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Fotógrafos recordam que nada substitui o olhar criativo e treinado de um profissional apesar das transformações tecnológicas que revolucionaram setor

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Fotografia: Gabriela Pinto

No dia em que se assinala o Dia mundial da Fotografia, o Novum Canal  ouviu a opinião de dois fotógrafos com o mesmo gosto e paixão pelas fotografias, mas com domínios de intervenção diferentes, um na área da fotografia de arquitetura e  o outro no domínio do retrato e reportagem social.

Apesar da profusão e da panóplia de dispositivos e meios que existem atualmente, ambos concordaram que nada substituiu o olho, o olhar e a sensibilidade do profissional de fotografia.

Gabriela Pinto, fotógrafa, a estudar no Instituto Português de Fotografia, reconheceu que a fotografia assume cada vez mais um papel relevante na sociedade atual seja pelo seu valor documental, seja mesmo pelo seu valor artístico.

“Penso que a fotografia tem um valor não só para qualquer pessoa individualmente, como também para a Humanidade, nem que seja pelo registo documental. Mas a fotografia é muito mais do que isso, uma vez que é também arte e todos sabemos da importância que a arte e a Cultura têm nas nossas vidas. Daí que faça sentido assinalar com um dia próprio a fotografia, assim como, já agora, também as outras artes”, disse, salientando não se recordar como surgiu a sua ligação à fotografia.

“Não sei dizer o momento ao certo em que me apercebi que gostava a sério de fotografia, foi um hobby que começou a crescer a pouco e pouco”, referiu, sustentando que, mais tarde, quando a opção pela fotografia passou a ser mais evidente optou por ingressar no Instituto Português de Fotografia.

“Estava à procura de uma mudança na minha vida a nível profissional, quando passou a ser claro para mim de que gostava de trabalhar na área da Fotografia. Com essa ideia fui à procura de me profissionalizar e do melhor local para o fazer. Escolhi o IPF, pela oferta formativa e pelos bons fotógrafos e professores”, afirmou.

Dentro da fotografia, Gabriela Pinto confessou ter uma predileção pela fotografia de arquitetura.

“Gosto muito da fotografia de arquitetura. É um exercício quase egoísta, uma vez que é muito pacificador para mim poder estar sozinha dentro de um espaço, ou de um edifício a retratá-lo. Além de que é um tipo de Fotografia que me permite outra coisa que adoro, que é viajar. Tanto poderei estar a fotografar um Hotel em Lisboa ou no Algarve, como no outro dia poderei estar a fotografar um casa para um arquiteto no Porto ou Viana do Castelo.”, expressou, admitindo  que em fotografia de arquitetura normalmente faz a fotografia a cores, manifestando que noutro tipo de fotografia, por norma, costuma preferir o dramatismo do preto e branco.

Questionada se pandemia acabou também por afetar a fotografia e o mercado da fotográfico, Gabriela Pinto reconheceu que os fotógrafos de casamentos foram os mais penalizados,  uma vez que viram os casamentos deste ano a serem praticamente todos desmarcados ou adiados.

“Penso que o futuro da fotografia não mudará muito em relação ao que é atualmente. A fotografia já teve as suas eras de revoluções, quando se tornou acessível para todos, na altura da Kodak, ou mais recentemente quando os smartphones passaram a ter todos câmaras”

Fotografia: Gabriela Pinto

Falando do futuro da fotografia, Gabriela Pinto realçou que não será muito diferente do que é atualmente, isto apesar das várias mutações que o setor tem vindo a sofrer e das revoluções tecnologias que, entretanto, também obrigaram o universo da fotografia a adaptar-se.

“Penso que o futuro da fotografia não mudará muito em relação ao que é atualmente. A fotografia já teve as suas eras de revoluções, quando se tornou acessível para todos, na altura da Kodak, ou mais recentemente quando os smartphones passaram a ter todos câmaras, mas acabou sempre por se chegar à conclusão de que o resultado final nunca é o mesmo do que quando se recorre a um profissional da área. Não consigo antever nenhum tipo de tecnologia que consiga substituir a sensibilidade que um fotógrafo profissional tem para fazer fotografia”, manifestou, reconhecendo, no entanto, que o digital e as novas tecnologias invadiram o mundo da fotografia.

