Novum Canal

mobile

tablet

História do rock em Lousada retratada em livro

Partilhar por:

Promover a história do rock em Lousada é o objetivo do projeto LouzaRock, da autoria de José Carlos Carvalheiras.

Ao Novum Canal,  José Carlos Carvalheiras, que estudou Sociologia em Faculdade de Letras da Universidade do Porto, realçou que este projeto tem como objetivos traçar a história da música moderna, num projeto que pretende ser mais um contributo para a história da música em Lousada.

“O projeto LouzaRock consiste em caracterizar o mais fielmente possível a história do rock em Lousada, ou seja, pretende-se contar a história da música moderna, desde a primeira banda até à mais recente. Inclui os pioneiros, as correntes de disseminação, as biografias, as histórias, os festivais, os concertos, etc. Nenhum estilo musical que se enquadre na área do rock ou mais genericamente na Música Moderna Portuguesa vai ficar de fora. Tem Hardcore, Black Metal, Rock’n’Roll, Rock Progressivo, Stone Rock, e muitos mais.  Além do trabalho documental, biográfico e catalogador, o LouzaRock tem ainda uma componente sociológica, pois explica as causas sociais e culturais do surgimento e das diferentes correntes da música rock em Lousada”, disse.

Falando da génese do projeto, José Carlos Carvalheiras declarou que a ideia já tinha alguns anos e fruto do contacto e do convívio com dois protagonistas da cena musical lousadense, o Nuno Almeida e o Joaquim Barbosa, precursores de duas correntes distintas, começou a ganhar forma.

“Esta ideia já tem alguns anos e é fruto do convívio com dois protagonistas da cena musical lousadense, o Nuno Almeida e o Joaquim Barbosa, que são os precursores de duas correntes distintas, mas complementares do rock em Lousada. Estes músicos são os principais colaboradores do LouzaRock. A pandemia que se instalou veio ajudar à sua concretização porque as pessoas estão mais disponíveis, há mais tempo livre. É um trabalho que implica uma infinidade de entrevistas e contactos para recolha de material e tudo tem corrido a preceito porque as pessoas implicadas direta e indiretamente no processo estão muito colaborativas”, afirmou.

O autor deste LouzaRock esclareceu  que o no livro irá incluir algo tecnologicamente mais avançado e apelativo, para as pessoas que adquirem o livro acederem a todos os conteúdos vídeo, áudio e fotográfico acerca do rock em Lousada.

“Aquando da primeira estruturação da obra pensou-se incluir um CD ou um DVD, mas percebemos depressa que havia soluções mais práticas e exequíveis. Além de tornar o processo mais oneroso, dentro em breve os discos em CD cairão em desuso (como já está a acontecer), como ficaram as cassetes e os discos vinil. Então, vamos incluir no livro algo tecnologicamente mais avançado e apelativo, para as pessoas que adquirem o livro acederem a todos os conteúdos video, audio e fotográfico acerca do rock em Lousada”, avançou, salientando que esboço tem perto de 150 páginas.

“Ainda há algum conteúdo em falta. Mas a revisão já está em marcha. Quanto à publicação, ainda não há uma data. São incertos os tempos que correm e importa que a questão da pandemia estabilize ou, preferencialmente, acabe, para então concretizar os passos finais deste projeto”, atalhou.

“A ideia inicial era editar uma brochura, uma publicação singela que fosse uma homenagem, mas já se assemelha a uma coletânea ou enciclopédia. Inicialmente, pensava fazer apenas um inventário e juntar uma síntese analítica das duas principais correntes que fomentaram o rock em Lousada a partir dos anos 90”

Questionado sobre o espaço temporal que abrange o projeto, José Carlos Carvalheira declarou que a história do rock em Lousada está cronologicamente datada e identificada.

“Começou em 1965 com um grupo chamado Os Moscas, dos primos Melo e dos irmãos Bessa Machado, que foram os pioneiros da música moderna naquela época. Chamo-lhes os Beatles lousadenses. A banda mais recente foi formada no ano passado e chama-se Barananu, uma excelente formação de rock-jazz”, sustentou, afiançando que o resultado final não corresponde àquilo que tinhas idealizado inicialmente.

“Não, de todo. A ideia inicial era editar uma brochura, uma publicação singela que fosse uma homenagem, mas já se assemelha a uma coletânea ou enciclopédia. Inicialmente, pensava fazer apenas um inventário e juntar uma síntese analítica das duas principais correntes que fomentaram o rock em Lousada a partir dos anos 90 e juntar a isso  uma abordagem ao papel do Conservatório de Musica do Vale do Sousa no fomento indireto que promove no rock lousadense. Mas o campo de estudo revelou outros subcampos com correntes e influências que não podem ficar de fora, nomeadamente o papel de pessoas que vieram das ex-colónias e da África do Sul, as influências de localidades culturalmente e musicalmente muito fortes, como Freamunde e freguesias vizinhas, por exemplo”, acrescentou.

