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Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras reconhece que apesar da vontade de regressar início do ano escolar terá características “muito específicas e de alguma forma estranhas”

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Fotografia: Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras

Com o arranque do ano letivo agendado para iniciar entre 14 a 17 de setembro, são vários os estabelecimentos de ensinos que estão a ultimar ou já ultimaram os planos de funcionamento a implementar no próximo ano letivo, no sentido de cumprir com os procedimentos e diretrizes definidas pela autoridade nacional de saúde, no âmbito da Covid-19.

Além dos planos de contingência e das medidas de segurança e higienização já implementadas, há estabelecimentos que estão apostados em introduzir mudanças no sentido de garantirem a segurança  de todos os intervenientes e atores escolares, apostando na criação de intervalos mais curtos, na criação  circuitos de circulação dentro das escolas, além do habitual uso das máscaras, higienização dos espaços, entre outras medidas.

O Novum Canal auscultou a opinião dos responsáveis do Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras, estabelecimento de ensino que foi considerado este ano o primeiro classificado no ranking dos “percursos diretos de sucesso” do secundário, sobre o arranque do novo ano letivo e os preparativos que o agrupamento está a realizar no sentido de cumprir com as normas e os critérios que foram definidos.

Questionado sobre as expectativas tem para o início do arranque escolar, o diretor do agrupamento, António Bragança, realçou que apesar das dúvidas e das incertezas que vão marcar o arranque do ano escolar, todos os intervenientes estão expectantes e com vontade que o ano letivo inicie.

“Muitas dúvidas, muitas expectativas, mas uma certeza, todos darão o seu melhor para garantir o ensino em segurança. Será um início de ano escolar muito atípico, todos estamos com vontade do regresso, mas será complicado viver um regresso que não será como gostaríamos. Acredito que vá correr bem pois confio no trabalho e empenho de todos, mas sei que será um arranque com características muito específicas e de alguma forma estranhas”, disse.

Fotografia: Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras

“As escolas estão já a trabalhar na preparação do próximo ano letivo e com a segunda fase de exames nacionais, a decorrer ainda no início de setembro, será muito complicado e trabalhoso iniciar nessas datas”

Sobre as datas fixadas pelo Governo, 14 a 17, o diretor do agrupamento reconheceu que essas datas tenham sido decididas pela necessidade de não atrasar este ano, mas recordou que as escolas estão já a trabalhar na preparação do próximo ano letivo e com a segunda fase de exames nacionais, a decorrer ainda no início de setembro, será muito complicado e trabalhoso iniciar nessas datas.

“Compreendo que essas datas tenham sido decididas pela necessidade de não atrasar este ano letivo que terá de ser muito bem articulado, programado e preparado. A Educação vivenciou uma situação nunca imaginada e este ano terá de ser uma superação dos problemas existentes. Contudo, considero que essas datas são bastante apertadas para toda a dinâmica que tem de ser preparada e implementada. As escolas estão já a trabalhar na preparação do próximo ano letivo e com a segunda fase de exames nacionais, a decorrer ainda no início de setembro, será muito complicado e trabalhoso iniciar nessas datas. No entanto, na Educação, estamos sempre prontos para novos desafios…”, expressou.

Falando das medidas de segurança que estão a ser implementadas, António Bragança recordou a escola tem um plano de contingência e nesse sentido está tudo preparado para em Setembro receber os alunos, docentes e assistentes operacionais.

“Sim, claro. Temos um plano de contingência elaborado desde o primeiro momento em que este problema da pandemia surgiu e o mesmo é reformulado e adaptado sempre que se justifica. Tudo estará preparado e pronto para a abertura da escola. Aliás, a escola está sempre aberta e as normas de segurança já estão em prática”, acrescentou.

Referindo-se a estas medidas, o diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras destacou foram, criados  “circuitos únicos de circulação, sempre num sentido, para que as pessoas não se cruzem; distanciamento nos corredores e salas de aula, claro que dentro do possível pois não é possível dividir turmas; menos intervalos, alguns mais pequenos, e intervalos desfasados das várias turmas para que exista a menor quantidade possível de pessoas a circular na escola; sempre que possível horários mais compactos nas manhãs ou tardes para poder permitir menos tempo de permanência na escola ao longo da semana; regras específicas para os bares dos alunos e professores e para a cantina; disponibilização de gel desinfetante nos vários locais da escola e salas de aula; uso obrigatório de máscara; material de proteção para pessoal não docente; regras na utilização das casas de banho e desinfeção das mesmas com muita regularidade… e várias outras medidas”, afirmou.

Fotografia: Agrupamento de Escolas Dr. Machado Matos Felgueiras

Em matéria de transportes escolares, António Bragança explicou que estes são da responsabilidade da autarquia, admitindo que o distanciamento dentro do transporte possa vir a ser difícil de cumprir.

