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Instituições com a valência de centro de dia apontam falta de tempo e dificuldades de logística para proceder às adaptações necessárias para reabrir sábado

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Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

Das três instituições contactadas pelo Novum Canal que integram a valência de centro de dia, duas afirmaram que não vão reabrir já, e apenas uma confirmou que vai abrir portas na segunda-feira.

As instituições garantiram que não tiveram tempo para colocar em marcha as diretrizes enviadas às instituições de forma a proceder às necessárias readaptações exigidas pelas autoridades de saúde.

Refira-se que, esta quinta-feira, o Conselho de Ministros deliberou retomar das atividades de apoio social desenvolvidas em Centros de Dia a partir de 15 de agosto, mediante avaliação das condições de reabertura, a realizar pela instituição, pelo Instituto da Segurança Social e pela autoridade de saúde local.

Na habitual conferência de imprensa, a Ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, assumiu que apenas os Centros de Dia que funcionam de forma independentemente de outras valências sociais  poderão reabrir a atividade. Os restantes terão de ser alvo de uma avaliação da Direção-Geral de Saúde e do Instituto da Segurança Social.

Questionada sobre o anúncio feito pelo Governo, a diretora técnica da Associação Desenvolvimento Integral de Lordelo (ADIL), destacou que a instituição optou por não reabrir esta resposta social, uma vez que o centro de dia está acoplado com outras valências existentes na instituição  e a ADIL não tem condições para colocar em prática as recomendações e as orientações que constam do guião orientador reabertura da resposta social centro de dia.

A diretora técnica esclareceu a instituição tem várias valências a funcionar no mesmo edifício e não dispõe de espaços alternativos de forma a cumprir com as orientações que foram, entretanto, emanadas, isto é que os centros de dia não estejam em comum com outras instalações, com outras valências, de forma a evitar contactos.

A diretora técnica destacou, também, que nas zonas comuns e no refeitório, a instituição não consegue assegurar as distâncias necessárias exigidas, acrescido do facto dos utentes se cruzarem, tendo considerado difícil executar as diretrizes e indicações que constam do guião.

Referindo-se a esta deliberação, a diretora técnica manifestou que esta decisão parece-lhe precipitada, considerando não ser ajustado abrir os centros de dia, nesta fase, numa altura em que os emigrantes estão de férias em Portugal e em que existe o receio de que a gripe sazonal se possa cruzar com o coronavirus, preocupação que tem sido publicamente veiculada.

“Aguardaria por outubro. Nunca nesta altura”, expressou.

Sara Miranda, do Centro Social de Sanfins de Ferreira, em Paços de Ferreira, confirmou, também, que a instituição não vai abrir a valência do centro de dia este mês.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

Ao Novum Jornal, Sara Miranda confessou que existe alguma ansiedade para reabrir, mas também algum receio, apontando a segunda ou a terceira semana de setembro para a reabertura do centro de dia.

Sara Miranda admitiu que a instituição teve pouco tempo para se preparar para proceder às alterações necessárias, tendo sido informada das diretrizes e orientações há relativamente pouco tempo, o que impossibilitou que a instituição operasse as alterações necessárias para reabrir já este sábado.

A diretora técnica reconheceu, também, que a decisão do Governo coincidiu com a altura em que a instituição tem menos colaboradores, uma vez que uma parte dos funcionários estão a gozar as suas férias e tais alterações implicariam uma logística significativa.

“Temos uma sala de convívio, o que significaria que teríamos de ter duas salas de convívio, por causa do distanciamento. No caso do refeitório, os almoços e os lanches teriam que ser feito por turnos, o transporte teria de ser feito a dobrar”, avançou, recordando que o centro de dia e o centro de convívio integram 35 utentes.

Nesta questão, a responsável técnica da instituição concordou que a reabertura das creches foi mais conseguida, tendo sido devidamente preparada, ponderada e feita de forma faseada.

Já Diana Barbosa, diretora técnica da Associação Para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela, Centro Sénior da Portela, admitiu que a instituição vai reabrir a valência do centro de dia na próxima segunda-feira, referindo estar de acordo com o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, padre Lino Maia, quando este afirmou que a reabertura “pode pecar por tardia”.

Fotografia: Associação para o Desenvolvimento da Freguesia da Portela

“Cada região é uma situação, mas o Tâmega e Sousa não tem tido tantos casos como outras regiões. A abertura deveria ter sido feita de forma faseada”, expressou, sustentando, no entanto, que no início de agosto as condições para reabrir esta resposta social já existiam.

A responsável técnica do Centro Sénior da Portela esclareceu que o centro não está acoplado a outras valências pelo que a instituição tem condições para assegurar  este serviço e cumprir com as diretrizes e regras que foram definidas.

A diretora técnica referiu, ainda, que o Centro Sénior da Portela tem capacidade para 25 utentes, mas na segunda-feira irá reabrir apenas com 13, cumprindo assim com as diretrizes emanadas pelas entidades nomeadamente no que toca à lotação.

“Gradualmente iremos fazendo as inserções”, afiançou, acrescentando que o Centro Sénior da Portela numa primeira fase irá apenas acolher os utentes autónomos, tendo este processo contado com a participação das famílias.

Recorde-se que nos casos em que os centros de dia têm instalações comuns a outras valências é necessário que as instalações de dentro de dia sejam autonomizadas ou se equacione a criação de instalações alternativas.

Quando assim acontece, é necessário fazer todo um trabalho que deve ser acompanhado pela Saúde e pela Segurança Social.