“Sim, a fotografia hoje é praticamente toda digital: as câmaras são digitais, a edição é digital, o processo de enviar as fotografias ao cliente é digital. É o que é mais acessível e mais barato fundamentalmente. Fazer fotografia analógica hoje em dia não é barato, embora ainda haja muitos fotógrafos que trabalham dessa forma”, sustentou.

“Hoje a civilização está inundada de imagens captadas pelos mais diversos meios como um simples telemóvel. Também a quantidade de software existente, de fácil acesso e operação, permite que pessoas sem formação consigam obter resultados satisfatórios, sem o recurso aos serviços de um profissional especializado”

Fotografia: Abílio Cardoso

Abílio Cardoso, fotógrafo profissional, concordou também com a aceção que nada substitui o olhar criativo e a sensibilidade do fotógrafo.

“Hoje a civilização está inundada de imagens captadas pelos mais diversos meios como um simples telemóvel. Também a quantidade de software existente, de fácil acesso e operação, permite que pessoas sem formação consigam obter resultados satisfatórios, sem o recurso aos serviços de um profissional especializado. Contudo nada substitui o olhar criativo e treinado de um profissional”, asseverou, lembrando que o Dia Mundial da Fotografia tem um significado especial, sendo “uma oportunidade para refletir sobre uma atividade que para uns é de lazer e que para outros constitui fonte de sustento. A existência de um Dia Mundial permite a exposição mediática que provocará em muitas pessoas a curiosidade sobre a atividade”.

Fotografia: Abílio Cardoso

Ao Novum Canal, Abílio Cardoso esclareceu que a paixão pela fotografia aconteceu pela influência de grandes fotógrafos(as) que fui conhecendo através das revistas especializadas e em exposições, como “Henri Cartier-Bresson, Yousuf Karsh, Gérard Castello Lopes, Eduardo Gageiro, António Homem Cardoso, Sebastião Salgado, Annie Leibowitz e outros(as) com quem tive oportunidade de formação como Judith Vizcarra, Miquel Andreu e Mary Quintero”, disse, afirmando que fazer fotografia há 56 anos.

“Sendo filho de um fotógrafo, passei parte da minha infância na câmara escura aprendendo a revelação e impressão em processo químico”, acrescentou, sublinhando que os trabalhos que têm mais significado para si são os casamentos.

“Representam um desafio constante, de guardar para a história um dos momentos mais importantes da vida de qualquer casal”, confirmou, clarificando que habitualmente faz sempre fotografia a cores utilizando máquina digital.

“Posso depois escolher algumas imagens e editá-las a preto e branco. No tempo da fotografia analógica sempre levava uma segunda câmara com um rolo a preto e branco”, retorquiu.

Fotografia: Abílio Cardoso

Interpelado se a fotografia e os seus profissionais são respeitados profissionalmente no nosso país, Abílio Cardoso reconheceu que “há pessoas que valorizam o esforço de uns quantos para se manterem informados e adaptados ao que o mercado exige”.

Quanto à crise sanitária que atingiu o setor, o fotógrafo realçou que a pandemia foi o acontecimento histórico que mais afetou o universo da fotografia.

“A pandemia Covid-19 foi o acontecimento que historicamente mais afetou o setor levando a que o ano de 2020 seja o pior em termos de resultados económicos”, atalhou, confirmando, no entanto, que o mundo da fotografia, não tem que ter medo das novas tecnologias.

“Não temos que ter medo. Importa fazer a necessária adaptação e prosseguir o caminho, não esquecendo um conjunto de valores e princípios”, relembrou, recordando que em fotografia não haverá muito mais a acrescentar em tecnologia e que em “termos conceptuais valerá sempre o melhor momento, a melhor história”. 


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