“Os transportes escolares são da responsabilidade da autarquia. Está já preparado o plano de transportes escolares e, obviamente, serão necessários critérios muito concretos para o transporte de alunos. Receio que o distanciamento dentro do transporte possa vir a ser difícil de cumprir…. Seriam necessárias mais viagens”, avançou.

“Se tivermos menos alunos simultaneamente em intervalo, há mais espaço disponível, há mais vigilantes disponíveis e os contactos estabelecidos serão também menores”

Quanto à questão dos intervalos mais curtos, António Bragança precisou que é fundamental dar atenção a esta questão.

“Relativamente aos intervalos considero que é importante dar-lhes especial atenção. Eles são importantes para que todos possam relaxar e voltar à concentração, mas também são o momento em que o contacto social mais pode acontecer. Terão de ser mais curtos, em menor quantidade e bastante monitorizados”, avançou,  reconhecendo que esta medida tem a vantagem de evitar que menos alunos estejam em simultâneo em intervalo e consequentemente os contactos estabelecidos serem também menores.

“Reduzir o tempo de intervalo tem como objetivo reduzir o tempo de contacto entre alunos e até o tempo de permanência na escola. Todos sabemos que em situação de intervalo os alunos têm tendência a estar descontraídos com os colegas podendo facilmente quebrar a regra do distanciamento. Se tivermos menos alunos simultaneamente em intervalo, há mais espaço disponível, há mais vigilantes disponíveis e os contactos estabelecidos serão também menores pelo que, a existir um caso de contágio, o mesmo será mais facilmente identificado e controlado. Trata-se de minimizar riscos”, lembrou.

Já quanto às cantinas com take-away solução que está a ser ponderada por alguns estabelecimentos de ensino, António Bragança admitiu que esta pode não ser tão essencial.

“Mesmo em regime take away os alunos terão de almoçar, logo precisam de um espaço. A cantina deve estar preparada para acolher os alunos em vários horários e com o devido distanciamento e condições de higiene e segurança, almoçar fora da cantina pode agravar o problema da proximidade social. Além disso, as escolas não têm assim tanto espaço disponível para que todos se espalhem a almoçar. Parece-me mais viável fazer a refeição no espaço da cantina, acautelando todas as regras e condições de segurança”, manifestou.

“O início do ano letivo deverá ser presencial para todos os alunos e professores”

O responsável pelo Agrupamento de Escolas de Felgueiras concordou, também, que o ano letivo inicie com o ensino presencial para todos os ciclos.

“Sim, concordo que o ensino presencial comece para todos os ciclos de ensino. É importante que exista ensino presencial pois é uma mais-valia no processo de ensino aprendizagem. O reforço online pode ser uma opção com muitas potencialidades, pelo menos para os alunos do ensino secundário e até segundo e terceiro ciclos, mas é importante que exista uma parte presencial. Além disso, um início de ano letivo deverá ser sempre presencial, só assim alunos e professores se podem conhecer melhor, interagir, criar empatia e cumplicidade que são tão importantes na educação”, avançou.

Questionado sobre o anúncio  feito pelo Governo de colocar mais 28 mil professores para este ano letivo, o responsável pelo agrupamento mostrou-se expectante.

“Se tivéssemos mais professores na escola seria possível dividir turmas… não sei se teremos mais professores do que o habitual”, declarou, defendendo, em certos casos, a presença de mais assistentes operacionais nas escolas.

“Os assistentes operacionais terão um papel muito importante. Terão de estar permanentemente atentos, colaboradores e ativos. Terão um papel fulcral na limpeza e desinfeção de espaços e material. Serão uma ajuda que só será possível se for em número suficiente para que todas as secções da escola estejam asseguradas. Em certos casos e momentos, sim, considero que serão necessários e fundamentais mais assistentes operacionais”, asseverou.

“Numa escola, na nossa escola, os afetos, o contacto, a proximidade são (eram) uma realidade que trazia a todos a agradável sensação de bem estar, de acolhimento, de harmonia. Será muito estranho esconder o sorriso atrás de uma máscara e não poder partilhar abraços”

Anabela Brochado, docente no mesmo agrupamento, alinhou pelo mesmo diapasão de que este será um ano escolar atípico que vai exigir da parte de todos uma adaptação a uma nova realidade.

“O novo ano escolar será muito diferente daquilo que para nós era habitual no regresso às aulas. Todos queremos voltar à nossa normalidade na escola mas não será essa a realidade que vamos encontrar. Para começar as regras de distanciamento vão alterar todas as rotinas e modo de estar. Numa escola, na nossa escola, os afetos, o contacto, a proximidade são (eram) uma realidade que trazia a todos a agradável sensação de bem estar, de acolhimento, de harmonia. Será muito estranho esconder o sorriso atrás de uma máscara e não poder partilhar abraços. Tudo o resto será um exercício constante de lembrar regras, mecanizar formas de atuação o que tornará tudo um pouco mais impessoal. Para além de tudo isto vamos conviver sob o receio constante deste vírus que parou o mundo. Será um ano muito estranho e por isso nem sei o que esperar”, adiantou, relevando o esforço que os estabelecimentos de ensino estão a realizar no sentido de cumprirem com as diretrizes da autoridade nacional de saúde e minimizarem situações de risco e contágio.

