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“Não vale a pena criar dúvidas desnecessárias, já são suficientes as inerentes à situação da pandemia, e é sobre estas que temos que trabalhar”, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais

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O presidente da CONFAP – Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção, realçou, em declarações ao Novum Canal, estar manifestamente confiante que arranque do ano letivo far-se-á sem sobressaltos, isto apesar de algumas incertezas que possam ainda subsistir.

“Que tudo decorra como esperado, que tenhamos a capacidade para fazer com o ano letivo possa desenvolver-se bem (dentro destas condições muito peculiares) até ao fim. Confio nas escolas e no trabalho que a gestão desenvolveu para estarem preparadas. A experiência do 3º período do ano letivo anterior, ajudou a perceber um conjunto de questões para as quais ninguém, estava preparado, e que agora ninguém será surpreendido, ainda que conscientes das incertezas e de que há risco, mas é um risco que podemos controlar. A CONFAP tem estado a trabalhar com a tutela e com as escolas para que tudo possa acontecer pelo melhor, sem deixar de nos prepararmos (discutir e prevenir outras necessidades) para eventuais situações alternativas que se tenham de implementar. Se há coisa que o COVID nos ensina (reforça como ensinamento), é que sozinhos não conseguimos tudo, mas em parceria podemos conseguir mais e melhor”, disse.

Questionado sobre as datss definidas para o arranque do presente ano letivo, o presidente do Conselho Executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais manifestou esperar que o ano decorra com normalidade com os vários atores e agentes educativos a unirem esforços em prol da defesa da escola e do ensino.

“Pretendendo que o ano letivo possa decorrer com “normalidade” nas atuais condições que se exigem, não há razão para se dizer que seria melhor mais tarde ou mais cedo, tal como nada justificava a opinião daqueles que diziam que as escolas só deveriam abrir em setembro e não em maio. Não vale a pena criar dúvidas desnecessárias, já são suficientes as inerentes à situação da pandemia, e é sobre estas que temos que trabalhar”, frisou, sustentando acreditar que as escolas dispõem dos meios e instrumentos necessários para cumprir com as diretrizes e orientações que foram definidas pela autoridade  nacional de saúde.

“As escolas receberam as verbas necessárias para adquirir os equipamentos e também foram clarificadas as dúvidas que tinham sobre a organização de espaços e de tempos. Devo dizer, contudo, que desde o início assumi que o planeamento, deste ano letivo em particular, deveria envolver as famílias (através das AP) e as autarquias e isso nem sempre aconteceu. Conheço algumas situações em que o planeamento poderia ser mais adequado às condições e às necessidades, mas também conheço outros muito bem elaborados”, concretizou.

“Claro que há risco, temos que estar preparados e, sobretudo, sermos capazes de controlar e dar resposta a eventuais situações que possam surgir”

.Sobre as medidas e os planos de contingência que foram definidos, Jorge Ascenção recordou que não há lugar mais seguro que a escola.  

“Não conheço, até agora, nenhum lugar mais seguro do que a escola. Esta questão foi muito colocada em maio, e provou-se não ter fundamento. Claro que há risco, temos que estar preparados e, sobretudo, sermos capazes de controlar e dar resposta a eventuais situações que possam surgir. A segurança também depende muito das atitudes e dos comportamentos de cada um, por isso a importância da informação e da comunicação clara entre todos”, referiu.

Já quanto aos transportes escolares, o responsável pela CONFAP admitiu que este é um tema importante, mas a resposta deve ser trabalhada em comunidade  envolver os vários agentes e atores que integram a comunidade escolar.

“É uma importante questão, até porque a segurança nas escolas não depende só das condições internas, provavelmente até dependem mais das condições exógenas à escola, como se pode depreender do que afirmei na resposta anterior. Repito, este ano letivo exige que a preparação seja feita em comunidade e que todos os seus representantes intervenham. Na questão dos transportes as autarquias têm um papel fundamental, mas podemos falar da alimentação, dos horários que implicam com as vidas familiares, da educação especial e das terapias, dos espaços na escola e no território envolvente, tantas coisas que podem e devem ser pensadas por todos, para que as soluções encontradas possam dar a melhor reposta às necessidades de todos”, avançou.