“Há uma imensidão de registos, desde recortes, cartazes, flyers, bilhetes de concertos, CD’s, cassetes áudio e vídeo, ficheiro digitais mp3 e outros formatos. Tudo isso precisa de ser tratado, pois muito dele está avulso, sem etiquetagem nem catalogação”

Interpelado acerca das dificuldades que está a ter na realização do projeto, José Carlos Carvalheiras assumiu que, desde logo, se deparou com o problema da imensidão do objeto de estudo.

“Desde logo deparei-me com o problema da imensidão do objeto de estudo. Sabia que existiam muitas bandas na atualidade e nos últimos 30 ou 40 anos , mas confesso que não sabia que fossem tantas. Acho que ninguém sabia. Neste momento, o inventário está praticamente concluído e estão contabilizadas nada mais nada que 55 (cinquenta e cinco bandas), que reúnem três critérios para entrar nesta obra: ter um nome, desenvolver uma atividade regular (independentemente se curta ou duradoura, mas que inclua ensaios e atuações ao vivo) e ter uma formação mais ou menos estável (isto implica ter tido fundadores e precursores ou continuadores). Seriam bastantes mais bandas, se não se tivesse definido esses critérios de seleção. É de referir que também estão aqui incluídas bandas que não sendo de Lousada, têm ligações ao concelho, mormente por integrarem músicos de Lousada desde a sua fundação”, atalhou, sublinhando que não foi fácil compilar todo o material para esta obra.

“Nunca é fácil quando o objeto de estudo é tão vasto. Quase todos os dias recebo material. Algum em mau estado de conservação mas ainda assim precioso Há uma imensidão de registos, desde recortes, cartazes, flyers, bilhetes de concertos, CD’s, cassetes áudio e vídeo, ficheiro digitais mp3 e outros formatos. Tudo isso precisa de ser tratado, pois muito dele está avulso, sem etiquetagem nem catalogação. É um trabalho da componente digital deste projeto que está a dar os primeiros passos e constitui a última fase editorial do projeto Louzarock. Segue-se a fase promocional, que incluirá música ao vivo e sessões de apresentação não só em Lousada mas um pouco por todo o Vale do Sousa, percorrendo os locais míticos e outros mais recentes ligados ao rock”, avançou.

José Carlos Carvalheiras apesar das dificuldades e do trabalho hercúleo manifestou que tem contado com contributos vários e a solidariedade a todos os níveis.

“Tenho encontrado uma solidariedade e uma colaboração a todos os níveis inédita na minha carreira de investigador social.  Os contributos são imensos e de vários quadrantes,  desde técnicos de som, organizadores de festivais e concertos, dos músicos e familiares de músicos falecidos, dos apresentadores radiofónicos da antiga Rádio Lousada, principalmente o Ricardo Ferreira, do arquivo do jornal TVS, entre muitas outras fontes”, retorquiu, confessando que o projeto já está a fazer mexer um setor que está numa situação constrangedora por causa da pandemia.

“Desde logo tem sido gratificante constatar que este projeto está a fazer mexer um setor que está numa situação constrangedora por causa da dita cuja pandemia. Congratulo-me por constatar que o slogan “a música  une” não é um cliché, é mesmo realidade. Tenho presenciado músicos que estavam desavindos por causa de questões antigas e que fazem as pazes, muitos anos depois, e juntam-se para conceder uma entrevista de grupo para este livro. Este projeto veio acordar várias bandas que estão a regressar à atividade. Os Entretela e os No Brains, por exemplo, duas bandas de grande impacto a nível local e regional nos anos 90”, conformou.

Sobre o o “feedback” que espera obter do público e já agora da crítica, o autor admitiu estar confiante  da recetividade do público e na forma como irá olhar e analisar o projeto.

“Muito animador. Têm surgido imensos pareceres favoráveis e incentivos, de diversos quadrantes. Na sequência da dinâmica informativa nas redes sociais, criada com o propósito de mobilizar as pessoas do setor e para angariar materiais e testemunhos e daí tem surgido uma onda de reações muito boas e que fazem acalentar boas expectativas para esta edição”, referiu, admitindo a possibilidade de explorar, noutras obras, vertentes como o o folk, o folclore, o fado, entre outros géneros.

“Além do rock ou da música moderna em geral, onde incluo o jazz, há outras vertentes que importa explorar. A música filarmónica, a música folk, o folclore e o fado, por exemplo, são vertentes musicais merecedoras de estudo e edição em papel e digital”, precisou, confirmando que esta obra é edição de autor, uma edição pessoal, patrocinada por várias entidades, entre as quais o município de Lousada, o Instituto Português da Juventude e do programa EJA do IEFP.


Partilhar por:

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Receba todas as novidades!

Subscreva a nossa Newsletter

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Ajude o Jornalismo Regional

IBAN: PT50 0045 1400 4032 6005 2890 2
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo

Obrigado!

Estamos a melhorar por si.
Novum Canal, sempre novum, sempre seu!