“Todas as medidas que as escolas estão a adotar têm o intuito de minimizar riscos e conter a propagação do vírus permitindo de uma forma mais fácil a identificação de possíveis cadeias de contágio. Serão medidas a que as escolas não estavam habituadas. Irão implicar novas rotinas e muitas regras. A descontração com que todos vivíamos no espaço escolar vai dar lugar a movimentos mecanizados e muito pensados. Contudo, concordo que as situações de risco de contágio sejam minimizadas com as medidas adotadas”, relembrou.

“Como professora não me imagino a começar um ano letivo sem conhecer cara a cara, presencialmente, os meus alunos. Esta fase é essencial numa escola. Tudo começa no início de um ano letivo, o conhecer o outro, o construir regras, o criar um ritmo e método de trabalho, a empatia”

Anabela Brochado concordou que todos os alunos devem iniciar as aulas presencialmente em setembro.

“Como professora não me imagino a começar um ano letivo sem conhecer cara a cara, presencialmente, os meus alunos. Esta fase é essencial numa escola. Tudo começa no início de um ano letivo, o conhecer o outro, o construir regras, o criar um ritmo e método de trabalho, a empatia. As aulas devem começar em contexto físico de sala de aula sempre. Em alguns níveis de ensino, como por exemplo no ensino secundário, o ensino à distância até tem aspetos muito positivos, mas penso que nunca deve substituir o presencial, pode ser um bom complemento mas não um substituto e, no início do ano letivo, estar na escola é fundamental. Além disso, considero que para os mais pequenos, como o primeiro ciclo, a escola presencial é o ideal, porque aprender não é só ouvir o professor, é estar lá, em contexto, interagir, vivenciar, experimentar”, confirmou.

Falando da redução dos intervalos, a docente manifestou que esta é talvez a única forma de controlar a parte da proximidade social embora possa ser complicado ter os alunos na escola com menos tempo para descontrair e libertar energias.

“As medidas relacionadas com os intervalos, a sua duração, o seu desfasamento entre as várias turmas e o seu número têm como intuito minimizar riscos de contágio ao minimizar o tempo de possíveis contactos entre alunos e ao permitir identificar com maior precisão os contactos estabelecidos. Penso que essas medidas podem ajudar e que talvez seja a única forma de controlar a parte da proximidade social embora possa ser complicado ter os alunos na escola com menos tempo para descontrair e libertar energias. Não é fácil passar uma manhã ou tarde dentro de uma sala de aula. Os alunos e os professores terão de encontrar novas formas de atuação dentro da sala de aula para permitir esses momentos de descontração”, confessou, referindo ser a favor da divisão dos alunos em turnos de manhã e de tarde, embora reconheça que esta seja uma medida de difícil aplicação tendo em conta a carga horária.

“Se fosse possível seria uma boa opção pois permitiria minimizar a dimensão de cadeias de contágio que pudessem vir a acontecer ao diminuir os contactos estabelecidos. Contudo, não sei se será possível tendo em conta a carga horária que os alunos habitualmente têm. As matrizes curriculares indicam um determinado número de horas que não será possível cumprir apenas em manhãs ou tardes. Vamos aguardar para ver o que as escolas conseguem fazer com os horários, sei que todos estão a tentar encontrar a melhor solução entre minimizar os riscos de contágio, o tempo de permanência na escola e o cumprimento da carga horária”, precisou.

Interpelada quanto ao anúncio feito pelo Governo de colocar mais 28 mil professores, Anabela Brochado admitiu não estar dentro do assunto, mas confirmou que quantos mais doentes foram colocados mais fácil será fazer a gestão dos discentes por sala.

“A verdade é que quantos mais professores as escolas tiverem melhor gestão do número de alunos por sala poderá ser feita. Do que conheço até ao momento não há previsão de desdobramento das turmas e se os professores forem colocados apenas para apoios não sei até que ponto será tão importante ou benéfico. Os apoios implicam mais tempo na escola o que pode sobrecarregar os horários dos alunos. Espero que seja uma medida com utilidade prática nas escolas pois toda a ajuda será bem recebida”, aludiu, assumindo ser a favor do reforço dos assistentes operacionais.

“Pelo que vi durante o período em que regressamos às aulas presenciais com os 11.º e 12.º anos os assistentes operacionais são parte muito importante na execução dos planos de contingência das escolas. Tudo funcionou muito bem e tínhamos os assistentes operacionais disponíveis, muito colaboradores em número suficiente, mas recordo que eram apenas algumas turmas. Quando todos os alunos e professores regressarem à escola penso que seria importante reforçar o número de assistentes operacionais. A higienização dos espaços e material e a vigilância dos intervalos para incentivar o distanciamento e o cumprimento de regras como o uso de máscara, serão dois aspetos essenciais neste regresso às aulas”, anuiu.


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