Interpelado quanto aos planos de funcionamento que alguns estabelecimentos de ensino já definiram como a implementação de intervalos mais curtos, cantinas com serviço de take-away entre outros, Jorge Ascenção precisou que estas são medidas positivas que vão no sentido de minimizar eventuais contágios.

“Facilmente se compreende que são medidas que ajudarão a minimizar os riscos. Mas reafirmo que não é só na escola que a segurança é importante. As crianças que estão na escola são as mesmas que estão fora da escola. Por isso todas estas medidas têm de ser compreendidas e apreendidas pelos intervenientes, e em especial pelas famílias, daí a importância do envolvimento de diferentes parceiros da comunidade. A escola não existe isolada e não pode viver sozinha”, afirmou, defendendo a diminuição dos tempos de exposição letiva, intercalados com pequenas pausas, o que possibilitaria a criação de dinâmicas de relaxamento em segurança.

“Estas são medias pensadas no modelo de escola que sempre tivemos. Não podemos esquecer que os alunos estão com máscara a assistir ao que o professor, também com máscara, lhes transmite. Esta é uma situação naturalmente incómoda, além de que por força das circunstâncias as aulas serão muito mais expositivas do que já eram. Por essa razão será desejável que haja mais pausas. Percebo a preocupação com os intervalos, mas em condições tão difíceis creio que diminuir os tempos de exposição letiva, intercalados com pequenas pausas criando dinâmicas de relaxamento em segurança, seria mais eficaz. Se assim for a organização dos intervalos, tal como os conhecemos, pode ser diferente. Obviamente que cada escola terá de acordo com os seus espaços pensar o melhor plano de trabalho e de funcionamento”, acrescentou.

“Considerando todas as implicações, de acordo com os estudos de especialistas na área, para a saúde física, psicológica, emocional e social, o ensino presencial é o que todos dizem ser desejável”

O presidente da CONFAP manifestou ser a favor de que o ensino presencial deva abrir já para todos os ciclos, concordando que os estudos existentes neste área apontam nesse sentido.

“É o desejável. O grau de incerteza de toda a situação que vivemos e a ambiguidade sentida com a informação da DGS, faz-nos pensar que se poderia optar pelo ensino misto a partir do 3º ciclo, pois são alunos já com capacidade de autonomia. O que defendemos nesta proposta seria a possibilidade de uma turma ser divida, e os correspondentes dois grupos alternarem o presencial com o ensino à distância. Não foi a decisão desde já”, retorquiu, acrescentando:

“Considerando todas as implicações, de acordo com os estudos de especialistas na área, para a saúde física, psicológica, emocional e social, o ensino presencial é o que todos dizem ser desejável. Os nossos filhos também o manifestam. Se considerarmos também as implicações do isolamento em todas as crianças e em particular nas crianças de risco, com mais dificuldades, cognitivas e de saúde, e as que precisam de terapia especifica, creio que ninguém discordará da importância de termos as escolas a funcionar. Consciente disto, assumi a postura de contribuir para que a escola aconteça com a serenidade essencial a um bom funcionamento neste tempo de pandemia, porque é fundamental que não tenha que voltar a fechar”.

Fotografia: Agrupamento de Escolas Felgueiras

Já sobre o anúncio feito pelo Governo de colocar mais 28 mil professores, o dirigente admitiu que “os professores realizam uma função fundamental no processo educativo escolar”.

“O problema de que falamos, a pandemia e o contágio, não depende apenas dos professores, mas saber atempadamente a colocação é muito positivo, e contribui para que o plano de trabalho possa ser mais eficaz, desde que todas as outras condições também estejam salvaguardadas”, especificou, defendendo a existência de mais assistentes operacionais nos estabelecimentos de ensino.

“Em geral, dadas as condicionantes e as circunstâncias serão necessários mais AOP nas escolas, como é necessário providenciar e investir na formação adequada deste profissionais e garantir que as eventuais substituições a realizar sejam céleres. Por essa razão as escolas estão autorizadas a abrir concursos para criarem a sua bolsa de AOP e assim poderem com celeridade fazerem as substituições que precisem”, confessou.


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