surpreendido, visto que todas as pistas são diferentes de prova para a prova e as distâncias e cadência de tiro estão sempre a ser alteradas pela imposição da dificuldade inerente a pista. Por isso, mesmo sabendo o meu esforço sabia que o melhor que podia fazer era dar o melhor de mim, pois existem atletas fantásticos nesta modalidade e qualquer um deles pode ser o vencedor. Mas quando damos o melhor que sabemos e não estamos preocupados com aquilo que os outros fazem o resultado costuma ser positivo e foi aquilo que aconteceu. Por isso posso responder que estou mesmo muito feliz pois dei o melhor de mim”, disse, salientando que tiro Prático, IPSC, é um novo e dinâmico estilo de atirar competitivamente que assenta na sinergia da precisão, potência e velocidade.

O atleta da Sociedade de tiro do Porto reconheceu que este não sendo o seu primeiro título nacional, o primeiro aconteceu em 2016, ter conseguido arrecadar novamente o primeiro lugar foi motivo de regozijo e orgulho.

“É sempre motivo para uma grande sensação de alegria. É o culminar de muito esforço e sempre com o intuito de trabalhar mais e melhor. Pois neste desporto temos de tentar sempre superar-nos a nos próprios, e como tal precisamos de uma grande dedicação. Por isso atingir um título nacional novamente vai ser sempre das melhores sensações que podemos saborear”, avançou.

Questionado sobre as dificuldades sentiu no decorrer da competição, Maurício Reis realçou que a gestão da ansiedade e o desligar  dos outros atletas constituíram para si uma dificuldade acrescida.

“Desde o início da prova que surgem momentos altos e baixos durante a resolução das diferentes pistas. Apenas no último tiro dado conseguimos ter a perceção se demos ou não o nosso melhor”

Fotografia: Maurício Reis

“A gestão da ansiedade, o desligar dos outros competidores, a capacidade de pensar que apenas eu estava ali na carreira de tiro e o medo de não conseguir dar o meu melhor”, expressou, assumindo que só no final da prova o atleta tem um perceção se deu ou não o seu melhor.

“Desde o início da prova que surgem momentos altos e baixos durante a resolução das diferentes pistas. Apenas no último tiro dado conseguimos ter a perceção se demos ou não o nosso melhor. Tento não pensar se vou conseguir ganhar para diminuir a tensão inerente a prova. O resultado só podemos mesmo observar no final quando estão expostos no placar de classificação. Pois todos os atletas são atletas experientes e com grande qualidade técnica. E assim sendo, qualquer um pode ser campeão”, adiantou.

“Esta modalidade embora atraia muitos atletas é uma modalidade muito dispendiosa, e muitas vezes temos de fazer esforços financeiros muito altos, que nos leva a tomar decisões no sentido de ter de optar por deixar de fazer muita coisa, para poder praticar”

Referindo-se à implantação que o tiro dinâmico tem na região,  o atirador desportivo paredense  esclareceu que a modalidade disputa-se com atletas oriundos de todas as regiões do pais, desde Tavira até Braga.

“Existem clubes em todas as regiões e atletas que apesar de não terem carreira de tiro perto de casa, as vezes se deslocam centenas quilómetros só para conseguirem treinar.  Isto porque esta modalidade exige muitos critérios de segurança, devidamente tutelados pela PSP. Fazendo com que as carreiras de tiro sejam em número reduzido, mas seguro para a população. Embora existam muitos clubes as carreiras de tiro prático ainda são em número muito reduzido. Esta modalidade embora atraia muitos atletas é uma modalidade muito dispendiosa, e muitas vezes temos de fazer esforços financeiros muito altos, que nos leva a tomar decisões no sentido de ter de optar por deixar de fazer muita coisa, para poder praticar. Ao mesmo tempo como é um percurso um pouco penoso até conseguir obter licença C, que é a licença que permite fazer o tiro dinâmico”, realçou, salientando que para obter esta licença o atirador tem de inicialmente obter a licença A, obter 480 pontos em provas oficiais durante 2 anos, passar a licença B e obter a mesma pontuação e só depois é que consegue obter a licença C.