Guião orientador da reabertura da resposta social centro de dia

Refira-se que a Direção-Geral da Saúde (DGS) e Instituto de Segurança Social (ISS, I.P.) publicaram, entretanto, um guião orientador para a reabertura da resposta social centro de dia que recomenda que a reabertura deverá ser faseada e devidamente analisada, de forma a cumprir com as diretrizes e normas que foram estabelecidas e que têm como meta garantir o controlo e prevenção do vírus.

O documento salienta que “a resposta social Centro de Dia assume-se como resposta fundamental para proporcionar bem-estar social, físico-motor, psicológico, promovendo a autoestima das pessoas idosas. Para além do apoio direto prestado à pessoa idosa, estas respostas revestem-se de particular importância no apoio aos cuidadores, tendo em conta as realidades sociais que o envelhecimento apresenta e que se prendem com o aumento da dependência, o isolamento e eventual exclusão por barreiras sociais e físicas. Assim, a reabertura desta resposta social é fundamental”, salientando que “ o funcionamento terá de garantir o estrito cumprimento das medidas de prevenção e controlo preconizadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para a COVID-19. Assim, as condições de reabertura terão de ter em conta os centros de dia que funcionem de modo isolado; os centros de dia acoplados a outras respostas sociais, cujas características do edificado/organização e funcionamento garantam total separação, sem cruzamento entre utentes e colaboradores das outras respostas sociais e sem partilha de espaços como refeitórios e instalações sanitárias”.

O guia esclarece que “a oportunidade e a verificação das condições da reabertura dos centros de dia com funcionamento acoplado, devem ser avaliadas pela instituição em articulação com a autoridade local de saúde”.

O guião preconiza que é essencial o estrito cumprimento das regras de distanciamento físico, de etiqueta respiratória, da lavagem correta das mãos, da utilização de máscara (se a condição clínica do utente o permitir) assim como as outras medidas de higienização e controlo ambiental.

O guião esclarece que paralelamente será disponibilizada uma ficha técnica de verificação por forma a apoiar as instituições na preparação para a reabertura, todas as instituições deverão rever e adaptar os seus planos de contingência, devendo contemplar os procedimentos a adotar perante um caso suspeito de COVID-19; assim como a “definição de uma área de isolamento, devidamente equipada com telefone, cadeira, água e alguns alimentos não perecíveis, contentor de resíduos (com abertura não manual e saco de plástico); solução antisséptica de base alcoólica – SABA (disponível no interior e à entrada desta área); toalhetes de papel; máscara(s) cirúrgica(s); luvas descartáveis; termómetro. Nesta área, ou próxima desta, deve existir uma instalação sanitária devidamente equipada, nomeadamente com doseador de sabão e toalhetes de papel, para a utilização exclusiva do caso suspeito; circuitos definidos para acesso à sala de isolamento, e desta para o exterior”.

Recomenda-se a existências de “contactos atualizados da Autoridade de Saúde territorialmente competente e do diretor técnico da instituição, contactos atualizados de emergência dos utentes e definição do fluxo de informação com os familiares/cuidadores e organização da gestão de recursos humanos, de forma a prever substituições na eventualidade de absentismo por doença, necessidade de isolamento ou para prestação de cuidados a familiar de alguns dos seus elementos, com possibilidade de recurso a voluntários”.

O guião estabelece, ainda, a adaptação das condições de funcionamento do Centro de Dia, defendendo que “a reabertura da resposta social Centro de Dia, após o termo da suspensão da atividade, implica que o regresso dos utentes que integrem grupos de risco seja previamente submetido a uma avaliação pelo médico assistente, ponderando risco e benefícios”.

Já quanto às condições das instalações, o documento  refere que “deve ser garantido o distanciamento físico de cerca de 2 metros entre os utentes, sempre que possível; sempre que a instituição disponha de zonas que não estão a ser utilizadas, poderá ser viável a expansão do Centro de Dia para esses espaços, desde que cumpram as regras de higiene, segurança e salubridade; sempre que possível, devem ser promovidas atividades no espaço exterior privativo do equipamento; sempre que o Centro de Dia se encontre em edifícios contíguos ou no mesmo edifício em que funcionem outras respostas sociais, por exemplo ERPI, não deverá haver interação entre os utentes e equipas de profissionais afetos a cada uma dessas respostas”.

O guião instituiu, também, outras medidas nomeadamente relacionadas com as condições do transporte, cumprimento do intervalo e da distância de segurança entre passageiros; redução da lotação máxima de acordo com a legislação vigente e em consonância com as recomendações da DGS; obrigatoriedade do uso de máscaras durante o transporte, sem prejuízo da necessária avaliação casuística, em função das patologias e características de cada utente em concreto, que torne essa utilização impraticável, disponibilização de solução à base de álcool, à entrada e saída da viatura, assim como a descontaminação da viatura após cada viagem, segundo as orientações da DGS.

Ainda quanto às condições de funcionamento, o documento preconiza que “sempre que não for possível o cumprimento do distanciamento físico de cerca 2 metros por inexistência de salas e/ou espaços complementares disponíveis em número suficiente para assegurar o desdobramento dos grupos, o funcionamento deverá ser organizado por grupos em regime de rotatividade ou em turnos distintos de frequência, em função das necessidades do utente”.

O guia estabelece, também, procedimentos prévios à reabertura do estabelecimento, acesso às instalações, espaços e normas de prevenção de risco de contaminação, normas relacionadas com refeições, utilização da casa de banho, atendimento ao público informação, formação e treino e atividades, recomendando que nesta fase deverão ser evitadas atividades que envolvam maior concentração de pessoas.


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