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Arranque das aulas: Associação Zero assume não se justificar recorrer ao take-away assente em produtos descartáveis

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A Associação ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável defendeu, a pouco mais de duas semanas do arranque do ano escolar e a propósito da sugestão dada pelo Ministério da Educação para que as escolas recorram ao regime de ‘take-away’ este ano letivo, não se justificar recorrer ao take-away assente em produtos descartáveis.

Susana Fonseca, da direção, da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, realçou que as escolas, na sua maioria, já possuem copos, talhares, tijelas de sopa, reutilizáveis, já têm a capacidade para os lavar/higienizar todos estes utensílios e não será necessário usar produtos descartáveis.

“A ZERO considera que devem ser exploradas alternativas, como por exemplo, desfasamento de horários das refeições, ter turmas que só têm aulas de manhã e outras que só têm à tarde, solicitar o apoio das famílias para que algumas crianças tragam as refeições de casa (como hoje já acontece, sendo comum existirem micro-ondas para as crianças e jovens aquecerem a sua comida) e procurar encontrar outros espaços nas escolas onde possam ser servidas refeições (outras salas). Se for mesmo necessário avançar com take away, então devem ser usados recipientes reutilizáveis. Dado que as escolas, na sua maioria, já possuem copos, talhares, tijelas de sopa, etc, reutilizáveis, já têm a capacidade para os lavar/higienizar todos estes utensílios e não terão mais alunos do que em anos anteriores, e é possível  utilizar recipientes reutilizáveis (por exemplo em plástico ou metal), que apenas terão que ser adquiridos uma vez, acreditamos que não se justifica recorrer ao take away assente em produtos descartáveis”, disse.

“O que valeria a pena era que os decisores intervenientes se mobilizassem para encontrar soluções para a crise de saúde pública que não agudizassem outras crises. Como também já referimos acreditamos que é possível e melhor, do ponto de vista ambiental e económico, privilegiar a opção reutilizável em detrimento da descartável”

Susana Fonseca esclareceu que o recurso ao take away com produtos descartáveis é exequível, mas terá um impacto negativo em termos ambientais.

“Exequível é, mas não é desejável por várias razões: terá um impacte ambiental brutal em várias áreas sendo a mais visível o aumento da produção de resíduos, vai ter custos económicos muito elevados e dá o pior exemplo possível aos jovens, que irão testemunhar que os decisores, sempre que se deparam com um desafio, o tendência é optar pelo descartável, sem ter em conta as outras crises que tal ação irá agudizar (alterações climáticas, perda de biodiversidade)”, afirmou, salientando que, nesta fase, o fundamental é que os decisores políticos encontrem soluções para a crise de saúde pública e não provoquem outras crises.

“O que valeria a pena era que os decisores intervenientes se mobilizassem para encontrar soluções para a crise de saúde pública que não agudizassem outras crises. Como também já referimos acreditamos que é possível e melhor, do ponto de vista ambiental e económico, privilegiar a opção reutilizável em detrimento da descartável.  É também muito importante ter sempre presente que o descartável não acrescenta nada em termos de segurança. O importante é a que foi feito antes. Se quem manuseia um recipiente descartável ou um reutilizável  não cumprir as regras básicas de higiene o risco de contaminação é idêntico. O descartável não acrescenta nada”, referiu, reiterando que a utilização de produtos descartáveis do ponto de vista ambiental teria consequências indesejáveis com acréscimo de resíduos depositados em aterro.

“Desde logo um aumento muito significativo da quantidade de resíduos produzida, com o consequente aumento da quantidade de resíduos a irem para aterro ou a serem incinerados com os óbvios impactes ambientais daí decorrentes. O uso de alternativas ao plástico fóssil também não são necessariamente melhores, visto que a sua produção tem, em muitos casos, um impacto ambiental significativo e no final, a esmagadora maioria tem, na mesma, que ser enviado para aterro. Fóssil ou não fóssil, é descartável”, acrescentou.

Questionada se a maioria dos estabelecimentos de ensino dispõem de condições para dentro dos prazos que foram fixados assegurar um serviço alimentar minimamente de qualidade aos alunos, Susana Fonseca admitiu que existindo desfasamento de horários, turmas só de manhã ou só de tarde, alargamento da cantina a outros espaços, entre outras, os estabelecimentos de ensino têm condições para garantir a qualidade desse serviço.

“Com o desfasamento de horários, turmas só de manhã ou só de tarde, alargamento da cantina a outros espaços, pedindo a contribuição das famílias para que tenham que ser servidas menos refeições nas escolas, acreditamos que a maioria tem, de facto condições para tal. Se tiver que recorrer a take away, devem ser privilegiadas soluções reutilizáveis. Não devemos imaginar que conseguiremos minimizar as alterações climáticas, travar a perda da biodiversidade ou o esgotamento de recursos fazendo as coisas da mesma forma que sempre fizemos. A sustentabilidade implica um esforço, uma mobilização coletiva para encontrar novas respostas. Infelizmente, nada disso parece estar a acontecer neste caso”, frisou.


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