“Ou seja, é preciso muita força de vontade e disciplina mental para não desistir deste tipo de percurso. Com tudo isto quero dizer que para um civil é complicado este tempo de espera, mas costumo dizer que é algo que vale a pena”, atalhou, afirmando desconhecer quanto atiradores existem na região do Tâmega e Sousa.

Fotografia: Maurício Reis

“Não sei responder, porque encontro os atletas nas carreiras de tiro que ficam longe de minha casa, como referi. E poucos são os atletas que tem uma carreira de tiro nas imediações da zona de residência. Posso mencionar que existem milhares de atletas no tiro, mas que devido ao número de carreiras de tiro não sei de onde cada um é proveniente”, acrescentou.

Já quanto aos requisitos exigidos para se exercer esta modalidade, o campeão nacional reiterou que para obter esta licença o atirador tem de inicialmente “obter a licença A, obter 480 pontos em provas oficiais durante 2 anos, passar a licença B e obter a mesma pontuação durante mais dois anos e só depois é que consegue obter a licença C”.

“Os cidadãos que forem das forças de segurança já possuem o equivalente a licença C. Sendo apenas necessário fazer o curso de IPSC”, frisou.

Ao Novum Canal, o atirador desportivo declarou que o gosto da família pela caça fez cresce nele a vontade de querer praticar o tiro e seguir esta modalidade.

“Penso já ser um gosto de família, dado que o meu avô já fazia caça, e desde sempre vivi um pouco no meio de pessoas que gostavam de armas. Acrescentando a isso com um gosto inato pelos filmes de ação que ajudou a surgir esta paixão. É daquelas questões porque que é que um piloto de formula 1 gosta de carros? Ou um piloto de motas?  Penso que é algo que já nasce dentro de nós”, sustentou, sublinhado que pratica tiro desde 2006, há 15 anos.

Para além das competições nacionais ( Campeonato nacional, taça de Portugal, Open de Portugal, CapPSP, Bracara Augusta Match), Maurício Reis já realizou vários campeonatos nacionais Espanhóis, Franceses, foi selecionado para representar a seleção nacional em campeonatos da Europa e do Mundo.

Fotografia: Maurício Reis

Das competições que já realizou, o atirador confessou que a mais relevante foi ter participado no Campeonato do Mundo.

“Participar no campeonato do mundo e ficar no primeiro terço da tabela dos melhores do mundo, foi muito gratificante. Pois também me permitiu ter estatuto de alto rendimento o que me permitiu juntamente com a minha entidade empregadora treinar mais. Aproveito para agradecer desde já a Câmara Municipal de Paredes, por toda a abertura e ajuda que tem comigo enquanto colaborador e atleta, sem a qual não me seria permitido treinar e obter bons resultados”, referiu, reconhecendo que apesar das dificuldades económicas que todos os cidadãos estão a ultrapassar, esta é uma modalidade em crescimento.

Interpelado sobre as dificuldades com que se deparam os praticantes desta modalidade,  Maurício Reis confirmou que custo inerente e a distância das carreiras de tiro são os maiores problemas que se colocam a quem quer praticar tiro.

Ao Novum Canal, o atual campeão nacional manifestou que os próximos desafios desportivos que pretende alcançar passam por ser selecionado para o campeonato do Mundo, “e representar da melhor forma possível o nome de Portugal, fazendo-o chegar cada vez mais longe”.

Esta modalidade é tutelada pelo International Practical Shooting Federation), sedeado nos E.U.A.

Em Portugal, a modalidade existe desde 1993 através de atiradores como Guilherme Chitas, Paulo Aires, José Pêgo e Fernando Almeida.

Além de bicampeão nacional, Maurício Reis detém outros títulos nacionais, sendo vencedor da taça de Portugal e Mestre Atirador em tiro Pratico e Pistola Sport 9mm.


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